Mercado externo misto
Nesta segunda-feira (27), os índices futuros dos EUA indicam que Wall Street abrirá o dia com perdas, com especial intensidade nas empresas de tecnologia que compõem o índice Nasdaq. Na Europa, os mercados em funcionamento ainda apresentam valorizações, mas os ganhos nessa metade final do pregão são muito menores que os registrados no início do dia. Em Londres, já se inverteu o cenário, com o índice FTSE 100 agora mostrando perdas.
Esses resultados inconstantes estão sendo a norma em setembro. Na semana passada, os índices americanos e europeus conseguiram fechar com ganhos (Dow Jones: +0,62%, S&P 500: +0,51%, Nasdaq: +0,02%, Stoxx Europe 600: +0,31%), se recuperando das fortes perdas da segunda e terça-feira decorrentes da crise da incorporadora chinesa Evergrande.
Na agenda de hoje nos EUA, o principal assunto responsável por preocupar os mercados são os conflitos na Câmara dos Representantes do país. Os legisladores têm até sexta-feira para definir o plano orçamentário do próximo ano fiscal, caso contrário irá ocorrer o fechamento das atividades do governo federal. Central nessa disputa orçamentária é a tentativa de passar um projeto de lei que destina US$ 1,2 trilhão para gastos com infraestrutura. A proposta está travada porque democratas mais à esquerda estão querendo vincular esse plano a um pacote ainda maior, de US$ 3,5 trilhão, que envolveria também gastos em bem-estar social. No meio dessas disputas ideológicas, os deputados ainda precisam alterar o teto de gastos atual caso realmente queiram aprovar essas leis.
Na Europa, os ganhos são impulsionados pelos resultados parciais das eleições da Alemanha. Os investidores temiam que resultados positivos dos social-democratas e da Esquerda, partido de tendência socialista, pudessem gerar uma coalizão contrária aos interesses do mercado. Porém, apesar da vitória do Partido Social-Democrata, A Esquerda ficou com apenas 4,9% dos votos, abaixo da barreira mínima de 5,0% necessária para fazer parte do Bundestag. Sendo assim, um executivo de centro-esquerda ou ainda de centro-direita é o cenário mais provável, muito mais tranquilizador para os investidores. Também impulsionam os índices europeus a forte valorização do petróleo Brent, que proporciona para as empresas petrolíferas fortes ganhos. No momento, o barril está sendo negociado por US$ 78,58, valor mais elevado desde 2018.
Nos mercados asiáticos, os temores com o grupo Evergrande foram mais uma vez amenizados por intervenções do People’s Bank of China (PBoC), banco central da China. A instituição afirmou que, enquanto for necessário, ela irá alimentar os mercados financeiros locais com liquidez, garantindo um crescimento saudável do mercado imobiliário chinês. Nesta segunda, o PBoC injetou 100 bilhões de yuans, após já ter colocado cerca de 50 bilhões na sexta. Mesmo assim, os índices do continente encerraram o dia mistos (Shanghai Composto: -0,84%, Nikkei 225: -0,03%, Hang Seng: +0,07%, Kospi: +0,27%).