Mercado externo em alta
Após sofrer com fortes perdas no pregão de terça-feira (EUA: Nasdaq, -2,83%; S&P 500, -2,04%; Dow Jones, -1,63%; Europa: Stoxx Europe 600, -2,18%; CAC 40, -2,17%; DAX 30, -2,09%; FTSE 100, -0,50%), as principais bolsas do mundo Ocidental se recuperam parcialmente nesta quarta (29), apresentando valorizações.
O principal fator responsável pelas perdas de ontem foi o aumento das preocupações com a aceleração inflacionária, após o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, declarar ao Comitê Bancário do Senado que a inflação pode persistir por mais tempo que o necessário. Além de tirar por si só o apetite pelo risco, essa fala também levou os investidores a retirar seus capitais dos mercados acionários porque indiretamente ela aumentou os rendimentos dos títulos do governo americano, já que trouxe a percepção de que o Fed irá aumentar as taxas de juros antes do que o antecipado. Outro fator que pressionou as ações foi a possibilidade de shutdown do governo federal norte-americano, já que o prazo para o anúncio do Orçamento está cada dia mais próximo e os deputados não conseguem chegar a um acordo.
Hoje, a recuperação não é embasada em nenhuma melhora dos fundamentos do mercado, com os temores inflacionários e a alta dos rendimentos dos títulos públicos ainda presente. Os ganhos europeus e a provável abertura em alta de Wall Street se devem basicamente a um ajuste do mercado, após as desvalorizações de ontem acima dos 2%. Na agenda, destaque para o Fórum de Sintra, evento organizado pelo Banco Central Europeu (BCE) e que, além do presidente dessa instituição, também reunirá o presidente do Federal Reserve, o presidente do Banco Central do Reino Unido e o presidente do Banco Central do Japão. A reunião está marcada para começar às 12h45 (horário de Brasília).
Nos mercados asiáticos, o sentimento baixista foi predominante nesta quarta-feira, com o apetite ao risco sendo escanteado pelas fortes desvalorizações de terça nos EUA. Também pesou sobre o sentimento dos investidores a crise energética enfrentada pela China, que está obrigando diversas fábricas do país a diminuir seu nível de atividade e está trazendo até mesmo o risco de falta de luz na casa das famílias. Grosso modo, as dificuldades estão relacionadas às metas de diminuição da emissão de CO2, que desincentivam o uso de carvão mineral, e à escassez de gás natural no mercado mundial, que fazem com que a China simplesmente não disponha das matérias primas necessárias para a produção de energia. Assim, os principais índices do continente fecharam em baixa (Nikkei 225: -2,12%, Shanghai Composto: -1,83%, Kospi: -1,22%).
A exceção ocorreu na bolsa de Hong Kong. Por lá, o China Evergrande Group anunciou que venderá sua participação no Banco Shengjing para uma empresa estatal de gestão de ativos, o que proporcionará para os cofres da companhia a bagatela de US$ 1,5 bilhão. Esse anúncio impulsionou ganhos de 14,98% para as ações do grupo e fez com que o índice Hang Seng fechasse em alta de 0,67%.