Mercado externo em alta
Nesta sexta-feira (22), os índices futuros dos EUA indicam abertura mista, com as empresas ligadas a ramos tradicionais começando o dia com ganhos, enquanto as corporações da área de tecnologia começam com perdas. Na Europa, as sessões são de valorização. Faltando cerca de 3 horas para o encerramento dos pregões, os índices europeus mostram ganhos médios próximos de 1,0%.
No noticiário econômico de hoje, animou os mercados um surpreendente anúncio de que até o final do dia a China Evergrande Group irá fazer o pagamento de títulos denominados em dólares cujo vencimentos ocorreram no dia 23 de setembro. Com isso, a incorporadora evitará a classificação oficial de inadimplente, já que irá honrar seus compromissos dentro do prazo permitido de 28 dias de carência (o pagamento será feito exatamente no último dia). Não se sabe como ou de onde veio esse capital em dólares, com acordos para vendas de ativo não se concretizando. Mesmo assim, as ações da empresa avançaram 4,26% na bolsa de Hong Kong e a confiança dos mercados aumentou. Ontem, as ações da Europa fecharam o dia com perdas (FTSE 100: -0,45%, DAX 30: -0,32%, CAC 40: -0,29%, Stoxx Europe 600: -0,08%) principalmente por causa de temores com a Evergrande e o setor imobiliário chinês, temores que nesta sexta foram superados/esquecidos.
Ainda falando sobre os mercados europeus, o outro grande fator responsável pelos fortes ganhos de hoje são as divulgações positivas de resultados de empresas listadas em bolsa. O grande destaque está sendo a L'Oréal, com a empresa francesa de cosméticos avançando mais de 6% depois de anunciar ganhos significativos no terceiro trimestre. Também tem avanços importantes o setor de tecnologia, com a empresa alemã de softwares SAP e a holandesa desenvolvedora de semicondutores ASML se recuperando após perdas no início da semana, decorrentes de divulgações de resultados abaixo das expectativas.
Nos EUA, o mercado acionário está em um rali neste mês de outubro, com especial intensidade após o início das divulgações dos resultados das empresas. Isso porque 82,6% das 101 corporações que compõem o S&P 500 e que já anunciaram seus números no terceiro trimestre tiveram resultados acima do esperado. Com isso, o S&P está a seis sessões seguidas fechando em alta, alcançando seu recorde histórico. Ontem, os ganhos foram impulsionados por valorizações do Netflix (4,48%) e Tesla (3,26%). Segue os fechamentos de quinta: Dow Jones, -0,02%; S&P 500, +0,30%; Nasdaq, +0,62%.
Hoje, as ações de tecnologia devem enfrentar um dia mais complicado, pois a Snap, dona do Snapchat, e a Intel anunciaram números bastante abaixo do esperado. As desvalorizações nessas companhias devem respingar nas outras do setor. Ademais, os setores tradicionais devem seguir avançando.
Soja em alta
Nesta sexta-feira (22), os mercados futuros de soja operam em campo misto. Na Bolsa de Chicago (CBOT, na sigla em inglês), os contratos de novembro/21 são negociados a 1.225,00 USD cents/bushel. O movimento de alta é sustentado pelo otimismo dos agentes quanto às exportações estadunidenses, após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) divulgar dados acima do esperado para as vendas semanais de exportações. Com as estimativas dos mercados variando de 1,5 milhão a 2,5 milhões de toneladas de soja, o USDA reportou a venda de 2,878 milhões de toneladas.
Por outro lado, os ganhos foram limitados pela pressão resultante do avanço da colheita nos EUA; do registro de chuvas benéficas em regiões produtoras de soja no Brasil; e pela rodada de realização de lucros no setor de óleos vegetais.
Milho em alta
Os futuros do milho operam em alta, nesta sexta-feira (22), sustentados pela desvalorização do dólar estadunidense e aumento da produção nacional dos EUA de etanol. Contudo, vale observar que, apesar de o avanço da colheita da safra de milho no país, permitir o aumento da produção do biocombustível, ela também exerce maior pressão sobre os preços futuros do grão, pois há aumento da oferta no mercado. Na CBOT, os contratos futuros para dezembro/21 são negociados a US¢ 535,25/bu.
Em relação aos dados divulgados ontem (21), pelo USDA, as vendas de exportação dos EUA totalizaram 1,273 milhão de toneladas, na semana encerrada no dia 14 de outubro. Isso representa um aumento de 22% frente a semana anterior, e de 67% frente a média das últimas quatro semanas.
Trigo em alta
Os futuros do trigo operam em alta, nesta sexta-feira (22), impulsionados por uma rodada de compras técnicas por parte de investidores, após o movimento de queda da véspera e a desvalorização do dólar estadunidense. Na CBOT, os contratos para dezembro/21 são negociados a US¢ 749,25/bu. Os dados de vendas de exportação do USDA indicaram queda de 36% das vendas de exportação registradas na semana encerrada no dia 14 de outubro frente a semana anterior, totalizando 362,4 mil toneladas de trigo. Apesar de ainda apontar queda, no comparativo com a média das últimas quatro semanas, o recuo foi de 6%.
Vale destacar que a demanda internacional segue forte, com destaques às compras de países do Norte da África e a reaproximação da China com a Austrália, que vem observando aumento da competitividade de seu cereal em razão do aumento dos preços do trigo de origem do Mar Negro, sobretudo russo.