Campinas, 18 de julho – Os mercados globais acompanham dados sobre a atividade econômica dos EUA, que podem sinalizar como a economia estadunidense está se comportando uma semana antes da decisão do Fed sobre os juros do país.
Nesta manhã, foi divulgado o resultado das vendas no varejo dos EUA referentes a junho, mostrando um avanço mensal de 0,2%, abaixo das expectativas de +0,5% e dos +0,5% relatados em maio. Na comparação anual, o mês de junho exibiu um aumento de 1,49%, contra a projeção de +1,60% e os +1,96% verificados no mês anterior. Com uma certa desaceleração das vendas, é possível que os investidores reforcem a sua interpretação de que o aperto monetário nos EUA ficará mais brando ainda este ano.
Além disso, às 10h45min., será divulgado o resultado da produção industrial norte-americana em junho, com o mercado esperando uma estabilidade ante o mês anterior.
Por fim, o sentimento mais pessimista em relação à recuperação da China permaneceu no radar dos agentes. O PIB do 2º trimestre abaixo do esperado fez com que algumas instituições reduzissem a sua estimativa de crescimento da economia chinesa em 2023. As projeções do Morgan Stanley, por exemplo, passaram de +5,7% para 5%, enquanto o JPMorgan reduziu de +5,5% projetados anteriormente para 5%.
No geral, o mercado entende que a meta oficial do governo de um crescimento de 5% neste ano pode não se concretizar, uma vez que a atividade econômica do país continua exibindo dificuldades para se recuperar. Com este panorama, o mercado pode ficar mais avesso ao risco e, portanto, contribuir para pressionar as commodities.
Mais uma vez, os grãos apresentaram um movimento de alta no pregão noturno. Na sessão noturna desta terça-feira (dia 18), a soja recebeu novamente impulso das tensões no Mar Negro. Vale lembrar que, por mais que a região não tenha uma participação tão expressiva no mercado de soja, a Ucrânia é um importante exportador de óleo e farelo de girassol, afetando as oleaginosas como um todo.
Mesmo com o USDA indicando ontem (dia 17) uma melhora nas condições da safra norte-americana, com um aumento das lavouras em condição boa/excelente para 55%, 4 pontos a mais que uma semana antes e 2 pontos acima do esperado pelo mercado, a preocupação com o clima nas próximas semanas prevaleceu.
Ontem, a NOPA relatou que os EUA esmagaram 4,49 milhões de toneladas de soja em junho. Por mais que o volume tenha ficado abaixo da média das estimativas do mercado (4,64 milhões de toneladas), a quantidade observada pode ser considerada elevada, visto que ficou em linha com o observado no último ano e cerca de 300 mil toneladas acima da média dos últimos 5 anos. Entende-se que o mercado estava excessivamente otimista com o esmagamento e não levou em conta totalmente os cronogramas de manutenção. Contudo, as margens de esmagamento seguem atrativas no país e a tendência é que os EUA continuem registrando elevados volumes esmagados.
Sobre o óleo de soja, a NOPA indicou que os estoques ficaram em 766,6 mil toneladas, contra 801,5 mil toneladas em junho de 2022 e média das estimativas do mercado de 823,7 mil toneladas, indicando um uso de óleo de soja acima do previsto.
Mesmo com a expiração do acordo de exportação de grãos, os futuros do milho encerraram a sessão de segunda-feira em baixa. Contudo, voltaram a se valorizar no pregão noturno desta terça-feira (dia 18).
O USDA indicou ontem um novo avanço das lavouras em condição boa/excelente, para 57%, 2 pontos acima do observado uma semana antes e em linha com o esperado pelo mercado. Contudo, assim como no caso da soja, os agentes seguem preocupados com as condições climáticas, visto que os modelos apontam para um padrão mais seco nas próximas semanas, que serão cruciais para a definição do rendimento do cereal.
Além disso, não se pode deixar de falar da situação no Mar Negro. Por mais que os agentes já esperassem a retirada da Rússia, os ataques a portos ucranianos horas após o término oficial do acordo movimentou bastante o mercado na sessão noturna.
Como comentado, a retirada oficial da Rússia do Acordo movimentou bastante o mercado. Com a garantia de segurança dos navios revogada, seguradoras estão considerando se retirar da região, o que reduziria a disponibilidade de navios que transportam grãos da Ucrânia. Poucas horas após a finalização do acordo foram registrados ataques nas cidades portuárias de Odessa e Mykolaiv. Não houve registro de vítimas, mas infraestruturas portuárias foram atingidas. Com isso, trigo e milho, os dois produtos agrícolas mais exportados sob a vigência da iniciativa, devem ser os mercados mais afetados.
O USDA relatou que as lavouras do trigo HRS classificadas como boa/excelentes avançaram para 51%, 4 pontos a mais que uma semana antes e que o esperado pelo mercado. Já a colheita do trigo de inverno avançou 10 pontos no comparativo semanal, para 56%, um ponto a menos que o esperado pelo mercado.









