Campinas, 03 de outubro – A segunda-feira (dia 02) foi de maior aversão ao risco no mercado acionário e os futuros em Nova York sinalizam que a abertura hoje será no campo negativo.
Mesmo com o otimismo ao se conseguir evitar/adiar um shutdown do governo norte-americano, o mercado acompanha os próximos passos do Fed no combate à inflação no país. O presidente da instituição, Jerome Powell, afirmou que o foco continua sendo alcançar a estabilidade de preços. Outros membros do Fed defendem até níveis mais altos dos juros e o mercado já considera que as taxas podem ficar elevadas por um período prolongado, em meio a dados mais aquecidos da economia norte-americana. Destaca-se o avanço dos rendimentos dos Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA). O título com vencimento em 10 anos atingiu seu nível mais elevado desde 2007.
Na Ásia, os índices das bolsas de Tóquio e de Hong Kong encerraram esta terça-feira (dia 03) em baixa, enquanto as bolsas da China e da Coreia do Sul permanecem fechadas, devido ao feriado.
No Japão, as perspectivas de manutenção dos juros mais elevados para controle da inflação pesaram sobre o humor dos investidores. Já em Hong Kong, as ações do setor imobiliário influenciaram as negociações.
As principais bolsas europeias também operam em baixa nesta terça-feira (dia 03), em meio a um clima mais pessimista. Alguns dados do bloco têm demonstrado uma economia menos aquecida, o que poderia levar o Banco Central a avaliar cortes nos juros. Entre os setores negociados, o destaque de queda no dia foram as ações do segmento de mineração.
No Brasil, a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), do IBGE, apontou um crescimento de 0,4% em agosto. Contudo, mesmo com o resultado positivo, o desempenho industrial tem sido fraco nesse ano e ainda está abaixo do patamar pré-pandemia.
A soja em Chicago continuou em baixa no pregão noturno desta terça-feira (03), dando continuidade ao movimento dos últimos dias, com as cotações caindo ao menor nível em três meses.
Além do período de colheita nos EUA, que aumenta a disponibilidade da oleaginosa, o dólar fortalecido ao redor do mundo prejudica a competitividade do grão norte-americano, num momento em que a soja brasileira continua sendo escoada para o mercado externo.
O acompanhamento do USDA, divulgado na tarde de ontem, indicou que 23% das lavouras de soja dos EUA estavam colhidas até o último domingo (dia 01), percentual acima da média de cinco anos, em 22%, mas pouco abaixo do que o mercado esperava.
No Brasil, a StoneX atualizou sua estimativa para safra 2023/24, com a produção de soja subindo para 164,1 milhões de toneladas, devido novos aumento esperados para a área plantada. Com a influência do El Niño, as preocupações com a possibilidade de um clima mais seco em regiões do MATOPIBA têm levado os produtores a “escolher” plantar mais soja em detrimento do milho verão.
Nos EUA, a estimativa para a safra 2023/24 da StoneX elevou a produção de soja esperada para 113,63 milhões de toneladas, acima do último número do USDA, em 112,84 milhões.
O milho também terminou o pregão noturno desta terça-feira (dia 03) em queda, sob influência da colheita nos EUA e com o dólar mais fortalecido.
O USDA indicou que 23% da colheita do cereal nos EUA estava completa até domingo (dia 01), 2 p.p. acima da média de cinco anos.
A StoneX também atualizou sua estimativa para a safra norte-americana 2023/24, indicando um leve aumento na produtividade média nacional, que subiu para 11,02 toneladas por hectare, com a produção avançando para 386,15 milhões de toneladas, contra o último número do USDA em 384,4 milhões.
Já o trigo deu continuidade ao movimento de alta na sessão noturna desta terça-feira (dia 03) em Chicago, ainda se recuperando da forte baixa na última sexta-feira (dia 29).
O plantio da safra nova de inverno dos EUA alcançou 40% do total no domingo (dia 03) de acordo com o USDA, um pouco atrasado em relação à média, devido à ocorrência de precipitações na região produtora. Contudo essas chuvas têm sido benéficas para a germinação e desenvolvimento inicial das lavouras.
Na Ucrânia, as exportações de grãos em setembro caíram 10% em comparação a agosto, ficando em 2,1 milhões de toneladas, devido às dificuldades logísticas e aos ataques a instalações graneleiras pela Rússia. Há expectativas de que os embarques voltem a aumentar, utilizando-se o corredor marítimo temporário, sem participação russa.









