Os temores em relação aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio condicionam um dia de cautela nos mercados financeiros, repetindo a situação observada ontem, em meio à escalada do conflito, após o bombardeio de um hospital na faixa de Gaza.
As preocupações com o possível envolvimento de outros países aumentaram, trazendo temores quanto a impactos econômicos ao redor do mundo, num momento em que as taxas de juros já estão mais elevadas com objetivo de combater a inflação.
Além disso, membros do Fed adotaram um tom mais cauteloso em seus discursos, indicando que o processo de desinflação da economia dos EUA pode ser mais longo, destacando que os preços continuam em trajetória ascendente. Hoje (dia 19), o presidente do Fed, Jerome Powell, participará de um evento e seu pronunciamento é muito aguardado.
Diante desse cenário, as principais bolsas asiáticas fecharam em baixa significativa, de mais de 1%. Destaca-se que o rendimento dos títulos do governo japonês de 10 anos subiu 3,5 pontos base, atingindo 0,84%, seu maior nível desde julho de 2013.
O mesmo cenário é observado na Europa, com os principais índices acionários da região em baixa, diante das preocupações com a guerra, com a alta dos rendimentos dos Treasuries nos EUA, além de alguns balanços de empresas aquém do esperado.
Aqui no Brasil, o Ibovespa começou o dia oscilando em torno da estabilidade, no aguardo da fala de Jerome Powell, às 13h (horário de Brasília).
Os futuros em Nova York também operavam em queda, no aguardo do dado de novos pedidos de auxílio desemprego nos EUA, que ficaram abaixo do esperado, em 198 mil, quando se apostava em 212 mil.
As cotações da soja em Chicago terminaram o pregão noturno desta quinta-feira (dia 19) em torno da estabilidade, após terem alcançado o maior valor em três semanas ontem, num movimento de realização de lucros.
As perspectivas são positivas para consumo interno nos EUA e há preocupações com o balanço de oferta e demanda dos EUA. Além disso, o clima no Brasil é central não somente para a safra que está sendo plantada, mas para a logística do Arco Norte, com a seca na região podendo afetar a dinâmica exportadora.
Por outro lado, a colheita nos EUA continua sendo um período de pressão sobre os preços.
As vendas de exportação do país alcançaram 1371,9 mil toneladas na semana encerrada em 12/10, volume dentro das estimativas do mercado, entre 950 mil e 1,63 milhão de toneladas. Destaca-se que os embarques ficaram perto de 2 milhões de toneladas no período.
No caso do milho, o avanço da colheita dos EUA e as perspectivas de uma safra ainda robusta, mesmo com as perdas de produtividade no ciclo 2023/24, pesaram sobre os preços. Além de estimativas de um balanço mais folgado nos EUA, como o país é o maior produtor mundial do cereal, a oferta global também é reforçada.
As vendas de exportação da safra 2023/24 dos EUA alcançaram 881,3 mil toneladas na semana encerrada em 12/10, dentro do intervalo das estimativas, que iam de 500 mil a 1,1 milhão de toneladas.
O trigo também recuou no pregão noturno desta quinta-feira (dia 19), com a disponibilidade e competitividade do cereal russo continuando a limitar possíveis ganhos.
A China tem dado sinais de buscar sua demanda internacional cada vez mais na Rússia, aproveitando o cenário de oferta do país.
Por outro lado, destaca-se que a baixa foi limitada pela oferta mais restrita do cereal na Índia. Para incentivar o crescimento de área na próxima safra, o governo indiano concordou em aumentar os preços pagos a produtores locais no país.









