A última sessão da semana nos mercados financeiros internacionais continuou sendo afetada pela maior aversão ao risco, diante do andamento do conflito no Oriente Médio e das expectativas quanto à condução da política monetária nos EUA.
Apesar de as negociações para o corredor humanitário entre Gaza e o Egito mostrarem avanços, há preocupações com o acirramento da guerra e o envolvimento de outros agentes, escalando o conflito. Ademais, Israel sinalizou que as tropas devem ser preparar para uma invasão por terra e que o comando para tal medida será dado.
Já em relação os juros nos EUA, em seu discurso ontem, o presidente do Fed afirmou que a inflação no país ainda estaria “alta demais”, indicando a necessidade de se continuar com a política mais contracionista que vem sendo adotada. Além disso, afirmou que é preciso acompanhar os dados para entender que a inflação está desacelerando de forma sustentada.
Com isso, mais uma vez as principais bolsas da Ásia encerraram esta sexta-feira (dia 20) em queda expressiva, terminando a semana também em baixa considerável. Em Tóquio, destaca-se que o Nikkei foi muito afetado pelo recuo dos setores de baterias e transportes.
Na Europa a tendência também é de queda nesta sexta-feira (dia 20), atingindo os menores níveis em cerca de sete meses. Destaque para o recuo dos papéis do setor de mineração, seguido pelo seguimento de viagens e lazer.
O Ibovespa começou o dia em queda, assim como os futuros em Nova York.
As cotações da soja em Chicago terminaram o pregão noturno desta sexta-feira (dia 20) em baixa, diante da pressão da colheita norte-americana, mas caminham para encerrar a segunda semana consecutiva com ganhos.
Além de o balanço norte-americano estar mais restrito, há preocupação com o clima no Brasil em relação à logística, em meio à seca severa que afeta os rios da região Norte.
Os portos do Arco Norte ganharam muita participação nos embarques brasileiros nos últimos anos e, em 2023, já havia preocupação com a capacidade de escoamento das safras recordes de soja e milho.
Mesmo assim, a “preferência” chinesa pela soja brasileira, após a colheita recorde deste ano tem pesado sobre os preços em Chicago, pois usualmente, nos últimos meses do ano, é a oleaginosa norte-americana que ganha protagonismo no mercado exportador.
O milho oscilou em torno da estabilidade no pregão noturno.
Apesar do período de colheita e das perspectivas de uma safra robusta nos EUA, as preocupações com as questões logísticas aqui no Brasil ofereceram algum suporte.
Os preços do trigo subiram na última sessão noturna da semana, diante de preocupações pelo lado da oferta.
A Bolsa de Buenos Aires indicou que 47% da safra argentina de trigo está com condições ruins, um aumento de 5 p.p. no comparativo semanal. Além disso, há preocupações com impactos climáticos adversos em outras regiões, como na Ucrânia.
Mesmo assim, a disponibilidade e competitividade do trigo russo continua pesando sobre os preços do cereal e limitando os ganhos.







