Na quarta-feira (dia 01), nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) manteve as taxas de juros no nível mais elevado em 22 anos pela segunda reunião consecutiva. Desta forma, a faixa-alvo da política monetária permanece entre 5,25% e 5,5% a.a. O Comitê Federal de Mercado Aberto do Banco Central estadunidense anunciou, após a reunião, que o aperto das condições financeiras e de crédito para as famílias e empresas poderá afetar a atividade econômica e o emprego, sinalizando que a campanha de endurecimento contra o aumento do nível de preços pode ceder se a taxa de inflação for estabilizada nos próximos meses.
Aqui no Brasil, a reunião do Copom do Banco Central também foi de encontro às expectativas do mercado e trouxe mais um corte de 0,5 p.p. para a Selic, agora em 12,25% a.a. Além disso, a autoridade monetária sinalizou que deve continuar promovendo reduções de 0,5 p.p. nas reuniões futuras, mas ainda manteve um tom cauteloso, destacando os ricos associados aos juros em patamares elevados nos EUA e aos conflitos geopolíticos ao redor do mundo.
Os mercados asiáticos encerraram o último pregão da semana em alta, em dia de feriado no Japão, com um clima mais otimista após o tom mais brando no comunicado pós reunião do Fed.
Na Europa, os principais índices acionários também operavam em alta nesta sexta-feira (dia 03), após balanços corporativos positivos e também reagindo ao resultado da reunião do Fed. Destaca-se que o Banco da Inglaterra manteve os juros inalterados pela segunda reunião consecutiva.
No Brasil, o Ibovespa Futuro também começou o dia no campo positivo, em reação às decisões de política monetária nos EUA e no Brasil.
Nos EUA, os futuros em Nova York registravam um comportamento misto, em decorrência da temporada de divulgação de balanços de empresas e no aguardo de dados do mercado de trabalho norte-americano.
O número de vagas de emprego criadas nos EUA em outubro ficou em 150 mil, abaixo das 180 mil esperadas. Além disso, a taxa de desemprego subiu de 3,8% para 3,9%. Após a divulgação, uma tendência de alta passou a predominar para os índices acionários do país.
As cotações da soja encerraram a sessão noturna desta sexta-feira (dia 03) com ganhos, caminhando para o quarto aumento semanal consecutivo dos contratos futuros em Chicago. A alta foi condicionada pela expectativa do aumento da demanda chinesa e frente às incertezas climáticas que poderiam afetar a produção brasileira, responsável pela maior exportação mundial da oleaginosa.
O otimismo gerado pelo encontro entre representantes da indústria agrícola norte-americana e chinesa em Pequim na quinta-feira (dia 02) alimentou as expectativas de que as exportações da oleaginosa possam atingir um máximo histórico no quarto trimestre de 2023.
O milho terminou o pregão noturno de hoje no campo positivo, em meio a preocupações com a oferta do cereal ao redor do mundo, com a questões geopolíticas no Oriente Médio e na Ucrânia
No Brasil, o clima continua sendo acompanhado de perto, destacando que os atrasos na safra de soja podem impactar a janela de plantio da safrinha, com reflexos sobre a oferta no próximo ano e sobre as futuras exportações brasileiras.
Por outro lado, o período de colheita nos EUA e as chuvas na Argentina limitaram os ganhos.
As cotações do trigo em Chicago terminaram a sessão noturna desta quarta-feira (dia 01) em alta, respondendo a fatores relacionados a uma possível diminuição da oferta. Na Argentina se espera uma redução da colheita por condições climáticas adversas. A Bolsa de Grãos de Buenos Aires reduziu ontem a sua estimativa de produção argentina de trigo para 2023/24, de 16,2 para 15,4 milhões de toneladas.
Por outro lado, os conflitos no Mar Negro ainda geram receios quanto ao escoamento do cereal, porém as exportações de grãos da Ucrânia aumentaram no último mês devido ao novo corredor de exportação.
Finalmente, outro fator altista é a importante posição líquida vendida em trigo dos fundos na CBOT, o que abriu espaço para o fluxo de compras na quinta-feira (dia 02).







