As bolsas nos EUA começaram 2024 em baixa (dia 02), puxadas pelo setor tecnológico. Sem conseguir sustentar os recordes com os quais finalizaram o ano anterior, o mercado acionário apresentou menor apetite ao risco na primeira jornada do ano. Na mesma tendência, os índices futuros das ações continuam apresentando queda hoje (dia 03). Desta forma, são aguardadas para o meio-dia as publicações da ata da última reunião do FOMC (Comitê de Política Monetária do Federal Reserve) e do PMI Industrial (Índice de Atividade), que trarão informações acerca de trajetória econômica no país, e poderão sinalizar o que esperar para os primeiros meses do ano.
As ações na Europa acompanharam o movimento estadunidense e caíram igualmente, porém, com outros setores liderando as perdas. O setor de recursos básicos foi o mais atingido, refletindo a fraqueza da maioria dos metais, além dos setores de construção e de serviços financeiros.
Na região da Ásia-Pacífico, a notícia da queda das tecnológicas em Wall Street afetou todas as bolsas, principalmente o setor ligado à fabricação de chips. Uma questão comentada no mercado, é o quanto as ações estadunidenses do setor mencionado conseguirão resistir à competição das empresas tecnológicas chinesas, principalmente após as medidas do governo chinês contra dispositivos fabricados no estrangeiro. Numa recente onda de intensificação das tensões comerciais com os EUA, a China criou uma regra nova que permite a comercialização apenas de produtos fabricados em território chinês.
Também em baixa, o Ibovespa começou o 2024 sem conseguir sustentar o recorde do final de 2023. No primeiro pregão do ano (dia 02), a desvalorização foi de 1,11%. Contribuíram para a queda os setores de minérios, varejo, financeiro e aéreo. A exceção foi a Petrobrás, que fechou no positivo, apesar da queda no preço do petróleo internacional. Hoje (dia 03) o índice futuro do IBOV também se encontra com sinal negativo. Na agenda local, o ano começa com atritos entre o Governo e Congresso em relação a desoneração da folha de pagamentos, sendo o principal desafio para a política fiscal encontrar os mecanismos para cumprir com o déficit zero previsto.
Os preços do grão e do farelo da soja fecharam mistos no começo do ano, enquanto o óleo apresentou leve alta.
Ontem (dia 02) a StoneX Brasil atualizou a sua projeção para a safra 2023/24, indicando 152,8 milhões de toneladas, o que significa uma queda de 5,6% em relação ao último relatório publicado. Com esta nova estimativa, a produção ficará menor a safra passada e não configurará um novo recorde.
Já o milho fechou em alta no pregão noturno de hoje (dia 03).
A StoneX Brasil também reduziu a sua estimativa para a produção de milho, para 25,81 milhões de toneladas na primeira safra 2023/24, representando um recuo de 2,4% quando comparado ao relatório de dezembro passado. A baixa na produtividade nos estados de Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará influenciaram nos resultados após irregularidades nas chuvas na região Norte/Nordeste.
Os preços do trigo também fecharam mistos nesse começo de 2024.
Apesar de uma intensificação nos conflitos no Mar Negro entre a Rússia e a Ucrânia, a ampla oferta do grão russo manteve o mercado do trigo sem maiores preocupações.
Uma incógnita é o mercado argentino, que apesar de indicar uma recuperação na produção, ainda existem dúvidas sobre os níveis de exportações que poderão acontecer, dado que alguns setores do Congresso indicaram que poderiam vetar as medidas anunciadas pelo novo governo.









