Sem direção única, os mercados operam mistos nos EUA nesta terça-feira (dia 06). Ontem, os principais índices fecharam em queda, após um redirecionamento dos capitais para compra de Treasuries (títulos de dívida emitidos pelo Tesouro estadunidense). Desta forma, investidores buscam uma renda segura diante da incerteza em relação ao momento em que o Federal Reserve (Fed) começará a redução das taxas de juros.
Na Europa, as bolsas apresentam resultados positivos, com exceção somente para o índice DAX alemão. Enquanto na Alemanha ainda repercute a queda no setor automobilístico, as ações de petróleo e gás tiveram destaque nas subidas, lideradas pelos ganhos de uma importante companhia britânica.
Invertendo a tendência observada nos últimos dias, as bolsas em China e Hong Kong subiram, enquanto o restante da região da Ásia-Pacífico fechou em baixa. Após vários dias de perdas, o governo chinês resolveu intervir para evitar que os seus mercados continuassem caindo. Além de novos anúncios que devem ser realizados em relação à regulação nos mercados de valores, conversas diretas com fundos de investimentos foram realizadas. A pesar disto, o sentimento do mercado é que, enquanto houver preocupações sobre os fundamentos para o crescimento chinês no longo prazo, estes estímulos podem gerar impactos somente no curto prazo.
Já no Brasil, o índice futuro do Ibovespa começou o dia em alta, repetindo os bons resultados alcançados no fechamento de ontem. Os resultados positivos vieram com o impulso de grandes bancos, cujos balanços mostraram lucros acima do esperado. Publicado hoje, o Relatório Focus do Banco Central não sofreu modificações, mostrando que os agentes consultados mantêm ancoradas as suas expectativas, até o momento. Para 2024, se espera uma inflação de 3,81%, uma taxa Selic (de juros) de 9%, um crescimento econômico (PIB) de 1,60%, e que a taxa de câmbio feche o ano em R$ 4,92.
O último pregão noturno (dia 06) foi de recuperação para o complexo da soja, que fechou com ganhos.
Em um mercado oscilante, os ajustes nas projeções para a safra na América do Sul serão relevantes nas próximas semanas.
No Brasil, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita da safra 2023/24 atingiu 14% da área plantada. O Mato Grosso é o estado mais adiantado, com 30,8% da área colhida. Em sentido contrário, estados como o Rio Grande do Sul e o Piauí, por iniciarem o plantio mais tardiamente, ainda não iniciaram a retirada da oleaginosa.
Os preços do milho também se recuperaram.
Assim como no caso da soja, o mercado também segue de perto o andamento das plantações do milho safrinha sul-americano, cujo andamento será importante para indicar o nível de oferta.
Como prévia das estatísticas semanais de exportações que são publicadas na quinta-feira pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), as informações sobre inspeções de grãos para envios no exterior, mostraram uma nova redução. Até o primeiro dia de fevereiro, foram inspecionadas 624 mil toneladas de milho, abaixo das 926 mil toneladas da semana anterior.
Com resultados mistos, os preços do trigo frearam as quedas de ontem.
Na Argentina, o decorrer da colheita de trigo indica que poderiam se esperar 400 mil toneladas além do projetado pelo USDA, sendo assim a oferta argentina de 15,4 milhões de toneladas. Os rendimentos acima do esperado são atribuídos às condições meteorológicas favoráveis, que continuariam nos próximos meses.
Por sua vez, a Austrália informou que foram exportadas 1,4 milhões de toneladas de trigo em dezembro passado. Os três principais destinos foram China (18%), Filipinas (15%) e Indonésia (12%).









