Nos Estados Unidos, os principais índices com operações em Nova York recuam na manhã desta terça-feira, 18 de março. Investidores aguardam pela conversa telefônica entre os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin, programada para esta tarde e que deve abordar um cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia. Embora as conversas ainda estejam em estágios iniciais, os esforços americanos para encerrar o conflito de três anos no leste europeu melhora as perspectivas para riscos geopolíticos na região, o que tende a favorecer o apetite global por ativos arriscados e beneficiar moedas de países emergentes, como o real.
Entre os mercados asiáticos, as bolsas avançavam de forma generalizada na ao longo do dia por lá. Na Europa, os mercados também operam no campo positivo, onde investidores devem acompanhar a votação a ser realizada hoje na câmara baixa do Parlamento da Alemanha (Bundestag), que pode viabilizar uma “mudança radical” nas regras fiscais do país, possibilitando a emissão de € 500 bilhões em títulos de dívida pública para investir em infraestrutura e expandir as forças armadas alemãs. Com a possível aprovação na votação de hoje, e se aprovada também na câmara alta do Parlamento (Bundesrat) na sexta-feira (21), a expectativa é de que o expressivo aumento de empréstimos impulsione a maior economia da Europa e estimule o crescimento em toda a região, contribuindo para mitigar as recentes tensões comerciais com seu principal parceiro, os Estados Unidos. Nesse contexto, o evento pode fortalecer o câmbio do real de duas maneiras distintas: ao colaborar para o enfraquecimento do dólar, elevando indiretamente o valor da moeda brasileira em relação à norte-americana; e ao propiciar um ambiente de menor aversão ao risco entre investidores globais, o que tende a favorecer sobretudo as moedas de países emergentes, consideradas mais arriscadas, como o real.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia o dia com algumas perdas. Nesta manhã, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, deve enviar ao Congresso o projeto de lei que busca ampliar a isenção do Imposto de Renda no Brasil para rendimentos de até R$ 5 mil mensais, o que resultará em perdas de arrecadação federal estimadas em R$ 27 bilhões. Para compensar essa renúncia fiscal, o governo deve propor um imposto mínimo efetivo sobre rendimentos mensais maiores que R$ 50 mil e a taxação de remessas de lucros, juros e dividendos remetidos ao exterior. Contudo, investidores temem que o projeto de lei possa sofrer modificações durante seu trâmite no Legislativo, resultando em um efeito negativo para as contas públicas. Adicionalmente, mesmo que a proposta seja aprovada em termos neutros de impactos para a arrecadação federal, ela não deve ser neutra em termos de impactos para a demanda, pois aumenta a renda disponível da parcela da população com maior propensão ao consumo, que são as famílias com rendimentos mensais de até R$ 5 mil. Isto por sua vez, pode agravar as expectativas inflacionárias para o Brasil e contribuir para a maior exigência de prêmios de risco, prejudicando o desempenho do real. Para acompanhar com mais detalhes os temas que movimentam os mercados internacionais nesta manhã, acesse a Abertura de Câmbio.
Os futuros da soja se mantiveram próximas da estabilidade na última sessão, iniciando essa terça-feira, 18 de março. Observa-se um tipo de contenção no mercado da soja, devido ao menor volume de processamento de soja dos Estados Unidos dos últimos cinco meses, contabilizado em fevereiro. Além disso, a colheita de uma safra recorde no Brasil tem limitado os ganhos para a oleaginosa.
No mercado do milho, os preços futuros apresentaram alguns recuos curtos, à medida que o mercado avalia a demanda por exportação de países da América do Sul, como Brasil e Argentina, que colheram recentemente suas safras de verão.
Os preços futuros do trigo seguem em alta, por mais uma sessão consecutiva, aproximando-se das máximas de duas semanas. No momento, o foco dos investidores se concentra na ligação entre Donald Trump e Vladmir Putin, agendada para acontecer na tarde desta terça-feira, 18 de março.
No telefonema, Trump e Putin discutiram as perspectivas de um cessar-fogo para o conflito entre Rússia e Ucrânia. Além disso, preocupações sobre as condições de safra dos EUA seguem como fatores de sustentação dos preços futuros do cereal.








