Nos Estados Unidos, os principais índices com operações em Nova York iniciam a quarta-feira, 26 de março, sem direção única. A taxa de câmbio do real operava em leve alta nas primeiras operações desta quarta-feira, quando era cotada ao redor de R$ 5,72 (09h50min), em um dia marcado por uma agenda econômica pouco movimentada. Assim, os investidores permanecem em compasso de espera por possíveis notícias sobre a política tarifária dos Estados Unidos, ainda envolta em incertezas quanto à direção que será tomada pela equipe econômica do presidente Donald Trump. Ontem, Trump declarou que as medidas a serem anunciadas em 2 de abril já foram definidas. Contudo, apesar de ter afirmado inicialmente que essas tarifas seriam impostas a todos os parceiros comerciais dos EUA, o presidente afirmou, na segunda-feira (24), que “pode dar uma folga a vários países”. Ainda na segunda-feira, Trump assinou um decreto impondo tarifas de 25% sobre qualquer país que adquirir petróleo ou gás da Venezuela a partir de 2 de abril. O cenário de inconsistência e imprevisibilidade na política comercial do novo governo tem gerado apreensão entre os investidores, em especial no que se refere ao risco de aumento inflacionário e de desaceleração econômica nos EUA. Ontem, por exemplo, o índice de confiança do consumidor norte-americano, medido pela Conference Board, alcançou seu menor patamar desde fevereiro de 2021, com entrevistados apontando a preocupação com a economia como principal motivo de pessimismo. Nesse contexto, a elevada incerteza no ambiente de negócios americano tende a favorecer ativos considerados “portos seguros”, como ouro, franco suíço e iene japonês, o que, por consequência, tende a prejudicar o desempenho do real.
Na região da Ásia e Pacífico, os mercados encerraram o dia em sua maioria com ganhos. Entre os mercados europeus, a tendência é contrária, com a maior parte das bolsas obtendo desvalorizações nesta manhã, refletindo a instabilidade dos mercados. No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia a quarta-feira, com valorização dos seus ativos.
No mercado da soja, os futuros avançam na manhã desta quarta-feira, 26 de março, apesar das incertezas relacionadas às tarifas dos Estados Unidos, com potencial de redução das exportações agrícolas do país. Além disso, a competitividade exercida por grandes países exportadores, como Brasil e Argentina, que têm colhido uma grande safra, devem continuar pesando sobre os futuros da oleaginosa nos Estados Unidos.
Os agentes devem estar atentos ao relatório de estoques e área de plantio, previsto para ser divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), na próxima segunda-feira, 31 de março.
Os futuros do milho, por sua vez, seguem as tendências observadas no mercado da soja, por motivos semelhantes. A incerteza sobre os efeitos das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos contra importantes parceiros comerciais, e as possíveis medidas retaliatórias que podem gerar, tem causado instabilidade nos futuros do grão, mas não impediram que seus contratos futuros em Chicago alcançassem alguns ganhos curtos nesta manhã.
Na Bolsa de Valores Brasileira (B3), o milho encerrou a terça-feira, 25 de março, em baixa, encaminhando-se para um clima de consolidação da safra de verão no país. Segundo dados da Conab, 48% do milho primeira safra está concluída, acima da média do ano anterior para o período. Com relação ao milho safrinha, o plantio está atrasado em relação do ano anterior, mas adiantado em relação à média dos últimos 5 anos.
Os preços futuros do trigo se recuperavam levemente, em seções anteriores em Chicago. Os investidores estão atentos às atualizações nas negociações de paz no conflito entre Rússia e Ucrânia. Há exigências de ambos os lados, mas a Rússia, especificamente, disse que uma série de condições devem ser atendidas antes que um acordo de segurança na região possa ser ativado, colocando em xeque as exportações da região.
As circunstâncias indicam que, caso se verificasse a interrupção dos ataques no mar e na estrutura energética do país, associados ao clima favorável na região do Mar Negro, isso deve continuar a pressionar os preços do cereal.








