Nos mercados mundiais, observa-se tendência de baixa generalizada nos Estados Unidos, Ásia e Europa. O cenário de negócios é de cautela e aversão a riscos enquanto investidores permanecem em compasso de espera por mais informações sobre as tarifas de importação prometidas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para esta quarta-feira (02). Nas últimas semanas, Trump afirmou que elevaria nesse dia os impostos sobre todas as importações de cobre, semicondutores, produtos farmacêuticos, madeira e produtos florestais, bem como adotaria “tarifas de reciprocidade” sobre outros países e encerraria a suspensão de tarifas sobre produtos do México e Canadá. Em comentários a jornalistas nesse domingo, Trump afirmou que aplicará sobretaxas a essencialmente todos os países, reduzindo a esperança de que o governo teria uma abordagem mais direcionada e seletiva em suas tarifas de importação. A incerteza sobre o anúncio desta quarta-feira e os receios de que esses impostos serão elevados de maneira abrangente por um período considerável eleva os temores de uma “estagflação” na economia americana, isto é, que o crescimento econômico se desacelerará significativamente enquanto as pressões inflacionárias também aumentarão. Este cenário favorece o desempenho de ativos considerados “portos seguros” para momentos de insegurança e estresse, como o ouro, o franco suíço e o iene japonês, o que tende a prejudicar o desempenho do real.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) segue a tendência observada nos demais mercados mundiais e inicia a segunda-feira, 31 de março, com perdas. O pregão deve apresentar maior volume de negócios e volatilidade dentro das janelas de horários utilizadas pelo BC para o cálculo da taxa Ptax de fim de mês, entre as 10h00min e as 13h10min. A taxa Ptax é uma referência divulgada diariamente pelo BC e seu valor de fim de mês é muito utilizado em contratos de câmbio e derivativos. Desta forma, os operadores do mercado intensificam suas operações durante estes intervalos, disputando a sua definição e dificultando a leitura sobre os movimentos do real no dia.
No mercado da soja, os preços futuros iniciam a segunda-feira, 31 de março, com ganhos, antes da publicação do relatório de estimativas de semeadura pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para o final do dia de hoje.
As expectativas nos analistas é de que haja uma redução nas semeaduras de soja nos Estados Unidos para o próximo ciclo de cultivo, o que motivou o movimento altista observado nesta manhã em Chicago.
Os preços futuros do milho vão em direção contrária aos da soja, nesta sessão. Seus contratos mais ativos na Bolsa de Chicago (CBOT) apresentam algumas quedas, antes do relatório de semeadura do USDA, que deve apontar para um aumento da área plantada de milho. Além disso, os comerciantes também se preocupam com os impactos negativos que o início da vigência das tarifas comerciais dos EUA possa trazer ao comércio agrícola internacional do país.
No Brasil, o Milho B3 se recupera um pouco nesta manhã, com o contrato de maio sendo cotado a R$77,65, com o mercado de olho na safrinha brasileira. Os agentes acompanham o clima em importantes regiões produtoras, como no Paraná, em que ainda são esperadas algumas chuvas para que os cultivos se desenvolvam de uma forma adequada.
No mercado do trigo, as cotações se assemelham ao que se observa para o milho nesta manhã. Assim como para o milho, especialistas esperam que haja um aumento na área plantada de trigo para a próxima safra, o que gerou certo sentimento baixista entre os investidores nesta manhã. No entanto, é necessário esperar os dados de hoje, para verificar se as expectativas são confirmadas ou não.







