Os mercados globais voltaram a recuar, em meio à escalada do conflito comercial. As bolsas apresentam quedas nos Estados Unidos, Ásia, União Europeia e também no Brasil. O foco dos investidores permanece nos desdobramentos do conflito comercial entre Estados Unidos e China, após a Casa Branca confirmar, na última terça-feira (08), a elevação das tarifas sobre produtos importados do país para 104% (50% adicionais em relação às previamente anunciadas). Nesta madrugada, o governo chinês anunciou uma resposta dura, impondo tarifas de 84% sobre bens norte-americanos, com vigência a partir de amanhã (10). Esses anúncios configuram uma escalada expressiva do conflito e intensificam o receio de que as barreiras comerciais impostas pelos EUA se prolonguem, mesmo diante de críticas de diversos setores da sociedade e, sobretudo, da resposta negativa dos mercados financeiros. Cabe ressaltar, a partir de hoje, entram em vigor as taxações adicionais sobre a lista de 57 países que foram enquadrados acima da tarifa mínima de 10%. Diante disso, os investidores devem acompanhar atentamente os novos desdobramentos, principalmente eventuais negociações que possam mitigar os efeitos tarifários por parte dos Estados Unidos. Por ora, persistem os temores de uma escalada global do conflito comercial, o que impulsiona o desempenho de ativos considerados “portos seguros” em cenários de incerteza e volatilidade, como o euro, o iene japonês e o franco suíço, enfraquecendo, por consequência, o real.
Adicionalmente, nesse contexto, investidores devem observar atentamente a divulgação da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), buscando indícios sobre como o banco central americano pode agir após a intensificação das barreiras comerciais pelo governo americano. Em comentários na sexta passada (04), o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que a imprevisibilidade do ambiente econômico se elevou e alertou para riscos maiores tanto de uma inflação mais persistente quanto de um crescimento mais fraco nos EUA. Esses riscos desafiam a condução da política monetária americana, visto que exigem medidas opostas para seu enfrentamento, ou seja, um banco central costuma aumentar seus juros para conter pressões inflacionárias enquanto costuma reduzir seus juros para estimular uma economia em desaceleração. Na prática, em suas próximas decisões, o Federal Reserve precisará avaliar qual dos riscos é maior ou mais urgente para decidir como proceder. Por um lado, o mercado de trabalho americano continua apresentando resiliência e dinamismo, com taxa de desemprego baixa para os padrões históricos, enquanto o país vem de um histórico recente de inflação persistente e generalizada, sem recuperar totalmente a estabilidade de preços. Por outro, investidores mostram-se bastante pessimistas e preocupados com a possibilidade de uma recessão econômica no país, aumentando suas apostas para quatro cortes de juros em 2025 após o anúncio de tarifas por Trump. Isto, por sua vez, reduz a rentabilidade esperada dos títulos americanos e tende a enfraquecer o dólar globalmente frente a outras moedas, como o real. Para acompanhar com mais detalhes as atualizações dos mercados nessa temática, acesse a Abertura de Câmbio.
Após movimento de vendas no início do dia, os contratos da soja encerraram o pregão noturno com ganhos, pela terceira sessão consecutiva. Após os Estados Unidos terem “retaliado as retaliações” da China em tarifas adicionais de 50%, chegando a 104%, o país asiático respondeu novamente na mesma medida, elevando as tarifas sobre as importações com origem americana de 34% para 84%, elevando as pressões sobre o mercado, pensando em uma redução na demanda pela soja estadunidense, que possui a China como principal compradora, comprando cerca de metade das exportações de soja dos EUA a cada ciclo comercial.
O milho, assim como a soja, também foi afetado – mas não nas mesmas proporções - pela guerra comercial travada desde que os Estados Unidos anunciaram duras tarifas contra a maior parte de seus parceiros comerciais, o que inclui mais de uma centena de países. Para o milho, no entanto, é necessário observar a movimentação do México, que é o principal importador de milho dos Estados Unidos, e pode ter seus fluxos comerciais alterados no caso de retaliações.
O milho negociado na B3 encerrou a terça-feira (08) em alta, tendo sido impulsionado pela valorização do dólar, o que torna o produto brasileiro mais competitivo no mercado internacional. Com isso, os preços do milho futuro se aproximaram dos preços do físico, reduzindo a diferença entre ambos. A elevação da competitividade do milho brasileiro atraiu o interesse dos exportadores, deslocando para esta função o milho que seria destinado ao abastecimento interno até que se inicia a colheira do safrinha.
Os contratos futuros do trigo iniciaram a manhã da quarta-feira (09) com alguns ganhos. O que tem sustentado os preços do cereal são as preocupações sobre as condições climáticas em importantes regiões produtoras do trigo de inverno para a nova safra que se inicia em breve, apesar das incertezas permanentes no mercado em meio à guerra comercial instaurada após a imposição de tarifas pelos Estados Unidos sobre os seus parceiros comerciais.





