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Os mercados estadunidenses voltam a apresentar baixas, após recuperação no dia anterior, com o adiamento das tarifas comerciais entre os Estados Unidos e a maior parte dos parceiros comerciais afetados inicialmente. Na Ásia e Europa os investidores apresentam otimismo um pouco maior, operando com ganhos nesta manhã. Na abertura dos mercados, investidores estendiam a tendência de menor aversão a ativos arriscados, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar ontem que pausaria a aplicação das sobretaxas adicionais por 90 dias, mantendo as tarifas de importação em 10% para sobre praticamente todas as economias por esse período. Adicionalmente, as tarifas sobre as importações de aço, alumínio e automóveis serão reduzidas de 25% para 10% nesse mesmo intervalo. Por outro lado, as tarifas sobre produtos chineses serão elevadas para 125% imediatamente. Como reflexo da "trégua" parcial anunciada pelos EUA, a União Europeia anunciou hoje que também irá suspender por 90 dias a aplicação de tarifas sobre 21 bilhões de euros em produtos dos EUA. O governo chinês, por sua vez, manteve postura firme ao confirmar a sobretaxa de 84 % sobre importações provenientes dos Estados Unidos, conforme declarado pelo porta‑voz do Ministério do Comércio, He Yongqian, que reiterou a disposição de Pequim em “ir até o fim” caso Washington persista com as taxações. Embora persista cautela quanto aos efeitos sistêmicos de um eventual agravamento das tensões comerciais entre Estados Unidos e China, o alívio proporcionado pela moderação tarifária anunciada por Trump, em especial a sinalização de recuo da União Europeia, favorecia a valorização de ativos arriscados, como ações, commodities e moedas de economias emergentes, como o real.
Adicionalmente, os participantes do mercado repercutem a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) referente a março, nos Estados Unidos, que revelou desaceleração de 0,1% no índice cheio, contrastando com a estimativa mediana de elevação de 0,1%. O indicador também ficou aquém das previsões em seu núcleo, que exclui os componentes voláteis de alimentação e energia, apresentando alta de 0,1%, abaixo do consenso de 0,3%. Embora o controle inflacionário seja um dos objetivos centrais do Federal Reserve, desacelerações abruptas como a observada podem intensificar a percepção de um arrefecimento econômico mais acentuado nos EUA. Nesse contexto, um eventual aumento do pessimismo entre investidores pode reverter o otimismo observado nas primeiras operações da sessão de hoje, estimulando a valorização de ativos considerados “porto-seguros”, tais como o iene japonês, o franco suíço e o euro, exercendo pressão adicional sobre as moedas de países emergentes, dentre elas o real. Para acompanhar as atualizações nos mercados mundiais no dia de hoje, acesse a Abertura de Câmbio.
Os contratos futuros da soja acumularam novos ganhos na manhã desta quinta-feira (10). A nova sessão de fortalecimentos no mercado de grãos ocorre após o anúncio do adiamento das tarifas que seriam aplicadas a alguns em 90 dias, pelo governo dos Estados Unidos. Os países poupados, por ora, são aqueles que buscavam algum tipo de negociação e que, portanto, não haviam anunciado medidas retaliatórias contra os Estados Unidos. Nesse sentido, as tarifas impostas sobre a China não foram retiradas, e acumulam 125%.
A reação imediata após o anúncio foi de uma onda de otimismo entre os mercados mundiais, no entanto, a agravada conjuntura do conflito comercial sino-americano ainda deve repercutir entre as bolsas pelos próximos dias.
No mercado do milho, os futuros ampliaram seus ganhos em Chicago, apoiados pela suspensão temporária das tarifas a uma série de países e também pelo enfraquecimento do dólar no cenário internacional, aliviando parte das preocupações que se tinha sobre o escoamento da safra sul-americana. A alta não foi tão agressiva como se observou para alguns outros produtos, pois ainda pairam os impasses entre China e Estados Unidos.
Na B3, o milho teve intensas oscilações na quarta-feira (09), encerrando o dia com baixas entre os principais contratos operados. A desvalorização do câmbio por um momento acabou sendo fator de impulsionador dos preços do milho. No entanto, na sequência as incertezas relacionadas à política tarifária estadunidense prejudicam a formação dos preços no mercado.
O trigo se comporta de forma um pouco semelhante ao milho, com a comercialização do cereal entre Estados Unidos e China não assumindo papel primário para ambas as commodities. Portanto, o adiamento das tarifas aos demais parceiros comerciais dos Estados Unidos trouxe alívio aos investidores do setor, que temiam que os impasses tarifários pudessem prejudicar o escoamento da safra de inverno, com previsão para começar a ser colhida nos próximos meses, nos países do hemisfério norte.





