Internacionalmente, os mercados aparentam um bom humor em suas negociações na manhã desta terça-feira (15). Nos Estados Unidos, os principais índices com operações em Wall Street não operam todos no mesmo sentido, nesta manhã, mas na Ásia e Europa, as bolsas operam todas com ganhos. A taxa de câmbio do real alternava entre perdas e ganhos nas primeiras operações desta terça-feira, quando era cotada ao redor de R$ 5,85 (R$ 09h50min), estendendo o movimento de recuperação de ativos arriscados iniciado na sessão de ontem que, por sua vez, é impulsionado pela percepção de maior flexibilidade da Casa Branca na aplicação de tarifas de importação após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar uma isenção temporária na “tarifa de reciprocidade” de 125% para produtos eletrônicos chineses (ainda incide a tarifa de 20% relacionada às queixas de contrabando de opioides) e comentar que ele “está considerando ajudar” algumas montadoras automotivas a ganhar tempo para se adaptar às tarifas aplicadas ao setor automotiva. Contudo, investidores mantém uma postura mais cautelosa em função da falta de clareza sobre o futuro das barreiras comerciais americanas. Se, por um lado, Trump ofereceu isenções temporárias a um conjunto amplo de tarifas nos últimos dias, por outro a Casa Branca afirmou que estuda a aplicação de um novo conjunto de sobretaxas, desta vez sobre as cadeias produtivas de semicondutores e de produtos farmacêuticos. Ainda que a sessão apresente maior apetite por riscos, o ambiente de incerteza elevada fragiliza esse movimento e o torna vulnerável a reversões mais rápidas.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia o dia com algumas perdas. Investidores domésticos aguardam pelo envio do projeto de diretrizes orçamentárias (PLDO) de 2026 pelo governo federal ao Congresso Nacional, o que, por lei, precisa ocorrer até hoje. Embora o governo já tenha afirmado que manterá a meta de superávit primário de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e reitere frequentemente seu compromisso com as metas fiscais estabelecidas, especialistas permanecem céticos quanto à possibilidade de seu cumprimento tanto pela tendência de desaceleração das receitas quanto pela percepção de resistência em reduzir os gastos públicos. Ainda que o cenário externo tenha sido preponderante nas negociações do real nas últimas semanas, qualquer sinal de dificuldades na condução da política fiscal pode resultar em elevação da percepção de riscos para ativos brasileiros e prejudicar o desempenho da moeda nacional. Para acompanhar os principais temas que devem movimentar os mercados neste dia, acesse a Abertura de Câmbio.
Após atingir os preços máximos das últimas sete semanas, a soja recuou um pouco, mas ainda assim encerrou o preção noturno na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT) no campo positivo.
A oleaginosa segue pressionada pelos sinais de queda sobre as importações do produto americano pela China, a maior compradora do país, devido à guerra comercial inflamada entre ambos os países. Com isso, as necessidades de importação da China provavelmente serão cobertas pelo Brasil. Ainda assim, negociantes esperam que as negociações entre os Estados Unidos e outros parceiros comerciais possam dar aos EUA a oportunidade de vender para novos mercados.
Os preços futuros do milho em Chicago se mantiveram próximos da estabilidade, ainda que tenham encerrado a sessão com alguns ganhos curtos. O câmbio estadunidense levemente desvalorizado ajudou a sustentar os preços dos produtos agrícolas nesta manhã, pois os tornam mais competitivos no mercado internacional.
Na B3, o que se observou na segunda-feira (14) foi um dia com trabalhos mais lentos, após semana marcada por fortes negociações. Com isso, os contratos do milho apresentaram fechamento em linha com o que se observou em Chicago, também devido ao enfraquecimento do dólar, que torna o produto brasileiro menos competitivo internacionalmente.
Os preços futuros do trigo, por sua vez, recuaram pelo segundo dia consecutivo, à medida que previsões de chuva para as regiões de cultivo do trigo de inverno nos Estados Unidos se consolidam e aliviam as preocupações dos produtores quanto ao rendimento desta safra. As previsões indicam chuvas para as planícies dos EUA, além de regiões de cultivo na França e Alemanha, o que deve auxiliar o desenvolvimento das plantas nestes locais.







