O ânimo dos mercados voltou a cair, conforme vai se verificando uma escalada das tensões comerciais. Com isso, os mercados acumulam perdas nos Estados Unidos, Ásia e Europa. No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) também opera com perdas. Nesta manhã, investidores reagem a uma nova rodada de intensificação da aversão global ao risco, inicialmente desencadeada após o governo dos Estados Unidos anunciar, ontem, a exigência de licenças específicas para exportações à China de um dos chips mais populares da Nvidia, o IA H20. A fabricante informou que, em consequência, poderá registrar perdas de até US$ 5,5 bilhões no trimestre que se encerra em 27 de abril. Ainda nesta manhã, a tensão comercial entre os dois países se intensificou após o site oficial da Casa Branca divulgar que a China pode enfrentar tarifas de até 245% como resultado de suas “ações retaliatórias”, em contraste com o patamar atual de 145%. Essas medidas somam-se ao cenário de rápidas transformações nas relações comerciais globais pelos EUA, gerando alta incerteza e imprevisibilidade sobre a trajetória da economia mundial, especialmente no que se refere ao crescimento dos Estados Unidos e da China. Nesse contexto, os investidores tendem a adotar uma postura de maior cautela, buscando ativos considerados “portos seguros”, como ouro, franco suíço, iene e euro, o que costuma enfraquecer as moedas de países emergentes, incluindo o real.
Diante desse ambiente, os participantes do mercado também se voltam para a divulgação de novos dados de atividade econômica nos EUA e para o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, avaliando possíveis reações da economia norte-americana em meio à imprevisibilidade da política comercial do país. Se as falas de Powell e dados subsequentes reforçarem a hipótese de riscos para a atividade econômica norte-americana, poderão crescer as apostas em novos cortes dos juros nos EUA, pressionando o dólar em âmbito global.
Por fim, o mercado repercute a divulgação, na madrugada de hoje, de uma série de indicadores econômicos da China. Entre eles, o mais relevante é o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2025, que apresentou crescimento de 5,4%, acima das expectativas de 5,1% do mercado, e um aumento de 1,2% em relação ao quarto trimestre de 2024. Para acompanhar com mais detalhes os temas que movimentam os mercados nesta manhã, acesse a Abertura de Câmbio.
Os preços futuros da soja iniciam a quarta-feira (16) com algumas perdas, distanciando-se ainda mais das máximas atingidas no início da semana, à medida que os investidores vão assimilando a formação das barreiras tarifárias, que devem limitar o comércio internacional dos Estados Unidos, especialmente por reprimirem a demanda chinesa. Mas conseguiram se recuperar, próximo do fechamento do mercado noturno, encerrando o dia com alguns ganhos.
A ampla oferta sul-americana que chega ao mercado também contribui para pressionar os preços futuros da oleaginosa em Chicago.
Os preços do milho também iniciaram a quarta-feira (16) em patamares um pouco reduzidos do que vinha sendo observado em sessões anteriores, apesar da tendência prolongada de enfraquecimento do dólar americano, o que tem contribuído para tornar as exportações dos Estados Unidos mais competitivas no mercado internacional. No entanto, de modo semelhante ao que se viu para a soja, os preços do milho também conseguiram se recuperar, apresentando fechamento positivo no encerramento da sessão.
Na B3, os preços do milho encerraram a terça-feira (15) com algumas perdas, com as negociações caminhando em ritmo mais lento com os agentes já entrando no clima do feriado.
No mercado do trigo, o movimento é semelhante ao observado para os mercados da soja e do milho, iniciando o pregão com algumas tendências baixistas, mas apresentando recuperação no decorrer da sessão e exibindo fechamento no campo positivo nesta manhã.
Ao que parece, o mercado já processou o impacto das chuvas que eram previstas para cair nas planícies produtivas nos Estados Unidos.





