Os mercados internacionais operam sem direções definidas na quinta-feira (17). Em dia de agenda fraca, o foco dos investidores deve voltar-se novamente para o exterior, refletindo uma melhora no sentimento de risco dos mercados globais após comentário do presidente americano, Donald Trump, de que tem avançado nas suas negociações tarifárias entre Estados Unidos e Japão. Sinais de uma postura mais amena de Trump com relação a seus parceiros comerciais tendem a ser bem recebidos pelos investidores, que permanecem em dúvida com relação sobretudo a qual deve ser o desfecho da “pausa” de 90 dias anunciada pela Casa Branca em suas tarifas de “reciprocidade”. Nesse sentido, ao mostrar que está aberto a negociações, aumentam as apostas de que as tarifas no país podem limitar-se a níveis abaixo do inicialmente anunciado pelo presidente. Diante de um possível desfecho menos danoso para o comércio internacional, portanto, ativos arriscados tendem a ser beneficiados, como commodities, ações e moedas de países emergentes, como o real. Donald Trump, além disso, aparece novamente nos noticiários nesta manhã após pressionar por reduções nas taxas de juros americanas. Esta não é a primeira vez que o presidente expõe seu descontentamento com a condução de política monetária do Federal Reserve (Fed), por vezes questionando inclusive a independência do órgão em relação ao governo federal. Essas críticas acontecem após discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, ontem, que alertou para os riscos de a inflação do país reacelerar por conta dos impactos das tarifas nos preços e frustrou a expectativa de investidores de que o banco central possa cortar juros para contrapor os efeitos negativos dessas tarifas. A perspectiva de juros mais altos por mais tempo nos Estados Unidos, por sua vez, contribui para o fortalecimento global do dólar e, portanto, tende a enfraquecer o real.
Por fim, nesta manhã, o Banco Central Europeu (BCE) reduziu sua taxa básica de juros pela sétima reunião consecutiva, passando de 2,50% a.a. para 2,25% a.a. A decisão se fundamenta na melhora nas projeções de inflação para a União Europeia, a desaceleração da atividade econômica e a recente intensificação dos riscos associados à escalada das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos. Para acompanhar com mais detalhes as atualizações nos mercados, acesse a Abertura de Câmbio.
Os preços futuros da soja apresentaram avanços na manhã desta quinta-feira (17), com o mercado repercutindo o anúncio de que a China estaria disposta a negociar a respeito das tarifas comerciais trocadas entre o país asiático e os Estados Unidos, medida que poderia trazer alívio ao comércio da soja estadunidense, retirada essa barreira que inviabiliza o comércio entre os Estados Unidos e o principal importados da soja do país americano.
Os preços do milho também apresentaram alguns ganhos ligeiros com o fechamento do mercado noturno em Chicago. Ainda assim, a tendência é que o milho acumule algumas perdas semanais, com o mercado encerrando a semana mais cedo devido ao feriado da Páscoa.
Na B3, os preços futuros do milho encerram a quarta-feira (17) em baixa, com os investidores assimilando o clima de redução na procura por exportações. Além disso, as previsões climáticas satisfatórias para o restante do mês são favoráveis ao cultivo do milho safrinha, o que retira parte do prêmio climático embutido em suas cotações.
Os preços futuros do trigo, cotados na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT), apresentam alguns ganhos à medida que a desvalorização relativa do dólar americano torna os preços do cereal mais competitivos internacionalmente.
As chuvas que atingem regiões produtivas, apesar de fornecerem algum alívio aos produtores, atuando como um fator baixista, também têm atuado como fator de sustentação dos preços, à medida que as chuvas interrompem o plantio das safras de primavera.





