Os mercados mundiais iniciam a terça-feira (29) com suas tendências de operações mistas entre as principais bolsas com atividades em Wall Street. Na Europa e Ásia, a tendência majoritária é de alta entre as bolsas com operações no dia de hoje. No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia o dia também com alguns ganhos. O que se observa é um compasso de espera entre os investidores pela divulgação de dados americanos e, principalmente, quais sinais eles podem apontar para impactos das medidas propostas pelo novo governo sobre o desempenho econômico do país. As estimativas para a Pesquisa de Abertura de Vagas e Turnovers (JOLTS) são de redução suave nas vagas em aberto em março, um mês que teve geração de empregos maior que o esperado, e podem detalhar se as expectativas pela aplicação de tarifas de importação em abril tiveram algum efeito sobre o mercado de trabalho do país. Adicionalmente, espera-se que o índice de confiança do consumidor americano medido pelo Conference Board aponte para um pessimismo mais elevado em abril, sugerindo que as famílias americanas podem reduzir seu consumo nos próximos meses ao evitar financiamentos e compras supérfluas. Por fim, a divulgação da balança comercial de março apontou para uma alta expressiva das importações, 5,0% maiores em relação a fevereiro, resultado de uma antecipação de compras internacionais por empresas americanas para compor estoques e evitar os possíveis custos adicionais das tarifas de importação previstas para abril.
Paralelamente, investidores seguem atentos a possíveis novidades relacionadas à condução da política comercial dos Estados Unidos, com destaque ao noticiado, na véspera, de que a equipe econômica do presidente Donald Trump estaria avaliando medidas para atenuar os efeitos adversos das tarifas sobre a indústria automobilística. Entre essas medidas, incluem-se alterações nas regras referentes a peças utilizadas em automóveis norte-americanos produzidos no exterior, bem como mudanças na aplicação cumulativa de tarifas sobre veículos fabricados fora do país. Além disso, as montadoras deixariam de ser responsáveis pelo pagamento de tarifas adicionais sobre alumínio e aço. Caso confirmadas, tais flexibilizações podem ser interpretadas pelos agentes de mercado como um novo sinal de que a Casa Branca estaria gradualmente adotando uma postura menos agressiva em relação ao protecionismo comercial que marca o início do mandato de Trump. Tal percepção foi reforçada ontem, ainda, por novas declarações do secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, que afirmou que os Estados Unidos estão em tratativas comerciais com cerca de 15 a 17 países, destacando a Índia como possível primeiro acordo a ser anunciado. Sobretudo, investidores aguardam por novas notícias acerca de progressos nas negociações com a China, após Bessent declarar que todas as instâncias do governo norte-americano estão em diálogo com Pequim, mas que cabe à China tomar a iniciativa de reduzir suas tarifas. Dessa forma, caso novas sinalizações de arrefecimento nas relações comerciais entre os Estados Unidos e seus parceiros se intensifiquem, espera-se que ativos considerados de maior risco, como ações, commodities e moedas de países emergentes, a exemplo do real, sejam beneficiados, refletindo maior apetite por risco nos mercados globais. Para acompanhar com mais detalhes os temas que movimentam os mercados globais neste dia, acesse a Abertura de Câmbio.
Os preços futuros da soja recuaram um pouco das altas alcançadas no dia anterior, mas se recuperaram antes do fechamento do mercado. As cotações da oleaginosa são pressionadas pela incerteza que paira sobre o mercado neste momento, em meio a rumores sobre uma possível negociação para as tarifas comerciais entre Estados Unidos e China. Além disso, o avanço do plantio nos EUA também é outro fator de pressão.
O governo Trump completa hoje (29) seus primeiros 100 dias deste segundo mandato. Pode-se dizer que um de seus principais saldos está relacionado às incertezas geradas nos mercados financeiros e comércio internacional pelo globo, dada a imprevisibilidade de suas decisões.
No mercado do milho, os futuros do grão também operam sob pressão em Chicago, nesta manhã, muito influenciados pelo avanço do plantio do cereal nos Estados Unidos. Além disso, o clima favorável na América do Sul tem ajudado no desenvolvimento da segunda safra no Brasil e Argentina, que devem apresentar bons rendimentos, atuando como novo fator de pressão sobre os futuros do grão.
Na B3, as cotações do milho também fecharam o último dia em baixa. O câmbio valorizado e a proximidade da colheita do milho safrinha no Brasil são os principais fatores que comprometem o avanço dos preços na bolsa brasileira.
Após acumular amplas perdas na semana anterior e estendidas também para a segunda-feira (28), os preços futuros do trigo parecem ter, ao menos, estabilizado, na manhã desta terça-feira (29). As quedas observadas nos dias anteriores foram impulsionadas pela previsão de chuvas benéficas para as safras de inverno em desenvolvimento na região sul das grandes planícies nos Estados Unidos, conforme melhor abordado no Resumo Semanal de Trigo.
Em seu relatório de progresso de safra, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) classificou 49% das safras em condições boas ou excelentes, acima dos 45% reportados na semana anterior e das expectativas dos analistas, de 47%.







