Nos mercados internacionais, o clima de incerteza paira sobre as bolsas em operação. Na Ásia, os mercados encerraram o dia sem direção única. Nos Estados Unidos e Europa, a parte majoritária das bolsas em operação operam no campo negativo, na manhã desta terça-feira (06). No Brasil, por sua vez, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia o dia com alguns ganhos. O sentimento de cautela deve se manter entre os agentes financeiros ao longo da sessão, diante da persistência de incertezas relevantes quanto à condução da política comercial dos Estados Unidos. Na véspera, repercutiu entre investidores a fala do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que afirmou que medidas como tarifas de importação, cortes de impostos e desregulamentação não devem ser vistas como políticas isoladas, mas sim como pilares estruturais da estratégia do governo Trump para atrair investimentos. Tal declaração, por sua vez, foi interpretada como um possível indício de que as tarifas podem efetivar-se em nível mais elevado do que o esperado. Ao mesmo tempo, por outro lado, o secretário sinalizou que os EUA estariam próximos de concluir negociações com diversos parceiros comerciais, com exceção da China. Segundo ele, “temos 18 parceiros importantes; vamos deixar a China de lado, os outros 17 nos procuraram com propostas comerciais muito boas”. Dessa forma, apesar das frequentes manifestações de autoridades americanas sobre o avanço nas tratativas, a ausência de resultados concretos e o prolongamento no processo têm frustrado expectativas dos agentes do mercado. Assim, a atenção dos investidores se volta para o depoimento de Bessent ao Congresso americano, agendado para esta manhã, na expectativa de maiores detalhes sobre os possíveis desdobramentos tarifários. Por ora, o ambiente global de aversão ao risco segue pressionando moedas de países emergentes, como o real.
Adicionalmente, os investidores avaliam a divulgação do Índice de Gerentes de Compras (PMI) de serviços da China referente ao mês de abril, que recuou para 50,7 pontos, abaixo dos 51,9 registrados em março e da expectativa mediana de 51,7 pontos. De acordo com analistas, a desaceleração do indicador ao menor patamar em sete meses pode refletir os efeitos negativos da guerra comercial com os EUA sobre a atividade econômica chinesa, com efeitos para além do setor manufatureiro, ameaçando os esforços recentes do governo para estimular o consumo doméstico. Por outro lado, os dados relacionados ao feriado do Dia do Trabalho, um dos mais longos do calendário chinês e tradicional termômetro da confiança do consumidor, trouxeram sinais positivos. Estatísticas de tráfego indicaram crescimento de 8% no número médio diário de viagens em relação ao ano anterior, com forte movimentação em pontos turísticos e aumento significativo no volume de passageiros por diferentes modais de transporte. Nesse sentido, a trajetória dos indicadores de atividade deve seguir sendo monitorada de perto, dado que uma eventual persistência na desaceleração econômica chinesa pode intensificar a percepção de risco sobre países exportadores de commodities, com possíveis repercussões negativas sobre o real. Para acompanhar com mais detalhes os temas que movimentam os mercados ao longo do dia, acesse a Abertura de Câmbio.
Os preços futuros da soja apresentaram novos recuos na manhã desta terça-feira (06), enquanto os investidores aguardam notícias claras acerca de negociações entre Washington e Pequim sobre avanços na resolução do impasse tarifário.
O enfraquecimento do dólar no cenário internacional, bem como a recuperação recente dos preços do petróleo, após ter alcançado as mínimas de quatro anos, acabaram dando algum suporte aos preços dos grãos.
Os preços futuros do milho em Chicago encerraram o pregão noturno de forma mista, com o contrato com vencimento mais próximo avançando timidamente, enquanto os demais operavam com algumas perdas.
Na Bolsa de Mercadorias de São Paulo (B3), o milho encerrou a segunda-feira (05) em baixa, com as perspectivas de haja um aumento na produção do milho safrinha, o que deve colocar mais cereal a disposição do mercado.
No caso do trigo, os preços do cereal parecem ter se estabilizado. No entanto, as condições favoráveis para a safra de inverno estadunidense e as preocupações com as tensões comerciais internacionais acabam por limitar os ganhos do cereal nesta sessão, assim como já vem ocorrendo há alguns dias.
O relatório semanal de progresso de safra do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou uma melhora nas condições de safra do trigo de inverno no país, com 51% passando a ser classificado como bom ou excelente, acima também das projeções médias dos analistas.





