No cenário internacional, as bolsas nos Estados Unidos e Ásia apresentam ganhos, enquanto na Europa e no Brasil, os mercados operam no campo negativo. Os mercados financeiros globais repercutem nesta manhã o anúncio de que autoridades econômicas de Estados Unidos e China se reunirão neste fim de semana, na Suíça, para discussões que podem marcar o primeiro passo para resolver as tensões comerciais entre os dois países. A reunião acontece após semanas de escalada nas tarifas aplicadas sobre bens importados por ambos os países, que já ultrapassam 100%, em um cenário que tem sido classificado por economistas, incluindo o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, como impraticável e equivalente a um embargo comercial. Embora não se espere um acordo imediato, as equipes de negociação devem discutir a redução de tarifas amplas, além de discutir temas como controles de exportação, tarifas sobre produtos específicos e a recente decisão do governo Trump de encerrar a isenção de impostos para importações de baixo valor. A confirmação do início formal das tratativas entre as duas potências reduz os temores de uma prolongada “guerra comercial”, o que, por sua vez, tende a impulsionar ativos de risco, como ações, commodities e moedas de países emergentes, incluindo o real.
Paralelamente, investidores aguardam as decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos, nesta tarde, e do Banco Central (BC) no Brasil, após o fechamento dos mercados. Nos Estados Unidos, há praticamente consenso entre analistas de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve deve manter a taxa básica de juros americana inalterada, no intervalo entre 4,25% e 4,50% a.a. Em uma decisão largamente antecipada e sem divulgação de projeções econômicas, o foco dos investidores deve recair sobre a avaliação do cenário de riscos da autoridade monetária e possíveis pistas sobre a trajetória futura dos juros. Na última decisão, o presidente do FOMC, Jerome Powell, destacou que “a incerteza do panorâmico se elevou” e que o balanço de riscos estava mais adverso, ou seja, tanto os riscos de uma inflação mais persistente como os riscos de uma desaceleração econômica parecem ter se elevado. No Brasil, a expectativa majoritária é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) eleve a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, dos atuais 14,25% para 14,75% ao ano. Na reunião anterior, o comitê já havia sinalizado a possibilidade de uma nova alta, ainda que em magnitude inferior às decisões anteriores, que elevaram os juros em 1 ponto percentual. Diante desse cenário de previsibilidade, as atenções devem recair sobre as indicações futuras da autoridade monetária (forward guidance), especialmente em relação à duração do ciclo de aperto monetário. Espera-se que o Copom reforce a leitura de deterioração do quadro inflacionário à luz de indicadores recentes, o que justificaria a manutenção de uma postura mais restritiva. Por outro lado, a autoridade monetária também deve ressaltar sinais de desaceleração da atividade econômica, o que pode motivar maior cautela nas decisões futuras. Para acompanhar os temas que movimentam os mercados no dia de hoje, acesse a Abertura de Câmbio.
Os contratos futuros da soja acumulam novos ganhos na manhã desta quarta-feira (07), à medida que o otimismo dos investidores em relação à resolução dos impasses comerciais entre China e Estados Unidos aumenta. As expectativas dos agentes melhoraram após a notícia de que foi agendada uma reunião entre autoridades americanas e chinesas, a qual espera-se que possa desencadear em algum alívio nas tensões comerciais entre ambos os países.
Além disso, o dólar enfraquecido e a estabilidade nos preços do petróleo também contribuíram para dar suporte às cotações dos grãos nesta manhã.
Os preços do milho, assim como os da soja, apresentam ganhos na manhã desta quarta-feira (07), sustentados pelo movimento altista dos concorrentes, além da desvalorização cambial do dólar, que torna as exportações estadunidenses mais competitivas no mercado internacional, e pela estabilidade do petróleo, após atingir as mínimas de quatro anos.
Na B3, os contratos futuros do milho encerraram a terça-feira (06) com perdas, pressionados pelas perspectivas de aumento da produção da safrinha brasileira, dadas as condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento dos cultivos.
O mercado do trigo opera sem direção definida, com ganhos em Chicago, mas algumas perdas em Kansas City. Em geral, o trigo segue a tendência observada por todo o mercado de grãos nesta manhã: de valorização.
Além disso, os preços do trigo ainda receberam apoio das preocupações com a seca que atinge a região de Henan, província com importante papel na produção de trigo na China. Caso o clima incorra em uma redução na produção chinesa, isto pode refletir em um estímulo à demanda chinesa por importações de trigo.





