Nos mercados internacionais, as bolsas operam majoritariamente com ganhos na manhã desta terça-feira (13), mas com algumas perdas esporádicas. A atenção dos investidores se volta para a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos referente ao mês de abril, que registrou alta moderada de 0,2%. O resultado ficou abaixo da mediana das projeções de mercado, que apontavam para um avanço de 0,3%. O núcleo do indicador, que exclui os componentes mais voláteis como energia e alimentos, também apresentou variação de 0,2%, igualmente inferior à expectativa de 0,3%. Os dados devem ser interpretados de maneira positiva pelos agentes de mercado, que temiam a possibilidade de uma surpresa inflacionária mais intensa como reflexo principal da imposição de tarifas de importação a diversos parceiros comerciais, vigente desde o início do mês. A moderação observada sugere, por ora, a baixa transmissão do aumento dos preços de produtos importados ao consumidor final, embora essa ausência de repasse imediato não elimina a possibilidade de que ele ocorra nos próximos meses. Nesse contexto, as expectativas inflacionárias nos próximos meses seguirão sendo influenciadas pelo potencial impacto das novas barreiras comerciais, cujos efeitos já começam a aparecer nos mais recentes indicadores de confiança do consumidor. Assim, embora persistam as preocupações quanto à elevação de preços à frente, a leitura mais benigna do CPI no curto prazo contribui para a melhora do apetite ao risco global, favorecendo ativos como ações, commodities e moedas de economias emergentes.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia o dia com ganhos, enquanto investidores repercutem a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, realizada em 7 de maio. Na ocasião, o Comitê decidiu elevar a taxa Selic de 14,25% para 14,75% ao ano, prolongando o ciclo de aperto monetário iniciado em setembro, que já acumula elevação de 4 pontos percentuais. A ata reforçou, assim como o comunicado divulgado após a decisão, a preocupação da autoridade monetária com a persistência da desancoragem das expectativas de inflação, ressaltando que o cenário atual "exige uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado". Apesar disso, o Comitê evitou fornecer qualquer sinalização futura em relação aos próximos passos, citando o “elevado grau de incerteza” e o “estágio avançado do ciclo de aperto”. Na última segunda-feira (12), vale ressaltar, o Boletim Focus divulgado mostrou recuo na projeção da taxa Selic para o final de 2025, agora estimada em 14,75%, frente à previsão anterior de 15%. Ainda assim, a sinalização mais cautelosa do Banco Central em relação ao seu balanço de riscos reforça a percepção de que os juros devem permanecer elevados por um período mais prolongado, o que tende a beneficiar os rendimentos dos títulos domésticos e sustentar a valorização do real. Para acompanhar os temas que movimentam os mercados ao longo do dia, acesse a Abertura de Câmbio.
Os preços futuros da soja operam no campo negativo nesta manhã, recuando de alguns ganhos obtidos ao longo das últimas sessões. A soja havia atingido os preços máximos dos últimos três meses na última sessão, impulsionada pelo acordo entre Estados Unidos e China que chegou a uma solução temporária aos impasses comerciais que ambos os países vinham travando. A China é o principal importador de soja dos EUA, e o acordo deve possibilitar a retomada desses fluxos importante ao comércio internacional agrícola dos EUA.
Além disso, o relatório mensal de oferta e demanda do USDA (WASDE), que indicou os estoques finais de soja dos Estados Unidos abaixo do que era esperado pelos analistas, dando também algum suporte aos preços.
Os preços do milho também recuaram na manhã desta terça-feira (13) em Chicago, puxados principalmente pelo movimento baixista entre o mercado de grãos. O USDA indicou um aumento para os estoques de milho para a próxima safra, considerando as expectativas de uma safra recorde. No entanto, as projeções feitas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) ficaram abaixo do consenso que o mercado havia encontrado para o número.
Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (B3) encerrou as cotações do milho na segunda-feira (12) de forma mista, pressionadas pelo iminente início da colheita do milho safrinha no Brasil. Ainda, o mercado aguarda a divulgação dos dados da Conab para informações sobre a oferta e demanda de maio para o cereal.
Os preços do trigo atingem a menor cotação desde 2020, em meio à pressão sobre a oferta para a safra 2025/26. Este movimento é reflexo da divulgação do relatório de oferta e demanda (WASDE) pelo USDA, na tarde de ontem, que projetou maiores estoques finais de trigo para os Estados Unidos na safra 2025/26, acima do que era esperado por analistas, o que se refletiu em um ligeiro aumento também para os estoques finais globais.
Além disso, no relatório semanal de acompanhamento de safra do USDA, foi reportada uma melhora considerável nas condições dos cultivos do trigo de inverno em desenvolvimento nos EUA.





