Em um dia com agenda econômica esvaziada, os investidores tendem a manter-se em postura de cautela, à espera de possíveis desdobramentos na condução da política comercial dos Estados Unidos. O mercado ainda repercute o anúncio feito na segunda-feira, após reunião entre o governo americano e autoridades chinesas, que reduziu a tarifa de importação imposta pelos dois governos. Depois de registrar alta no início da semana, o índice Dollar Index (DXY), que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, passou a sinalizar uma reversão a partir de terça-feira, movimento que se estende nas primeiras horas do pregão de hoje. O enfraquecimento da moeda americana ocorre em paralelo ao avanço de ativos considerados mais arriscados, como ações, commodities e moedas de países emergentes. Contribui também para a pressão sobre o dólar a crescente percepção de que medidas econômicas adotadas desde o início do governo Trump, sobretudo de caráter tarifário, podem comprometer a resiliência da atividade econômica nos EUA, limitando os ganhos da moeda americana. Nesse cenário, o real tende a ser beneficiado, impulsionado tanto pela perda de força global do dólar quanto pelo maior apetite por riscos observado ao longo da semana.
No cenário doméstico, os investidores acompanham a divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de março, que apontou crescimento de 0,3% no setor em relação a fevereiro. Trata-se da segunda alta consecutiva do indicador, o que ajuda a atenuar temores de uma desaceleração mais acentuada da economia brasileira, receio que vem ganhando força diante de sinais mais moderados da atividade e da manutenção da política monetária contracionista por parte do Banco Central. Ainda assim, o avanço de 0,3% ficou abaixo do registrado em fevereiro (+0,9%) e do observado em março do ano passado (+0,4%), reforçando a cautela na leitura dos dados econômicos. Diante desse desempenho ainda moderado do setor de serviços, tende a ganhar força a aposta de que o Banco Central manterá uma postura mais rígida na condução da política monetária, com juros elevados por um período mais prolongado, fator que também favorece o real. Para mais informações sobre os temas que movimentam o mercado no dia de hoje, acesse a Abertura de Câmbio.
Os preços futuros da soja atingiram novo pico, nas máximas dos últimos nove meses, enquanto discussões sobre a política de incentivos aos biocombustíveis avançam no congresso dos Estados Unidos. Desde o início da semana, o projeto de lei referente ao crédito fiscal 45Z tem ganhado destaque nos debates do setor de biocombustíveis nos Estados Unidos. A proposta em análise no Congresso americano prevê uma série de alterações no Crédito para a Produção de Combustível Limpo (45Z), incluindo a ampliação de sua vigência, a sugestão de excluir, no cálculo das emissões de gases de efeito estufa, os impactos indiretos do uso da terra, além de circularem rumores no mercado de que o projeto poderia limitar o acesso ao crédito 45Z exclusivamente aos combustíveis produzidos com matérias-primas nacionais.
Os efeitos dessas possíveis mudanças se refletem com a valorização do óleo de soja, amplamente produzido nos Estados Unidos, em detrimento de outras matérias primas, como o sebo bovino e o UCO.
Os preços futuros do milho, por sua vez, acumulam novas perdas, aproximando das mínimas desta semana, até então. As perspectivas são positivas para a colheita do milho safrinha no Brasil, o que deve colocar um grande volume do cereal no mercado.
Apesar do enfraquecimento do dólar e da recuperação na demanda pelo trigo estadunidense, o cenário favorável da oferta é o que tem limitado os ganhos do cereal em Chicago na manhã desta quarta-feira (14).
No mercado do trigo, os preços futuros do cereal também recuam, de modo parecido com o que se observa também para o mercado do milho. As condições satisfatórias das lavouras de inverno nos Estados Unidos têm pressionado os ganhos há algumas semanas.
Uma breve ameaça de seca em parte da China, que poderia incentivar a demanda conseguiu dar algum suporte aos preços nas semanas anteriores, mas não foram suficientes para mantê-los elevados por muito tempo.







