A divulgação inicial de dados para a economia americana desta manhã manteve um cenário de dúvidas sobre as condições econômicas do país e qual será sua evolução nos próximos meses. Primeiramente, os pedidos semanais de auxílio-desemprego permanecem estáveis, mantendo-se em 229 mil pedidos nesta semana, tal como na semana anterior, sem sugerir que o mercado de trabalho possa estar se enfraquecendo ou que as empresas estejam demitindo mais pessoas. Já o Índice de Preços ao Produtor (PPI) e as vendas do varejo nos Estados Unidos tiveram seus números revisados para cima referentes ao mês de março, mas mostraram fraqueza em abril. Em tese, o PPI mostra que o “choque tarifário” aplicado pela Casa Branca em abril ainda não se refletiu nos preços cobrados pelos produtores americanos, o que sugere que a inflação ao consumidor não será pressionada no curto prazo. Por outro lado, a desaceleração expressiva das vendas do varejo em abril sugere um comportamento cauteloso do consumidor americano, que evitou ampliar seu nível de gastos possivelmente para se preparar para a possibilidade de uma piora das condições econômicas futuras. Isto, por sua vez, pode aumentar as preocupações de investidores quanto a uma desaceleração da economia americana este ano, o que resulta em maior aversão global a riscos e tende a prejudicar o desempenho do real.
Adicionalmente, investidores avaliam novas falas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizadas nesta manhã, em que revelou que o país está “muito perto” de garantir um acordo nuclear com o Irã e que isso deve gerar uma "uma paz de longo prazo" entre os dois países. A sinalização representa um avanço diplomático importante na relação entre Washington e Teerã, em meio a um histórico extenso de tensões, marcado por décadas de desconfiança mútua, sanções econômicas e disputas em torno do programa nuclear iraniano. Dessa forma, a possibilidade de avanço nas conversas tende a diminuir as tensões geopolíticas globais e o sentimento de risco entre investidores, o que pode impulsionar ativos arriscados, como ações e moedas de países emergentes, como o real. Por outro lado, essa redução de tensões tende a pressionar negativamente os contratos futuros de petróleo, o que pode prejudicar moedas de países exportadores do óleo bruto, como o Brasil. Para saber mais sobre os temas que movimentam os mercados, acesse a Abertura de Câmbio.
Os preços futuros da soja acumulam novas perdas na manhã desta quinta-feira (15), puxados pela fraqueza do óleo de soja em decorrência do cenário incerto no mercado de biocombustíveis. As expectativas do mercado foram frustradas, mais uma vez, pelo adiamento da divulgação das metas do RVO para 2026 e 2027 nos Estados Unidos.
Conforme abordado no Boletim Diário de Óleos Vegetais, o administrador da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), Lee Zeldin, afirmou na última quarta-feira, em audiência no Senado norte americano, que a agência deve concluir o processo de definição para as novas metas de RVOs dentro dos próximos meses. Apesar do desejo de cumprir os prazos de regulamentação dispostos no Programa Padrão de Combustíveis Renováveis (RFS, para a sigla em inglês), o mercado demonstrou forte descontentamento com a declaração, dadas as expectativas que se tinha em torno de uma decisão já para os próximos dias.
Os preços do milho, por sua vez, avançaram ao longo do pregão noturno na manhã desta quinta-feira (15), na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT). As altas foram impulsionadas por preocupações relacionadas às condições climáticas possivelmente desfavoráveis ao longo do verão estadunidense, que se inicia em breve.
Na B3, os preços do milho encerraram a quarta-feira (14) de forma mista, ainda pressionados pela colheita do milho safrinha, que deve aumentar a disponibilidade de milho no mercado, mas, em geral, apresentando boa recuperação semanal. Com o vencimento dos contratos de maio, a diferença entre os valores do mercado físico e do futuro se ampliaria significativamente, já que o contrato de julho está cotado a R$63, enquanto a média Cepea gira em torno de R$73.
No mercado do trigo, os preços conseguiram encerrar a última sessão com alguns ganhos, apesar das cotações se manterem pressionadas pelas perspectivas positivas para a colheita do trigo no Hemisfério Norte.
Agências locais elevaram as estimativas para a safra de trigo mole da União Europeia neste ano. Nos EUA, visitas técnicas indicaram produtividades acima da média no estado do Kansas, o maior produtor nacional.







