No mercado internacional, as bolsas operam com perdas generalizadas. No final da tarde de sexta-feira, a agência de classificação de riscos Moody’s rebaixou a nota soberana de crédito dos Estados Unidos de Aaa para Aa1. Com a decisão, os EUA perderam a nota máxima de investimento, o “triplo A”, nas três principais agências de classificação de riscos, a Moody’s, a Fitch (em agosto de 2023) e a S&P (em agosto de 2011). Em nota, a Moody’s demonstrou preocupação com o aumento da dívida pública americana, alertando para o custo de financiamento dessa dívida e para um desequilíbrio fiscal crescente, projetando um déficit de quase 9% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2035, ante estimativa anterior de 6,4%, em 2024. Após esse rebaixamento, a preocupação de investidores com a sustentabilidade da trajetória do endividamento americano se exacerbou e levou a uma fuga dos títulos de dívida do país, pressionando suas taxas de rendimento e enfraquecendo o dólar de maneira ampla e significativa.
Embora o dólar esteja se desvalorizando de maneira generalizada, o real apresenta o pior desempenho perante a moeda americana nesta manhã. Embora seja impossível especificar com segurança o motivo desse mau desempenho, é provável que a identificação de casos de gripe aviária em uma granja comercial no Rio Grande do Sul na última sexta-feira (16) esteja prejudicando a moeda brasileira. Após esse registro, diversas economias proibiram a importação de carne de frango vindas do Brasil, o que é de praxe em casos de preocupação fitossanitárias, como Chile, Argentina, México, Coreia do Sul e União Europeia. Mesmo o melhor cenário – um caso pontual que não se alastre – já significa uma pausa das exportações por algumas semanas, e ainda não se pode excluir a possibilidade de mais granjas apresentarem a doença e levar a um embargo de exportação por um tempo mais longo. Por isso, é possível que a previsão de receitas mais baixas de exportação possa estar contribuindo para o enfraquecimento do real nesta manhã. Para acompanhar com mais detalhes os temas que movimentam o mercado ao longo do dia, acesse a Abertura de Câmbio.
Os preços futuros do óleo de soja operam com ganhos na manhã desta segunda-feira (19), recuperando-se das quedas acumuladas ao final da última semana. Os preços mais baixos atraíram compradores, o que acabou servindo como algum incentivo aos preços da soja cotados em Chicago.
Os preços do milho também iniciam a semana com resultado positivos, encerrando o pregão noturno desta segunda-feira com alguns ganhos. O dólar mais fraco contribuiu para a elevação dos preços nesta manhã, pois acaba tornando os produtos estadunidenses mais competitivos no mercado internacional. No entanto, as expectativas de que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) vá reportar melhores condições de desenvolvimento para a safra que inicia a sua semeadura nos EUA, em seu relatório semanal de condições de safra. Essas perspectivas acabaram limitando os ganhos para o mercado.
No mercado do trigo, os ganhos foram sustentados, principalmente, por preocupações relacionadas à produção de trigo na China, devido ao clima quente e seco que atinge algumas províncias do país asiático. Uma quebra de safra no país pode ocasionar em um aumento na demanda por importações de trigo pela China.
Nesse sentido, o desenrolar dos impasses comerciais entre China e Estados Unidos deve ser fundamental para determinar a origem do trigo que possivelmente será comprado pela China.





