No cenário internacional, a apreensão se deve, principalmente, às incertezas relacionadas às tarifas de Donald Trump. Com isso, as bolsas nos Estados Unidos recuam fortemente, após Trump sugerir a implementação de tarifas de 50% para a União Europeia.
Internamente, a comunicação confusa do governo federal em relação à alta do IOF impacta credibilidade da política fiscal brasileira. A condução da política fiscal do governo federal é encarada com ceticismo e pessimismo pelos investidores, tendo gerado forte movimento de desvalorização do real ao longo de 2024. Novas notícias com relação ao tópico, ontem, reforçaram que essas preocupações mantêm seu potencial de provocar oscilações bruscas nos mercados financeiros brasileiros. Ontem, a taxa de câmbio do real oscilou amplamente frente a informações incompletas e desencontradas sobre medidas para a área fiscal do governo. Inicialmente, a notícia de que o governo brasileiro faria um congelamento de despesas maior que o inicialmente estimado gerou otimismo e impulsionou uma queda da taxa de câmbio. Porém, o vazamento da informação de que o governo aumentaria o Imposto sobre Operação Financeiras (IOF), sem maiores detalhes, gerou forte estresse entre os operadores do mercado financeiro e levou a receios de que as operações de câmbio pudessem ser afetadas. Após as repercussões negativas nos mercados financeiros, o governo optou ainda na noite de ontem por desistir da mudança da tributação sobre aplicações de investimentos de brasileiros no exterior, mantendo a alíquota zero para aplicações de fundos nacionais e de 1,1% para outras remessas destinadas a investimentos. Para acompanhar com mais detalhes os temas que merecem a sua atenção no dia de hoje, acesse a Abertura de Câmbio.
Os preços futuros da soja encerraram o pregão noturno também com algumas baixas, encaminhando-se para encerrar a semana abaixo dos picos de máxima alcançados em dias anteriores. A colheita de uma safra recorde no Brasil tem contribuído para parte da pressão que se observa no mercado nos últimos dias, assim como as incertezas ligadas às políticas de incentivo ao mercado de biocombustíveis nos Estados Unidos.
No mercado do milho os preços não oscilaram tanto quanto para outras commodities, consolidando-se abaixo das máximas alcançadas nessa semana. Na segunda-feira (26), o feriado do Memorial Day deve manter os mercados americanos fechados.
Na Bolsa de Mercadorias de São Paulo (B3), o milho encerrou a quinta-feira (22) com algumas perdas, após investidores optaram pela realização dos lucros com as altas nos dias anteriores, e por se observar uma melhora do clima para regiões onde o milho safrinha se prepara para ser colhido.
Os preços futuros do trigo enfrentam novas baixas na manhã desta sexta-feira (23), pelo segundo dia consecutivo, enquanto se observa uma redução da cobertura de posições vendidas por alguns fundos de investimentos. Além disso, os investidores voltaram a observar perspectivas produtivas favoráveis para o trigo de inverno no Hemisfério Norte, o que contribui para o enfraquecimento dos preços da commodity em Chicago.
As preocupações com as condições climáticas adversas em algumas regiões da Rússia e da China ajudaram a dar algum suporte aos preços no início da semana.







