No cenário internacional, tribunal americano proíbe a aplicação da maior parte das tarifas de importação pelos EUA. A decisão amplia a incerteza e a imprevisibilidade sobre a condução das políticas econômicas americanas, o que tende a ampliar a aversão global a riscos e, por sua vez, enfraquecer o real perante o dólar. Por outro lado, neste cenário de incertezas, a possibilidade de que o governo americano não poderá promover uma “guerra tarifária” global reduz as preocupações de impactos negativos tanto para a economia americana como para as demais economias, o que pode ter efetivo inverso ao anterior, ampliando o otimismo e apetite por riscos. A decisão judicial dá dez dias úteis para o governo interromper a aplicação das tarifas questionadas. A Casa Branca já anunciou que vai recorrer da decisão no Tribunal de Apelação para o Circuito Federal dos Estados Unidos, e deve recorrer à Suprema Corte do país caso sofra uma derrota em sua apelação.
Internamente, embate entre Fazenda e Congresso com relação ao aumento do IOF segue elevando percepção de riscos fiscais no Brasil. Uma eventual anulação do aumento inesperado do Imposto sobre Operação Financeiras (IOF) pode afetar a percepção de riscos fiscais para ativos brasileiros ao exigir adaptações no Orçamento pelo governo. Em entrevista, ontem, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que não há fonte alternativa de receita capaz de substituir os valores esperados com a elevação do IOF, caso o Congresso reverta a decisão. Dessa forma, investidores permanecem cautelosos quanto à possibilidade de novas notícias que reforcem o pessimismo de âmbito fiscal no Brasil, o que resultaria em maior exigência de prêmios de risco e tenderia a enfraquecer o real perante o dólar. Para ter acesso a mais detalhes sobre os temas que movimentam os mercados no Brasil e no mundo, acesse a Abertura de Câmbio.
O mercado da soja inicia a sexta-feira (29) pressionado, especialmente por fatores cambiais. O dólar americano enfrenta uma valorização, desencadeada pela decisão do Tribunal de Comércio Internacional dos Estados Unidos de barrar as tarifas sobre importações, determinadas por Trump contra uma série de países ao redor do mundo.
Apesar do estímulo comercial que a suspensão das tarifas pode trazer, um dólar mais forte torna as exportações estadunidenses mais caras e, portanto, menos competitivas, no mercado internacional.
Os futuros do milho negociados em Chicago também são pressionados pelos fatores cambiais que limitam os ganhos para o mercado da soja.
No Brasil, o milho negociado na B3 encerrou a quarta-feira com algumas perdas, com o início da colheita do safrinha, que tem colocado muitos suprimentos disponíveis no mercado. Há incertezas com relação ao destino da segunda safra, considerando que o mercado interno tem ganhado cada vez mais espaço, ano após ano.
Ademais, a chegada de uma frente fria pela região sul do Brasil deve receber maiores atenções nos próximos dias, diante da previsão de geada que pode prejudicar o andamento da colheita nas regiões afetadas.
Os preços futuros do trigo iniciaram a sessão pressionados pela alta do dólar, o que torna as importações estadunidenses mais caras no mercado internacional. No entanto, as avaliações das condições de safra dos Estados Unidos, divulgadas pelo Departamento de Agricultura do país (USDA), que indicaram um cenário inferior ao que era esperado pelos analistas, acabaram servindo como estímulo maior às cotações do cereal em Chicago.
Apesar deste ânimo momentâneo ao mercado, a demanda fraca e as boas perspectivas para a colheita do trigo de inverno no Hemisfério Norte, em geral, devem permanecer como fatores de pressão no mercado.





