No cenário internacional, o PPI americano surpreende ao permanecer estável em junho. O Índice de Preços ao Produtor (PPI) americano mostrou que a inflação ao produtor no país manteve-se estável em junho, abaixo da estimativa mediana que projetava um leve avanço para o indicador. Os números mais moderados para a inflação americana sugerem que os preços continuam se estabilizando e que, portanto, o Federal Reserve poderia cortar juros antes do que o antecipado, o que reduz a expectativa de rendimentos de títulos dos EUA e tendem a prejudicar o desempenho global do dólar, favorecendo o real. A divulgação desta quinta-feira, por outro lado, incluiu revisão dos dados de maio, que mostraram aceleração acima da leitura preliminar. Além disso, na divulgação de junho, ficou mais evidente uma elevação nos preços de determinados segmentos de bens de consumo frequentemente importados pelos EUA. O CPI de ontem mostrou dinâmica semelhante, com elevação nos preços de itens como móveis domésticos, vestuário, equipamentos recreativos e artigos para atividades externas, categorias particularmente expostas ao comércio internacional.
Ainda, os EUA iniciam investigação sobre práticas comerciais injustas brasileiras. O Representante do Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, anunciou, ontem, que seu Escritório iniciou uma investigação sobre práticas comerciais “injustas” do Brasil. A investigação foi solicitada pelo presidente americano, Donald Trump, quando anunciou tarifas de importação de 50% sobre produtos brasileiros, em 09 de julho. A investigação aumenta os riscos de uma intensificação das barreiras comerciais americanas sobre o Brasil, o que tende a reduzir as exportações brasileiras e, assim, prejudicar o real. Adicionalmente, a decisão eleva a imprevisibilidade e a percepção de riscos para investimentos em ativos brasileiros, o que pode afastar investimentos estrangeiros e, igualmente, tende a desvalorizar o real.
Além disso, no Brasil, audiência no STF sobre elevação do IOF termina sem acordo. Investidores também monitoram o impasse entre o governo e o Congresso com relação ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), após as partes não chegarem a um acordo na reunião de conciliação realizada ontem no Supremo Tribunal Federal (STF). O embate prolongado entre Executivo e Legislativo sobre o tema aumenta as incertezas quanto à condução da política fiscal e resulta em maior percepção de riscos para ativos brasileiros, o que tende a desvalorizar o real. Para acompanhar, com todos os detalhes, os temas que movimentam os mercados mundiais nesta quarta-feira, acesse a Abertura de Câmbio.
No mercado da soja, os contratos futuros negociados em Chicago acumulam ganhos curtos na manhã desta quarta-feira (16). No entanto, apesar dos ganhos para o mercado no pregão noturno, ainda paira um sentimento um tanto quanto incerto a respeito do desenrolar das relações comerciais entre China e Estados Unidos, devido à política tarifária que o país norte-americano vem implementando, o que pode se refletir em uma redução significativa das exportações estadunidenses de soja, dado que a China é o maior comprador da oleaginosa dos EUA.
Além disso, as perspectivas de uma grande colheita nos EUA contribuem para uma pressão baixista sobre o mercado.
No caso do milho, os preços futuros também operam em alta na manhã desta quarta-feira (16). Apesar do leve suporte que receberam na última sessão, alguns analistas têm verificado que os preços nos Estados Unidos caíram para um nível que possa estar abaixo do custo de produção, se forem desconsiderados os subsídios que o setor recebe.
No Brasil, o mercado do milho encerrou a terça-feira (15) em queda na B3, em linha com as desvalorizações que são observadas no mercado físico e devido à desvalorização mundial do dólar.
Após uma sequência de sessões operando em baixa, os preços futuros do trigo chegaram a acumular alguns ganhos, mas ainda encerraram o pregão noturno desta quarta-feira (16) em baixa. O principal fator que impulsionou os ganhos para o cereal nesta manhã foram os cortes na estimativa de safra russa.
Apesar do pequeno suporte recente, os preços do cereal continuam próximos das mínimas de cinco anos, devido às pressão exercida pela ampla oferta e fraca demanda global.









