No cenário internacional, as vendas no varejo americano referentes ao mês de junho vieram acima das expectativas do mercado, suscitando novas dúvidas quanto à magnitude dos impactos da política comercial mais restritiva adotada pelo governo de Donald Trump até o momento. A ausência de sinais negativos evidentes decorrentes das tarifas de importação recentemente implementadas reforça a percepção de resiliência da economia americana entre os investidores. Esse cenário, por sua vez, tende a favorecer o apetite por ativos considerados de maior risco, como o real, ao reduzir temores de desaceleração econômica da maior economia do mundo.
No Brasil, o Supremo Tribunal Federal decidiu por manter o decreto do governo que aumentou Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), revogando apenas a cobrança das operações do risco sacado. O retorno do decreto que elevava o aumento do imposto deve favorecer o equilíbrio das contas públicas, o que, em teoria, tende a contribuir com a diminuição da percepção de riscos fiscais e favorecer o real. Ao mesmo tempo, contudo, a necessidade do envolvimento do judiciário e o embate entre Executivo e Legislativo aumenta as incertezas quanto ao aumento da tensão entre os Três Poderes, o que resulta em maior percepção de riscos para ativos brasileiros e pode desvalorizar o real. A única exceção do STF ao decreto do governo foi a tributação sobre as operações conhecidas como "risco sacado". Nesse sentido, deve voltar a ser considerado a maior parte da expectativa inicial de arrecadação com o decreto do governo. A princípio, estimava-se arrecadar R$ 12 bilhões em 2025 e R$ 31,2 bilhões em 2026. A ausência do risco sacada, contudo, deve reduzir essa projeção em R$ 450 milhões no próximo ano e em até R$ 3,5 bilhões em 2026. Para acompanhar com mais detalhes os temas que movimentam os mercados neste dia, acesse a Abertura de Câmbio.
Os preços futuros da soja operam em baixa na manhã desta quinta-feira (17), mas próxima de uma estabilidade no mercado, enquanto os investidores aguardam indicativos de que em breve se possa ter uma retomada das exportações da soja estadunidense.
Além disso, as cotações do dólar voltaram a subir no início do dia de hoje, depois de terem derretido após as falas do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, levantando suspeitas sobre sua possível demissão do cargo que ocupa hoje.
No mercado do milho, os contratos futuros também operam no campo negativo nesta manhã, pressionados pela valorização internacional do dólar – após fortes quedas no câmbio na quarta-feira -, que torna as exportações estadunidenses menos competitivas, além das perspectivas de ampla oferta, que dificultam a recuperação do mercado por mais uma semana consecutiva em Chicago.
No mercado do trigo, as cotações também operam em baixa. As perspectivas de uma colheita farta no hemisfério norte têm pressionado os preços em Chicago e com a instabilidade nos mercados globais, em decorrência dos anúncios em torno da política tarifária estadunidense e de falas polêmicas do presidente dos EUA, Donald Trump, por exemplo, a respeito do presidente do Fed, Jerome Powell.









