No mercado internacional, disputa pela taxa Ptax de fim de mês deve trazer volatilidade para a sessão. Operadores do mercado financeiro intensificam suas operações nos intervalos de formação da última taxa Ptax do mês, o que dificulta a leitura sobre os movimentos do real no dia. A taxa Ptax é uma referência divulgada diariamente pelo BC e seu valor de fim de mês é muito utilizado em contratos de câmbio e derivativos. O volume de negócios e a volatilidade costumam aumentar durante as janelas de horários utilizadas pelo BC para o cálculo da taxa Ptax de fim de mês, entre as 10h00min e as 13h10min.
Além disso, inflação resiliente nos EUA reforça postura cautelosa do Federal Reserve. O Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE) dos EUA, referente a junho, apresentou variação mensal de 0,3%, acima do observado em maio das expectativas de analistas. Com o avanço de 0,3% do PCE de junho, a alta acumulada em 12 meses passou de 2,3% para 2,4%, permanecendo acima da meta de 2% do Federal Reserve. O seu núcleo, que exclui os componentes voláteis de alimentação e energia, saiu em linha com a estimativa mediana, também avançando 0,3% no mês. Os componentes de renda e consumo, que refletem a resiliência do mercado consumidor americano, por sua vez, se recuperaram do recuo inesperado do mês anterior, ambos avançando 0,3%. Nesse sentido, apesar de sair acima ligeiramente do esperado, a ausência de sinais mais claros de impactos das tarifas nos componentes do índice tende a reforçar a percepção de que a economia americana segue resiliente, o que contribui adicionalmente para um panorama positivo para ativos norte-americanos.
No cenário brasileiro, mudanças na tarifas de importação americanas a produtos brasileiros repercutem no mercado. Na sessão de ontem, o real registrou forte volatilidade após a Casa Branca confirmar a alíquota de 50% sobre importações do Brasil, inesperadamente prorrogar o início da taxação e isentar uma série de produtos. As isenções inesperadas tendem a diminuir receios de prejuízos das tarifas aos segmentos exportadores brasileiros, enquanto a prorrogação aumenta as esperanças de uma solução negociada entre os dois países. Com isso, ao diminuir a percepção de risco com relação à ativos brasileiros, o real tende a ser favorecido. Ainda, BC mantém taxa Selic inalterada e indica a sua manutenção por mais reuniões. Ontem, após o fechamento dos mercados, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu por encerrar o seu ciclo de altas para a taxa básica de juros (Selic), que permanece em 15,00% ao ano. Para acompanhar os principais temas que influenciam os mercados mundo afora, acesse a Abertura de Câmbio.
Os preços futuros da soja iniciam a quinta-feira (31) com perdas, por mais uma sessão consecutiva. As condições climáticas favoráveis seguem pressionando os preços futuros da oleaginosa em Chicago. A conjuntura que associa a oferta global abundante e uma demanda internacional ainda enfraquecida é a principal justificativa por trás das forças baixistas que têm atuado sobre o mercado nos últimos dias.
No mercado do milho, de modo semelhante à soja, as cotações seguem apresentando tendências baixistas, o que tem sido intensificado pelas expectativas de uma forte colheita nos Estados Unidos, para a safra que começa a ser colhida no país, de acordo com dados do relatório semanal de evolução de safra do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
No Brasil, os preços do milho têm acumulado altas nos últimos dias, na B3, impulsionados pela valorização do dólar em relação à moeda brasileira. Além disso, há expectativas de que as exportações brasileiras ganhem incentivos dentro das próximas semanas.
No mercado internacional do trigo, as cotações operam majoritariamente em baixa, com alguns ganhos pontuais sendo registrados em Kansas City, apenas. Preocupações com a colheita de trigo europeia ajudaram a dar algum suporte aos preços do cereal nas últimas sessões, mas não o suficiente para que os ganhos fossem sustentados por mais tempo.







