No cenário internacional, o mercado repercute a intervenção da Casa Branca no Federal Reserve (Fed). Na última segunda-feira (25), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a demissão da integrante do Conselho de Governadores do Federal Reserve, Lisa Cook, sob alegações de “conduta enganosa e potencialmente criminosa” relacionadas a hipotecas contratadas em 2021. Em resposta, o advogado de Cook afirmou ontem que ingressará com uma ação judicial para impedir a medida, abrindo caminho para uma possível disputa legal prolongada sobre a tentativa da Casa Branca de influenciar a condução da política monetária norte-americana. A possibilidade de intervenção direta do governo Trump na política monetária dos EUA, no curto prazo, reforça as apostas de um ciclo de corte de juros mais rápido pela autoridade monetária. No entanto, como reflexo, no horizonte mais longo, o mercado passa a precificar um prêmio de risco maior, refletindo preocupações com a independência do banco central e com potenciais pressões inflacionárias adicionais. Como impacto imediato, observa-se alta nos contratos de juros de vencimento mais longo, elevando os rendimentos dos Treasuries de longo prazo e fortalecendo o dólar no mercado internacional. Trump tem criticado de forma recorrente o Federal Reserve e seu presidente, Jerome Powell, insatisfeito com as últimas decisões do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) de manter as taxas de juros inalteradas.
No cenário doméstico, investidores acompanham as declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Nas falas das autoridades, devem ser buscadas pistas sobre a condução da política monetária, a avaliação do cenário de atividade econômica e os possíveis impactos das tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos sobre a economia brasileira. A atenção maior tende a recair sobre a fala de Haddad, que pode detalhar sua leitura sobre os impactos das tensões comerciais com os EUA, após algumas semanas da implementação das novas tarifas de importação norte-americanas e seus efeitos esperados sobre os setores mais atingidos. Para acompanhar com mais detalhes os temas que movimentam os mercados mundo afora, acesse a Abertura de Câmbio.
Soja em baixa
Na manhã desta quarta-feira (27), o mercado da soja parece operar próximo da estabilidade em Chicago (CBOT), com o contrato futuro de novembro/25 negociado a US$ 10,48/bushel. A soja mantém um comportamento de cautela, refletindo tanto os fundamentos positivos da produção quanto a incerteza na demanda externa.
Os investidores acompanham de perto as negociações comerciais entre Estados Unidos e China, que devem ocorrer ainda nesta semana. A China, maior importadora global de soja, tem se mantido distante das compras em meio às tensões bilaterais, e qualquer sinal de aproximação pode alterar a trajetória do mercado. Assim, a estabilidade da soja nesta manhã se traduz como uma combinação de fundamentos sólidos de oferta com expectativa em torno da demanda, em especial a chinesa, deixando os agentes em compasso de espera antes de se reposicionarem no mercado.
Milho em baixa
O mercado do milho opera em queda na Bolsa de Chicago, nesta manhã, registrando cotação em US$ 4,07/bushel, para seu contrato mais ativo na bolsa. Esse movimento marca a segunda sessão consecutiva de perdas, refletindo a pressão da oferta diante das expectativas de uma safra recorde nos Estados Unidos. Agricultores norte-americanos têm intensificado a venda dos estoques da temporada anterior para abrir espaço à nova colheita, contribuindo para ampliar a pressão vendedora e limitar reações dos preços.
De acordo com o relatório semanal do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 71% da safra de milho foi classificada como boa ou excelente até 24 de agosto, índice estável em relação à semana anterior e acima das expectativas de mercado, que projetavam ligeira piora nas condições. Esse cenário reforça a perspectiva de colheita histórica no outono, elevando a percepção de abundância no fornecimento.
Trigo em baixa
O mercado do trigo também registra queda em Chicago, com o contrato mais ativo sendo negociado a US$ 5,26/bushel. O movimento interrompe uma sequência de três sessões consecutivas de alta e reflete tanto ajustes técnicos, quanto fatores fundamentais ligados à oferta global.
Do lado internacional, a consultoria russa IKAR elevou sua projeção para a safra de trigo de 2025 para 86,0 milhões de toneladas, acima da estimativa anterior de 85,5 milhões, além de ter revisado para cima a expectativa de exportações, que agora é de 43,0 milhões de toneladas. Esse aumento reforça a posição da Rússia como maior exportadora mundial do cereal, ampliando a percepção de competitividade no mercado internacional e pressionando os preços em Chicago.
TABELAS E INDICADORES
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.
Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Fonte: **Estimativas StoneX.