No cenário externo, a disputa pela taxa Ptax de fim de mês deve trazer volatilidade para a sessão. Operadores do mercado financeiro intensificam suas operações nos intervalos de formação da última taxa Ptax do mês, o que dificulta a leitura sobre os movimentos do real no dia. A taxa Ptax é uma referência divulgada diariamente pelo BC e seu valor de fim de mês é muito utilizado em contratos de câmbio e derivativos. O volume de negócios e a volatilidade costumam aumentar durante as janelas de horários utilizadas pelo BC para o cálculo da taxa Ptax de fim de mês, entre as 10h00min e as 13h10min. Os investidores acompanham nesta sexta-feira a divulgação do Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE) dos Estados Unidos, medida de inflação preferida pelo Federal Reserve, referente a julho. Na comparação anual, a expectativa é de que o PCE cheio registre alta de 2,6%, repetindo o ritmo observado em junho. Além do componente de inflação, os dados de renda pessoal e gastos de consumo, que refletem a resiliência do mercado consumidor americano, também estarão no foco, após se recuperarem em junho da queda inesperada no mês anterior.
Caso não haja sinais claros de impacto das tarifas de importação sobre os componentes do índice, a leitura tende a reforçar a percepção de que a economia americana segue resiliente. Esse cenário fortalece a avaliação de que o Federal Reserve terá espaço para iniciar o ciclo de cortes de juros na reunião de setembro, movimento que, em tese, tende a enfraquecer o dólar no mercado global e favorecer moedas de países emergentes, como o real. As apostas por cortes de juros nos EUA se intensificaram após a mais recente declaração do presidente do Fed, Jerome Powell, que afirmou que uma redução pode ser apropriada diante do “cenário-base para as perspectivas econômicas” e da “mudança no balanço de riscos”. Para acompanhar com mais detalhes os temas que movimentam o mercado internacional, acesse a Chamada de Abertura.
Soja mista
O mercado de soja encerra a semana em queda, após duas semanas de valorização, refletindo principalmente a falta de demanda da China pelos suprimentos estadunidenses, em meio às tensões comerciais entre Washington e Pequim. Apesar das expectativas recentes de que os chineses retomassem as compras nos Estados Unidos, nenhuma aquisição significativa foi confirmada, e o que se observa são importadores privilegiando a soja de países sul-americanos, como Brasil e Argentina.
Esse panorama contribui para a pressão sobre os contratos negociados em Chicago, que também sofrem influência das boas perspectivas para a safra americana.
Milho em alta
O mercado de milho apresenta um cenário de firmeza, com alguns ganhos na manhã desta sexta-feira (29), sustentado principalmente pelo bom desempenho das exportações estadunidenses, de acordo com relatório divulgado no dia anterior pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Pela segunda semana consecutiva, os embarques ultrapassaram 2 milhões de toneladas, demonstrando uma demanda externa consistente, o que tem oferecido suporte real aos preços em Chicago, mesmo diante das perspectivas super otimistas para a safra que será colhida nos Estados Unidos.
Esse cenário contrasta com o movimento mais fraco observado para a soja e o trigo, reforçando a resiliência do cereal, mesmo diante da abundância de oferta global. Desse modo, enquanto a soja é pressionada pela ausência de compras chinesas e o trigo pela ampliação da produção no Hemisfério Norte e pelo avanço esperado nos embarques da Rússia, o milho se destaca como o grão mais firme neste momento, beneficiado pelo apetite do mercado internacional e pela solidez de sua posição exportadora.
Trigo misto
Com relação ao mercado de trigo, as cotações seguem pressionadas pela ampla oferta global e pela melhora nas perspectivas de produção em importantes países exportadores do cereal. No Hemisfério Norte, as colheitas abundantes nos Estados Unidos e na Europa, somadas às chuvas que favorecem o plantio em regiões produtoras, têm contribuído para a fraqueza dos preços em Chicago.
No Hemisfério Sul, por sua vez, as condições climáticas mais favoráveis na Argentina e na Austrália reforçam o cenário de maior disponibilidade futura. Além disso, a Rússia, maior exportador mundial, registra queda nos preços internos em meio às estimativas crescentes de colheita, o que aumenta as expectativas de aceleração nos embarques após um início de temporada mais lento.
TABELAS E INDICADORES
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.
Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Fonte: **Estimativas StoneX.