Comentários de Abertura
O “rally de Trump” continua em Wall Street, enquanto os traders precificam expectativas de um ambiente pró-negócios nos próximos anos. O índice de ações S&P 500 está posicionado para a possibilidade de fechar em novos recordes históricos hoje, apesar dos novos riscos tarifários nas notícias do dia. O índice VIX atingiu a mínima de quatro semanas, abaixo de 15, durante a noite, enquanto o dollar index opera próximo a 108,1. Os rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos estão em torno de 4,58%, enquanto os rendimentos dos títulos de 2 anos estão próximos de 4,27%. Os preços do petróleo bruto consolidaram-se ao redor do fechamento de ontem após a recente liquidação, enquanto os mercados de grãos e oleaginosas registraram leves altas novamente nesta manhã.
O presidente Donald Trump anunciou planos na noite de terça-feira para aplicar tarifas punitivas sobre produtos provenientes da União Europeia, além de declarar que sua administração está discutindo a imposição de tarifas punitivas de 10% sobre importações chinesas, devido ao fluxo contínuo de fentanil da China para os Estados Unidos via Canadá e México. Seus comentários recentes indicam expectativas de que as tarifas sejam implementadas em 1º de fevereiro, incluindo tarifas de 25% sobre o Canadá e o México. No entanto, Trump também assinou um memorando comercial na segunda-feira, ordenando que as agências federais concluam uma revisão abrangente das questões comerciais até 1º de abril, gerando especulações de que alguma ação tarifária possa ocorrer em 1º de fevereiro, com uma política tarifária mais ampla implementada após 1º de abril. Tanto o Canadá quanto o México adotaram um tom conciliatório com Trump, desejando resolver as questões passo a passo. Nenhum dos dois países pode se dar ao luxo de uma guerra comercial com os Estados Unidos, embora isso também causaria impacto nos próprios Estados Unidos, incluindo no setor de commodities. Porém, China e Europa também têm economias frágeis no momento e igualmente não podem arcar com uma guerra comercial.
O vice-presidente chinês Han Zheng participou da posse de Trump na segunda-feira. Sua presença pareceu estratégica – sinalizando que o presidente Xi Jinping está disposto a melhorar as relações com os Estados Unidos, ao mesmo tempo que evita deixar Xi pessoalmente exposto a críticas caso as relações se deteriorem ainda mais. Han teria se encontrado com o vice-presidente Vance no domingo, antes da posse, além de se reunir com importantes líderes empresariais, incluindo Elon Musk. É interessante notar que Xi teve uma ligação com o presidente russo Vladimir Putin logo após a posse. Trump tem afirmado que encerrará rapidamente a guerra na Ucrânia. Isso gerou especulações na China de que Trump usaria sua influência para encerrar a guerra de uma forma que permita aos Estados Unidos se aproximarem do Kremlin para, juntos, direcionarem seus esforços contra Pequim. Moscou está ciente dos riscos de longo prazo de se alinhar a Pequim e pode buscar um parceiro para se proteger da China quando não precisar mais de seu apoio na guerra da Ucrânia – pelo menos essa é a preocupação atual na China.
A China suspendeu a recepção de embarques de soja de cinco entidades neste mês, alegando que não atenderam aos requisitos fitossanitários, segundo a Reuters. Eu mencionei isso pela primeira vez no meu comentário do meio-dia na terça-feira. A medida levantou especulações de que poderia ser um passo em direção a um acordo comercial com os Estados Unidos, e isso é possível. Mas duvido que seja esse o caso agora. O momento da medida é curioso, pois ocorre justamente quando os novos estoques da safra começam a chegar aos portos no Brasil, precisando ser escoados rapidamente para evitar o acúmulo de soja barata destinada à China. É possível que houvesse questões fitossanitárias genuínas, mas duvido. Mais provavelmente, a China estava buscando alguma forma de alavancagem – contra essas empresas ou contra o Brasil – ou talvez apenas manipulando o mercado de base. Seja qual for o motivo, a expectativa é de que isso seja breve, com a soja fluindo livremente nos próximos dias e semanas à medida que a nova safra é colhida e enviada. Acredito que haverá um acordo comercial entre China e Estados Unidos em algum momento, mas duvido que isso faça parte de um movimento nessa direção agora. A China estaria mostrando muitas de suas cartas ao tomar tais ações com esse objetivo tão cedo.
A China comprou cerca de 35 carregamentos de soja na semana passada, segundo nossas fontes do mercado físico, sendo quase 80% dessas cargas originárias do Brasil. O país importou 74,56 milhões de toneladas ou 2,74 bilhões de bushels de soja do Brasil no ano civil de 2024, representando 71% de suas importações de soja. Isso se compara a 22,13 milhões de toneladas ou 813 milhões de bushels importados dos Estados Unidos. Há apenas alguns anos, a China importava cerca de 35 milhões de toneladas dos Estados Unidos, mas o Brasil tem conquistado cada vez mais participação de mercado nos últimos 15 anos, mesmo com a demanda chinesa geral aumentando rapidamente. Isso foi possível em grande parte devido a uma moeda desvalorizada. Os agricultores brasileiros vendem sua soja com base nos futuros de Chicago. Um preço de US$ 13,50 por bushel em julho de 2011 correspondia a 20,6 reais por bushel naquela época. Os futuros à vista estão sendo negociados a cerca de US$ 10,70 nesta manhã, mas isso equivale a 64 reais por bushel hoje. Certamente, os custos de importação de fertilizantes e produtos químicos aumentaram dramaticamente para o agricultor brasileiro, mas ainda assim, a taxa de expansão no Brasil tem correlacionado bem com a desvalorização do real. O dólar forte torna a soja dos EUA muito mais cara para os processadores chineses, em comparação com os estoques brasileiros.






