Comentários de Abertura
É o último dia de negociações do mês, com alguns traders ajustando posições para encerrar fevereiro. Os futuros de ações subiram nesta manhã após a divulgação dos dados de inflação do índice PCE, mas os ganhos foram reduzidos antes da abertura dos mercados. O VIX está sendo negociado próximo de 21, em meio a mais discussões sobre tarifas por parte da Casa Branca, enquanto o dollar index opera em torno de 107,3. Os títulos de 10 anos do Tesouro estão em 4,25%, após atingirem novas mínimas de 11 semanas nesta manhã, enquanto os títulos de 2 anos caíram para 4,05%, o menor nível em quatro meses. Os preços do petróleo bruto recuam 1%, enquanto os mercados de grãos e oleaginosas apresentam alta moderada de forma generalizada.
A renda pessoal cresceu 0,9% em janeiro na comparação mensal, superando a expectativa dos analistas de 0,3%, e acelerando em relação ao crescimento de 0,4% em dezembro. Os gastos pessoais caíram 0,2%, abaixo da expectativa de crescimento de 0,2%, e desacelerando em relação à alta de 0,8% registrada em dezembro. O índice de preços do PCE subiu 0,3% em janeiro, abaixo da expectativa de 0,4%, mas mantendo o mesmo valor do mês anterior. Na comparação anual, o índice PCE avançou 2,5%, conforme esperado, mas abaixo dos 2,6% registrados em dezembro. O núcleo do PCE, que exclui os setores de alimentos e energia, subiu 0,3% em janeiro, em linha com as previsões, mas acima da alta de 0,2% registrada em dezembro. O núcleo do índice PCE subiu 2,9% na base anual, acima das expectativas de 2,6%, mas em linha com a revisão para cima dos dados de dezembro.
O mercado de ações da China registrou forte queda hoje, em resposta ao anúncio de tarifas feito pelo presidente Trump na quinta-feira. Trump indicou que adicionará 10% às tarifas já em vigor sobre todos os produtos importados da China, elevando as tarifas para 20%. A nova rodada de tarifas entrará em vigor na terça-feira, 4 de março. O anúncio também incluiu a implementação de tarifas de 25% sobre Canadá e México na mesma data, devido ao que Trump considera "progresso insuficiente" para conter o fluxo de drogas ilegais – especialmente fentanil e seus componentes – para os Estados Unidos. A decisão ocorre após dois anos de pressões deflacionárias na China e às vésperas da conferência política ‘Duas Sessões’ no país. Trump parece estar assumindo o papel de disruptor justamente antes dessas reuniões estratégicas.
No final das contas, o objetivo de Trump parece ser conter a China. Ele sabe que Canadá e México são parceiros comerciais-chave, com os quais os EUA possuem um acordo de livre comércio assinado durante seu primeiro mandato. No entanto, há um aumento significativo no volume de produtos chineses entrando nos EUA através desses países, com um grau mínimo de "valor agregado" suficiente para que entrem sem tarifas. O objetivo de Trump parece ser barrar o fentanil, sim, mas também pressionar a China economicamente ao interromper o fluxo indireto de exportações chinesas via Canadá e México.
O presidente Trump também propôs a cobrança de taxas portuárias sobre embarcações chinesas. O site Freightwaves.com relatou que as taxas podem variar entre US$ 500 mil e US$ 1,5 milhão por atracação, dependendo do número de navios chineses na frota do operador. Além disso, a proposta exige que 1% das exportações dos EUA sejam transportadas por embarcações operadas e registradas no país, aumentando para 3% em dois anos, 5% em cinco anos e 15% em sete anos. Essas novas regras tentam reverter a influência da China na indústria global de transporte marítimo. Ainda não está claro se as tarifas portuárias seriam aplicadas apenas a navios que chegam carregados ou também a embarcações vazias. Se a segunda hipótese se confirmar, o custo adicional para exportação de grãos aos chineses poderia aumentar em cerca de US$ 19,69 por tonelada.
Agora, é hora de começar a monitorar a crescente seca na região produtora de milho safrinha no Brasil. Sim, esta é a área principalmente no Centro-Oeste, onde houve atrasos no plantio devido ao excesso de chuvas algumas semanas atrás. Um período seco era necessário para acelerar a colheita da soja e permitir o plantio do milho safrinha, mas agora há dificuldades para o retorno das chuvas. Ainda não é uma situação desesperadora, mas o cenário preocupa. Para que o Brasil tenha uma grande safra de milho e exportações máximas, é essencial que a estação chuvosa continue até o final de abril ou início de maio. Alguns modelos sugerem um fim precoce das monções, o que poderia impactar severamente as exportações dos EUA para a safra 2025-26. Enquanto isso, áreas antes secas na Argentina agora apresentam melhora nas classificações das lavouras, pois as chuvas não param. As precipitações podem ser excessivas? Em algumas regiões, sim. Mas, até agora, o resultado líquido tem sido uma melhora no potencial de rendimento. Mais ao norte, há crescentes preocupações com a seca no Cinturão do Milho dos EUA, especialmente nas Plains do Sul. Modelos climáticos sugerem melhora na umidade para o leste do Meio-Oeste nos próximos meses, mas o oeste e as Plains do Sul podem continuar sofrendo. Essas preocupações também se estendem ao Cinturão do Trigo das pradarias canadenses.






