Comentários de Abertura
Hoje é o "Dia da Mentira", por isso o presidente Trump afirmou que não anunciará hoje seu plano de tarifas recíprocas. Em vez disso, ele o anunciará amanhã, no que está chamando de "Dia da Libertação". Espera-se que a Casa Branca divulgue informações hoje que justifiquem o que acontecerá amanhã, o que pode impactar os mercados, dependendo da interpretação. Ainda assim, a cautela provavelmente prevalecerá hoje, em antecipação ao anúncio. Os futuros de ações voltaram a cair durante a madrugada, à medida que os investidores se preparam para os anúncios. O índice de volatilidade VIX subiu, sendo negociado próximo a 23 durante a madrugada, enquanto o dollar index em torno de 104,3. Os títulos do Tesouro estão caindo hoje, com o fluxo de capital indo para os títulos do governo, enquanto os preços das commodities sobem.
A administração Trump informou que as tarifas recíprocas consistirão em impor a cada parceiro comercial uma tarifa equivalente à que esse país cobra dos EUA, com o objetivo de forçá-los a negociar a redução dessas tarifas. Por isso, esperava-se uma lista detalhada de países com tarifas diferenciadas. Trump declarou que aprovou o plano que será revelado amanhã. Os mercados reagiram negativamente durante a madrugada a uma reportagem que indicava tarifas de cerca de 20% sobre a maioria dos produtos importados pelos EUA, o que os investidores entenderam mais como uma tarifa uniforme do que como tarifas recíprocas específicas por país. Mais de 100 países não cobram tarifas dos EUA, mas a maioria dos principais parceiros comerciais sim. Fontes próximas à Casa Branca afirmam que o governo considera devolver parte da arrecadação com tarifas aos consumidores, como forma de compensar os efeitos inflacionários e também estimular a economia. Será fundamental que Trump reconquiste a confiança do consumidor nas próximas semanas, se quiser reestruturar a economia como planeja.
O Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, deve divulgar hoje diversos relatórios que prepararão o terreno para o plano de tarifas de amanhã. Um deles deve se concentrar na revisão do status de "relações comerciais normais permanentes" (PNTR) da China com os EUA, vigente desde 2020. Um dos pontos-chave será observar se Trump revogará esse status, com base na crença de que as práticas comerciais chinesas contribuíram para o declínio da indústria manufatureira dos EUA, já que muitas empresas passaram a importar da China. Também se espera que o USTR divulgue uma avaliação sobre se Pequim cumpriu os compromissos assumidos no acordo comercial da Fase Um assinado durante o primeiro mandato de Trump. Essas informações devem estabelecer o tom para eventuais tarifas adicionais à China, que podem ultrapassar os 20% anunciados recentemente.
A China iniciou hoje mais um exercício militar em larga escala ao redor de Taiwan, incluindo o uso do porta-aviões Shandong, com foco em prontidão de combate. As simulações incluíram ações de controle total da ilha, ataques a alvos marítimos e terrestres, e bloqueios de áreas e rotas estratégicas. Pequim intensificou os exercícios militares desde a eleição, em maio de 2024, de William Lai Ching-te, de tendência pró-independência, como presidente de Taiwan. O exercício de hoje foi motivado pela recente declaração de Lai, que chamou a China continental de "força hostil estrangeira", além de 17 medidas anunciadas por seu governo no mês passado, que a China considerou ofensivas – incluindo o endurecimento das restrições a residentes e autoridades vindas da China continental, Hong Kong e Macau. A realização desses exercícios militares eleva o risco de confronto com os Estados Unidos, que prometeram defender Taiwan contra ameaças militares de Pequim.
Chuvas intensas localizadas devem prejudicar o início do plantio nos próximos dias desde o Delta até o sul do Vale do Rio Ohio, com algumas áreas podendo receber até 30 cm de chuva. São esperadas enchentes significativas onde as chuvas forem mais fortes, com possibilidade de tempestades severas. Apesar dos desafios, as chuvas ajudarão a reabastecer o subsolo seco para a próxima safra. O padrão climático atual também aumenta as chances de chuvas e até nevascas benéficas nas planícies central e sul dos EUA ao longo da semana, o que seria oportuno para o trigo de inverno, que entra em fase reprodutiva crítica. Já no Brasil, chuvas pontuais continuam beneficiando as lavouras de milho safrinha. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná respondem por 85% da produção. Ontem, verificou-se que os índices NDVI por satélite dessas regiões atingiram o maior nível em 20 anos para essa semana, refletindo as chuvas recentes. Infelizmente, espera-se o retorno de um padrão mais seco, o que deve aumentar o estresse hídrico de 25% para 50% da área plantada conforme se aproxima a fase crítica de polinização. Enquanto isso, a colheita avança lentamente na Argentina.






