Comentários de Abertura
Hoje é o “Tax Day” nos Estados Unidos – o prazo final para a entrega das declarações de imposto de renda. Os futuros de ações apresentaram fraqueza durante a madrugada, enquanto os investidores equilibravam os relatórios de lucros positivos com os receios de que a atual guerra tarifária acabe anulando essas boas notícias. Ainda assim, o índice de volatilidade VIX está sendo negociado pouco acima de 30 nesta manhã, após ter ficado brevemente abaixo desse nível durante a madrugada. Na minha observação ao longo das últimas décadas, é difícil que qualquer commodity sustente uma alta quando o VIX está acima de 30 – a menos que o ativo tenha uma narrativa muito forte própria. O VIX saltou para acima de 60 em 7 de abril, mas desde então tem recuado, voltando a testar o nível de 30. O dollar index está sendo negociado próximo de 99,9 nesta manhã. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA de 10 anos estão próximos de 4,38%, enquanto os de 2 anos giram em torno de 3,85%. Os preços do petróleo bruto estão novamente sob leve pressão nesta manhã, acompanhando a queda dos futuros de ações, sendo negociados perto de US$ 61 por barril. Os mercados de grãos e oleaginosas tiveram desempenho misto a baixista durante a madrugada.
Os lucros acima do esperado divulgados por Citigroup e Wells Fargo foram certamente positivos para Wall Street, mas também foram descartados por muitos como um reflexo das condições do primeiro trimestre deste ano, antes do anúncio do plano de tarifas recíprocas do presidente Trump. O mercado de ações despencou nos dias que se seguiram ao anúncio, ao precificar um volume enorme de medo, alimentado por uma enxurrada constante de manchetes que previam catástrofes. Os principais índices acionários chegaram a cair entre 13% e 16% em relação ao fechamento de 2 de abril, impulsionados principalmente pelo fator medo. Afinal, os mercados não reagem tanto aos acontecimentos do presente, mas às expectativas futuras. Desde então, os índices se recuperaram e, quando verifiquei nesta manhã, estavam cerca de 4% a 5% abaixo do fechamento de 2 de abril, com os investidores aguardando dados concretos que corroborem os receios econômicos já precificados. Esses receios diminuíram um pouco após o presidente Trump anunciar uma “pausa” de 90 dias nas tarifas recíprocas para os países que se dispuseram a negociar, em vez de retaliar.
A Casa Branca afirma agora que 130 países estão em diferentes estágios dessas negociações. Wall Street está, por ora, concedendo um voto de confiança à Casa Branca para aguardar os resultados dessas conversas, mas essa paciência tem prazo. Será necessário anunciar acordos concretos com grandes parceiros comerciais, como Japão e/ou Coreia do Sul, em breve, para ganhar mais tempo para outras negociações. Nos primeiros dias após o anúncio das tarifas, o mercado precificou o pior cenário possível, incluindo a expectativa de uma recessão global. O melhor cenário seria um mundo em que todas as tarifas fossem reduzidas a zero – o que é improvável. No entanto, existe um meio-termo que agradaria aos mercados: um ambiente de crescimento econômico e expansão que aumente a demanda por commodities – e é isso que os investidores esperam ver se concretizar nas próximas semanas.
O mercado de ações da China teve desempenho misto e discreto hoje, enquanto os investidores aguardam alguma sinalização de início das negociações entre os líderes chineses e norte-americanos. Até o momento, tudo permanece silencioso nesse front. Os investidores seguem esperando um pacote significativo de estímulos do governo chinês para ajudar a economia a enfrentar os impactos da guerra tarifária, mas até agora não foram anunciados planos relevantes para estimular o consumo interno. As autoridades têm apresentado medidas para ajudar empresas exportadoras atingidas pelas tarifas a se voltarem ao mercado doméstico, mas pouco foi feito para impulsionar as compras dos consumidores, além do que já estava em vigor nos últimos meses. O Ministério do Comércio da China pretende lançar novas campanhas de compras e exposições de produtos de consumo para estimular os gastos, mas nada foi feito até agora para aumentar a renda ou a expectativa de aumento. Houve um salto nas exportações em março, à medida que os compradores tentaram antecipar as tarifas, mas as importações ficaram fracas, sugerindo uma demanda interna lenta. O sentimento do consumidor permanece próximo das mínimas históricas na China.
As chuvas no Centro-Oeste do Brasil – onde se concentra a maior parte da safra de milho safrinha – estiveram entre as mais baixas dos últimos 45 anos para o período, mas, até o momento, têm sido oportunas. As precipitações foram melhores em Mato Grosso do que nas regiões a leste e ao sul, mas, até agora, têm sido suficientes para preservar a safra que entra na fase crítica de polinização. Os índices NDVI baseados em satélite não são uma medida perfeita do potencial de rendimento, mas fornecem uma boa ideia sobre a saúde da lavoura. Os dados NDVI mais recentes, ponderados para Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná – que juntos respondem por cerca de 85% da safrinha – são os mais altos registrados para meados de abril desde 2001. Isso indica que, em geral, a safra está saudável, ainda que existam bolsões de estresse, como é comum. Ainda assim, será necessário manter chuvas oportunas ao longo de maio para garantir o potencial produtivo. A comercialização de soja e milho por parte dos produtores tem aumentado como consequência. Na verdade, nossas fontes do mercado físico acreditam que 70 carregamentos de soja foram vendidos no mercado de exportação apenas na semana passada – o que seria um recorde semanal, se confirmado. Mais ao norte, há possibilidade de boas chuvas atingirem áreas secas das planícies centrais e do sul dos EUA neste fim de semana. Essas chuvas serão críticas para a safra de trigo HRW, caso se concretizem.




