Comentários de Abertura
Com a aprovação apertada na Câmara — apenas um voto de diferença — o projeto de orçamento segue para o Senado, que adota uma postura bastante diferente em relação à proposta. Ainda assim, a medida superou mais um obstáculo importante rumo à aprovação final. Os futuros de ações mantiveram o tom mais fraco observado na quarta-feira durante a madrugada, elevando o VIX para perto de 22 nesta manhã, enquanto o dollar index operava próximo a 99,8. Os rendimentos dos títulos de 10 anos do Tesouro estavam em torno de 4,59%, após atingirem uma nova máxima de três meses, enquanto os rendimentos dos títulos de 2 anos operavam em torno de 3,98%. Os preços do petróleo bruto caem mais de 1% nesta manhã, refletindo novamente preocupações econômicas, enquanto o complexo de grãos e oleaginosas apresentou comportamento misto a predominantemente negativo durante a madrugada.
A margem foi a mais estreita possível para a aprovação do projeto de orçamento na Câmara dos Deputados na noite passada — apenas um voto. Ainda há muitos obstáculos pela frente, mas mais um foi superado. O Senado vê a situação de maneira bem diferente da Câmara, então o drama provavelmente continuará em Washington. Sua opinião sobre o projeto provavelmente depende de sua inclinação política. Aqueles inclinados à direita veem uma oportunidade de manter os cortes de impostos da era Trump 1.0 como benéficos para a economia, embora estejam desapontados com a falta de avanços para finalmente equilibrar o orçamento. No fim das contas, o projeto corta pouco os gastos de fato, embora reduza significativamente os aumentos automáticos e anuais nas despesas. Já os que se alinham à esquerda veem um aumento expressivo no déficit devido à extensão dos cortes de impostos, com algumas adições, embora não mencionem o enorme aumento de impostos que ocorreria caso o projeto não fosse aprovado.
Venho alertando há anos sobre as consequências dos déficits públicos, mas sempre me surpreende como o partido fora do poder reclama disso — até assumir o controle. A força da democracia é que o povo tem o que quer. A fraqueza da democracia é que o povo tem o que quer. As pessoas querem o que querem, quando querem, sem se preocupar em pagar a conta. Elas se interessam pouco em resolver o problema até que a dor ultrapasse os benefícios de obter o que desejam. Foi isso que aconteceu na Argentina. A dor da inflação de 200% superou os benefícios do que o governo oferecia. Não acredito que os americanos tenham sentido dor suficiente ainda para apoiarem seus representantes eleitos a fazerem o que precisa ser feito para colocar a casa em ordem.
A versão da Câmara do projeto de lei tributária traz implicações significativas para o setor de commodities, caso se mantenha nas negociações com o Senado — o que não é garantido. O projeto aprovado pela Câmara estende o Crédito de Produção de Combustível Limpo da Seção 45Z até 2031, mas apenas matérias-primas oriundas do Canadá, México e Estados Unidos poderão se qualificar para os créditos. A parte mais significativa da proposta é a exclusão da penalidade por Uso Indireto da Terra (ILUC) do cálculo da pontuação de intensidade de carbono a partir de 2026. A cláusula ILUC penalizava, por exemplo, o etanol produzido com milho, pois "assumia" que permitir o uso de milho dos EUA como matéria-prima para etanol implicaria na destruição da floresta amazônica no Brasil. Essa alegação é muito difícil de comprovar, mas vinha sendo usada nos cálculos do governo até então. A aprovação desse trecho ajudaria a qualificar o etanol como insumo para a produção de combustível sustentável para aviação, além de beneficiar outras matérias-primas. O projeto atual também proíbe que Entidades Estrangeiras de Interesse acessem os créditos da Seção 45Z. Agora o foco volta-se para a primeira reunião do dia do Escritório de Administração e Orçamento da Casa Branca, que discutirá as exigências de volume obrigatório (RVO) para os biocombustíveis, com esperanças de que em breve haja mais clareza sobre as metas de produção de biodiesel de biomassa e isenções para pequenas refinarias.
Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram para 227 mil na semana encerrada em 17 de maio, ante 229 mil na semana anterior, ficando abaixo das estimativas dos analistas de 230 mil. A média móvel de quatro semanas subiu para 231,5 mil nesta semana, ante 230,5 mil na anterior. Os pedidos contínuos para a semana encerrada em 10 de maio aumentaram em 36 mil, totalizando 1,903 milhão. Isso elevou a média móvel de quatro semanas para 1,888 milhão, um aumento de 17,5 mil em relação à semana anterior — o maior nível desde 27 de novembro de 2021. Os pedidos iniciais feitos por ex-funcionários civis federais totalizaram 595 na semana encerrada em 10 de maio, um aumento de 157 em relação à semana anterior. Os pedidos contínuos feitos por esse mesmo grupo caíram para 6.386 na semana encerrada em 3 de maio, uma redução de 185. Embora os pedidos semanais permaneçam baixos, os contínuos estão subindo lentamente.
Os preços da energia voltaram a cair nesta manhã, pressionados pelas preocupações com a demanda e pelo aumento dos estoques. Os preços continuam próximos ao custo de produção nas regiões de petróleo de xisto. Os mercados de grãos e oleaginosas registraram vários dias de ganhos expressivos, mas agora alguns vendedores começam a testar essa força. Um fim de semana prolongado se aproxima, com os mercados fechados na segunda-feira devido ao feriado do Memorial Day. As manchetes continuarão circulando. Junho logo chegará, e os traders de milho e soja passarão a focar cada vez mais nas previsões climáticas para o Meio-Oeste.






