Comentários de Abertura
Os futuros de ações dispararam na noite passada, à medida que os traders retornaram de um fim de semana prolongado de três dias. O otimismo tem origem no recuo do presidente Trump em sua ameaça de aplicar uma tarifa de 50% sobre a União Europeia em 1º de junho, voltando ao término da pausa original de 90 dias, que passaria a ser em 9 de julho. Isso nos traz um pouco mais de certeza para as próximas semanas, permitindo que as ações subam no início da semana. O VIX voltou a recuar, negociando perto de 21 nesta manhã, depois de ter ultrapassado 25 na sexta-feira. O dollar index está em torno de 99,2. Os títulos de 10 anos do Tesouro estão perto de 4,48%, enquanto os de 2 anos oscilam em torno de 3,98%. Os preços do petróleo bruto caíram quase 1% nesta manhã, negociando perto de US$ 61 por barril. Os mercados de grãos estiveram em sua maioria mais fracos, enquanto o mercado de soja se mostrou novamente mais firme nesta manhã, puxado pelo óleo de soja, já que os traders aguardam em breve uma decisão sobre biocombustíveis.
Os pedidos de bens duráveis caíram 6,3% em abril, após o presidente Trump impor suas tarifas recíprocas a vários países. Em março, esses pedidos haviam crescido 7,6%, pois muitos compradores anteciparam as compras antes das tarifas entrarem em vigor. Analistas previam uma contração de 8,1% em abril, de modo que os números não ficaram tão ruins quanto o esperado, embora ainda sejam péssimos. Boa parte dessa queda se deve a pedidos caros de transporte. Já os pedidos de bens duráveis sem transporte subiram 0,2%, depois de terem recuado 0,2% em março, superando a expectativa de analistas, que era de queda de 0,2%. No entanto, os pedidos de bens de capital básicos — tidos como termômetro do sentimento empresarial — caíram 1,3% em abril, após alta de 0,3% em março, pior do que a previsão de contração de 0,2%.
Grande parte do crescimento econômico da China tem sido sustentada por Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), ou seja, dinheiro estrangeiro aplicado diretamente na economia chinesa, incluindo sua bolsa de valores. Em abril, o IED na China recuou 11,9% na comparação anual, depois de ter avançado 13,2% em março. Ainda assim, no acumulado do ano, o IED está 10,9% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior, depois de ter caído 27,1% há um ano. Isso reflete uma tendência de vários anos: a China vem tendo cada vez mais dificuldade em atrair fluxo de capital externo para sustentar seu crescimento e, assim, recorre a mais endividamento público.
Os veículos elétricos são um dos setores que as autoridades chinesas escolheram para impulsionar a economia. O maior fabricante em solo chinês é a BYD, que anunciou um plano agressivo de corte de preços. Serão 22 modelos com valor abaixo de 150.000 yuans (US$ 20.820), com descontos de 10% a 30%, levando o modelo mais barato a 55.800 yuans (US$ 7.750). Espera-se que isso deflagre mais uma rodada de guerras de preço na China, impactando também as exportações de NEVs (veículos de nova energia) para o exterior. Esses cortes ilustram a sobrecapacidade chinesa em produção de elétricos, que depois são despejados no mercado internacional, provocando aumentos expressivos de tarifas em outros países para conter a entrada desses veículos de baixo custo. O novo ciclo de guerra de preços deve, assim, alimentar mais tensões comerciais em um momento de alta volatilidade.
Como já mencionei, a China está financiando a construção de uma ferrovia que sairá de Mato Grosso (Brasil) até o porto de Chancay (Peru), na costa do Pacífico — onde a COFCO da China detém 60% de participação. Mas o projeto é ainda maior: trata-se do Corredor Bioceânico Brasil-Peru, que ligará o porto de Chancay a Ilhéus (Brasil), na costa atlântica. A ferrovia transcontinental seria estratégica para a China, reduzindo em cerca de dez dias o transporte de milho, soja e minério de ferro do Brasil até lá, além de cortar custos logísticos. É mais um investimento chinês para diversificar sua dependência dos EUA por commodities essenciais.
A expectativa é que o USDA divulgue hoje à tarde seu relatório semanal de progresso e condições das lavouras, após ter ficado fechado ontem em razão do Memorial Day. O documento deve mostrar que tanto o milho quanto a soja estão sendo plantados de forma oportuna, com boa umidade na maior parte do Meio-Oeste. Deve também registrar alguns atrasos de semeadura em áreas do sul e leste da região, mas não de forma a afetar significativamente a safra, já que o restante do Meio-Oeste tem tido um início de temporada quase ideal. Ainda existem riscos de secura, que podem prejudicar o crescimento inicial das mudas na parte central do Meio-Oeste nas próximas uma a duas semanas, especialmente no norte de Illinois, noroeste de Indiana e partes de Missouri e Iowa. A atenção, porém, deve se voltar a padrões climáticos de mais longo prazo ao entrarmos em junho. Os meteorologistas alertam para elevados riscos de uma temporada de crescimento quente e seca nas porções central e ocidental da região neste verão, e as previsões de junho devem indicar se esse será o padrão predominante.






