Comentários de Abertura
Os índices acionários S&P 500 e Nasdaq estão a um passo das máximas históricas nesta manhã, refletindo o viés otimista do mercado — um contraste marcante em relação à situação de dois meses atrás. As incertezas sobre a guerra tarifária ainda persistem, com menos de um mês restante da pausa tarifária de 90 dias decretada pelo presidente Trump em abril, e com apenas um acordo comercial relevante firmado até o momento. Ainda assim, Wall Street faz o que sempre faz: adapta-se à incerteza. O índice VIX está novamente em um patamar relativamente baixo, negociado em torno de 17 nesta manhã, enquanto o dollar index gira em torno de 98,9. Os títulos de 10 anos do Tesouro dos EUA estão em torno de 4,45%, e os de 2 anos, perto de 3,99%. Os preços do petróleo bruto atingiram novas máximas de dois meses hoje, impulsionados por sinais técnicos e otimismo com as negociações comerciais com a China, enquanto o setor de grãos e oleaginosas teve desempenho misto a mais fraco.
O índice de otimismo das pequenas empresas da Federação Nacional de Negócios Independentes (NFIB) subiu para 98,8 em maio, levemente acima da média histórica de 51 anos do índice, que é de 98. O índice de maio superou os 95,8 registrados em abril e os 95,9 esperados por analistas. O aumento no otimismo foi impulsionado por expectativas mais positivas quanto às condições de negócios e vendas, embora o índice de incerteza também tenha subido para 94. A carga tributária foi considerada o principal problema por 18% dos empresários entrevistados — primeira vez que esse tema lidera desde dezembro de 2020. O economista-chefe da NFIB, Bill Dunkelberg, afirmou: “Embora o otimismo tenha se recuperado levemente em maio, a incerteza ainda é alta entre os donos de pequenas empresas. Enquanto as principais fontes de incerteza não forem resolvidas, a economia continuará a tropeçar, embora os empresários tenham reportado expectativas mais positivas quanto às condições de negócios e crescimento das vendas.” Em outras palavras, a incerteza não diminuiu — na verdade, aumentou — mas os donos de pequenos negócios estão se adaptando às novas condições e fazendo as coisas acontecerem.
O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, afirmou que as negociações comerciais com a China “estão indo bem e estamos passando muito tempo juntos.” A menção ao tempo compartilhado é relevante, já que relacionamento e respeito são componentes cruciais para as negociações na cultura chinesa. Isso foi essencial para o sucesso das conversas em Lake Geneva, em 10 e 11 de maio, e parece estar em jogo novamente esta semana em Londres. Não se espera que China e Estados Unidos resolvam todos os seus problemas nessas reuniões em Londres, mas há um padrão em que, a cada encontro, os dois lados anunciam algum tipo de acordo — ao menos tem sido assim até agora. Tanto Lutnick quanto o presidente Trump repetem que negociar com a China “não é fácil”, o que demonstra respeito. Xi Jinping, presidente chinês, precisa manter a imagem de que está enfrentando o “valentão” — retrato que a mídia estatal chinesa pintou de Trump — para não parecer fraco diante do povo. Trump parece entender isso e permite que Xi mantenha essa narrativa em benefício do progresso das negociações. A China encontrou uma carta na manga: seus minerais de terras raras, essenciais para a produção de eletrônicos. No entanto, também precisa do acesso à tecnologia norte-americana usada na fabricação de semicondutores avançados.
Segundo o USDA, até 8 de junho, 97% da safra de milho dos EUA havia sido plantada, igualando a média dos últimos cinco anos para o período. O plantio de soja estava em 90%, acima da média de 88%. O fator crítico é que as regiões do norte e oeste do cinturão agrícola — que costumam registrar as primeiras geadas — apresentaram progresso adiantado. Os atrasos no plantio ainda são motivo de preocupação, mas agora se concentram nas regiões sul e leste, onde há um pouco mais de tempo. Ambas as culturas estão em boas condições, beneficiadas pelas temperaturas mais elevadas na última semana. Vale lembrar que as avaliações semanais das lavouras são quase um concurso de beleza — um julgamento visual do estado das plantações. Elas nunca parecem boas em temperaturas frias, mas geralmente se recuperam com a chegada de calor, o que ocorreu na última semana. A safra de milho foi classificada como 71% Boa a Excelente, um aumento de 2 pontos na semana e 1 ponto acima da média de cinco anos. A soja ficou em 68% Boa a Excelente, com alta de 1 ponto na semana e também acima da média histórica. O trigo de inverno melhorou para 54% Boa a Excelente, frente a 52% na semana anterior e bem acima da média de 43%. O plantio do trigo de primavera também está adiantado neste ano, com 53% da safra avaliada como Boa a Excelente — alta de 3 pontos na semana, embora ainda 8 pontos abaixo da média de cinco anos.
O mercado físico do boi gordo explodiu na semana passada, alcançando novas máximas históricas, com o preço médio acima de US$ 231 por cwt no Kansas e próximo de US$ 242 por cwt em Nebraska. O ritmo de abate também aumentou, girando em torno de 580 mil cabeças por semana, indicando que os frigoríficos estão antecipando pedidos para a alta temporada de churrascos, que inclui o Dia dos Pais e o 4 de Julho. A dúvida agora é se haverá demanda suficiente para sustentar esses preços, apesar dos estoques baixos, após o fim da temporada de churrascos. Tem sido, de fato, uma trajetória histórica.




