Nos últimos 15 dias a condição climática foi favorável, com chuvas um pouco mais generalizadas e frequentes, mas com volumes heterogêneos.
Algumas áreas estão conseguindo recuperar parte do potencial produtivo, porém outras que já estavam em seu estágio final não chegaram a apresentar melhora.
A colheita já começa a se tornar uma cena mais comum no estado. As primeiras lavouras plantadas já estão encerrando seu ciclo e outras estão antecipando o ciclo, dando condições de colheita antes do esperado. Apesar de ainda ser um percentual pouco representativo, as áreas que estão sendo colhidas apresentam reportes de produtividade abaixo do que costuma ser a realidade do estado para esse período.
Conforme a colheita vai avançando teremos melhor visibilidade do quanto será produzido no Mato Grosso.
Goiás
No sudoeste goiano, vimos uma segunda quinzena de dezembro se destacar em relação à primeira metade do mês. O padrão climático de calor acima da média seguiu sendo constante, porém os volumes de chuvas voltaram a atingir acumulados positivos para quase toda nossa área de soja. Chuvas infelizmente vieram tarde demais em algumas regiões e vimos o nosso potencial produtivo reduzir drasticamente. Desse modo, consideramos hoje uma quebra de 8% para a maior mesorregião produtora de Goiás, com média final ficando estimada por hora em 63,48 sc/ha (3,87 ton/ha), número esse que acaba ajudando muito na média final estimada para Goiás, pois as outras regiões estão com uma situação mais delicada. Olhando para o estado como um todo, falamos hoje em 59,55 sc/ha (3,57 ton/ha). Em resumo, nosso número atual fica 8,38% abaixo da produção inicial estimada para safra 2023/24 goiana e 11,33% abaixo da produção goiana em 2022/23.
O Mato Grosso do Sul registrou chuvas abaixo da média nos últimos 15 dias. No norte do estado, onde a quantidade de chuva se aproximou mais da média, as precipitações foram suficientes para manter a quebra entre 5% a 10% em relação às expectativas iniciais; enquanto o sul, com suas altas temperaturas e quantidade hídrica menor, começa a preocupar, sendo de suma importância as chuvas nos próximos dias, principalmente porque o sul do estado concentra a maior parte da produção. A estimativa de produtividade para o estado é de 58sc/ha (3,48 ton/ha).
O clima seguiu beneficiando os trabalhos de campo nas últimas semanas, tais como a finalização da semeadura de soja, que já atinge 98% da área prevista, e o início da colheita do milho safra verão.
Para a soja, as expectativas de produtividade e produção seguem otimistas. De modo geral, o estande das lavouras implantadas a partir do início de dezembro é superior ao observado nas lavouras de novembro, resultando em menos necessidade de replantes. Na metade sul do estado, apesar dos relatos de replantes, o tempo seco das últimas semanas combinado com precipitações ainda recorrentes vem favorecendo o desenvolvimento da cultura, assim como nas demais regiões do estado.
A colheita da safra de milho foi iniciada em algumas regiões do estado, mas representa ainda aproximadamente 4% da área cultivada. As projeções de rendimento permanecem variáveis: parte dos cultivos mantém o potencial inicial; e parte sofreu reduções devido à incidência de doenças ou de danos decorrentes do clima adverso ao longo do ciclo. Os relatos iniciais apontam também problemas de qualidade do grão colhido.
No Paraná estamos observando um bom desenvolvimento das safras de soja e milho verão. Até o momento, a safra de soja encontra-se com 88% das lavouras em condições boas e excelentes, melhora de 2% frente à semana passada, 11% médias e 1% ruins. Estima-se que 34% das lavouras estão em fase de frutificação e 36% de floração. Tivemos alguns reportes de ferrugem surgindo em locais isolados e registros de maior dificuldade no estabelecimento das plantas, tudo isso devido ao excesso de chuvas e umidade, o que irá reduzir minimamente o potencial produtivo dessas regiões isoladas.
Para o milho verão, estima-se que até o momento 80% das lavouras estão em condições B/E, 17% médias e 3% ruins. Para o cereal, 4% das lavouras já estão em fase de maturação, 53% em estágio de frutificação, 30% em floração e 13% em desenvolvimento vegetativo.
Semana de tempo mais aberto, com chuvas irregulares e temperaturas amenas, irá auxiliar as regiões que já estão iniciando a colheita no estado.
As regiões do Paranapanema, Itaberá e Itapetininga vêm recebendo chuvas apesar do calor excessivo registrado no estado como um todo. Desta forma, ainda não são observados impactos muito significativos, embora a alta das temperaturas possa afetar algumas lavouras no estágio atual.
Já na região de Cândido Mota e Assis, as chuvas continuam bastante irregulares, com produtores reportando o uso de pivôs em algumas das suas áreas que possuem esta alternativa. O mesmo movimento foi reportado para a região de São João da Boa Vista, Vargem Grande do Sul e Casa Branca. Reportes de calor intenso, chuvas espaçadas e rápidas, com uso de pivôs em lavouras que possuem a tecnologia.
Por fim, a região de São José do Rio Preto, Jales e Catanduva, reporta calor intenso e chuvas espaçadas, realidade parecida com a da maior parte de São Paulo. Possivelmente o padrão climático dos últimos dias deve ainda afetar a produtividade do estado, fazendo com que a produção seja levemente reduzida em relação ao potencial esperado no início da safra.
Volume total estimado no estado (soja): 5,34 milhões de t / Produtividade estimada: 60,14 sc/ha | 3,6084 t/ha.
Volume total estimado no estado (milho 1ª safra): 2,34 milhões de t / Produtividade estimada: 150 sc/ha | 9,0 t/ha.
Minas Gerais
Em Minas Gerais, devido à falta de chuva identificada no começo e meio do ciclo 23/24 no Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas, pode-se estimar uma redução da produtividade em relação ao inicialmente esperado no estado. As regiões, que juntas correspondem a aproximadamente 80% do volume cultivado em Minas Gerais, sofreram com o calor intenso e a falta de chuvas, o que resultou em replantio de algumas áreas e sofrimento de plantas que estavam no estágio inicial do desenvolvimento.
No entanto, quando observamos o desenvolvimento das lavouras na região sul do estado notamos um desenvolvimento dentro da normalidade, apesar do estresse hídrico nas primeiras semanas do ciclo. Portanto, para a região que representa aproximadamente 10% da produção do estado de Minas Gerais, não devemos observar problemas de produtividade.
Bahia
Os trabalhos de plantio já foram encerrados na região. As chuvas que estavam previstas para a segunda quinzena de dezembro não vieram de forma generalizada, pelo contrário, continuaram vindo de forma irregular e pouco distribuídas. Esse déficit hídrico, somado ao forte calor, tem feito o potencial produtivo da região reduzir. A StoneX iniciou com uma perspectiva de rendimento médio das lavouras de soja de 66 sc/ha (3,94 ton/ha) e hoje já considera um rendimento médio de cerca de 59 sc/ha (3,54 ton/ha). Para o início do próximo ano está previsto bons volumes de chuvas, o que pode trazer um certo alívio para as lavouras.
BASIS: Maio/24: -268c/bu (SK4)
Em Rondônia, os problemas hídricos têm preocupado os produtores rondonienses. As altas temperaturas e o estresse hídrico têm comprometido de forma mais incisiva a produtividade e promovido o encurtamento das janelas de cultivo. O IDARON, principal agência sanitária, estendeu o prazo de plantio de soja e considera através de estimativas uma redução da produção total de ambas as culturas (soja e milho) de até 60% devido aos problemas climáticos. Vale ponderar que no milho poderá haver uma redução de até 90% da área plantada, devido à falta de janela de plantio para 2024.
Norte/Nordeste
Norte do Paraguai (Região Oriental: Canindeyú, San Pedro e Alto Paraná acima da Rota 2)
A região norte do Paraguai recebeu uma forte onda de calor nas últimas semanas o que adiantou o início das colheitas na região. As produtividades nessas primeiras áreas têm sido bastante variáveis (1.500kg/ha a 3.000kg/ha, ou 25sc/ha a 50 sc/ha). Nos últimos dias, a maior parte da região recebeu volumes de chuva entre 40mm e 100mm, o que é bem-vindo para grande parte das lavouras, que estão em fase de enchimento de grãos. A comercialização segue parada com basis girando entorno de -285c/bu (SK24).
Sul do Paraguai (Região Oriental: Caaguazú, Itapúa e Alto Paraná abaixo da Rota 2)
No geral, a região sul do Paraguai segue com condições climáticas muito boas, assim como durante quase toda a safra. A colheita deve se iniciar nas próximas semana e a expectativa para as primeiras áreas gira entorno dos 3.000 kg/ha (50 sc/ha). Assim, como no norte do país a comercialização seguiu travada nas últimas semanas, com o produtor esperando alguma melhora no basis.
Basis Encarnacion: -270c/bu (SK24).
Brasil | Índice de Saúde da Vegetação (VHI)
Fonte: NOAA. Elaboração: StoneX.
Paraguai | Índice de Saúde da Vegetação (VHI)
Fonte: NOAA. Elaboração: StoneX.









