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Comentários de Safra | Brasil e Paraguai

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Comentários de Safra | Brasil e Paraguai
 
João Pedro Lopes
Analista de Inteligência de Mercado
Larissa Barboza Alvarez
Analista de Inteligência de Mercado
Mato Grosso
Rafael Sartori
Consultor em Gerenciamento de Riscos | Primavera do Leste - MT

 

Nos últimos 15 dias a condição climática foi favorável, com chuvas um pouco mais generalizadas e frequentes, mas com volumes heterogêneos.

Algumas áreas estão conseguindo recuperar parte do potencial produtivo, porém outras que já estavam em seu estágio final não chegaram a apresentar melhora. 

A colheita já começa a se tornar uma cena mais comum no estado. As primeiras lavouras plantadas já estão encerrando seu ciclo e outras estão antecipando o ciclo, dando condições de colheita antes do esperado. Apesar de ainda ser um percentual pouco representativo, as áreas que estão sendo colhidas apresentam reportes de produtividade abaixo do que costuma ser a realidade do estado para esse período. 

Conforme a colheita vai avançando teremos melhor visibilidade do quanto será produzido no Mato Grosso.

 

Goiás

Guilherme Martins
Consultor em Gerenciamento de Riscos | Rio Verde - GO

 

No sudoeste goiano, vimos uma segunda quinzena de dezembro se destacar em relação à primeira metade do mês. O padrão climático de calor acima da média seguiu sendo constante, porém os volumes de chuvas voltaram a atingir acumulados positivos para quase toda nossa área de soja. Chuvas infelizmente vieram tarde demais em algumas regiões e vimos o nosso potencial produtivo reduzir drasticamente. Desse modo, consideramos hoje uma quebra de 8% para a maior mesorregião produtora de Goiás, com média final ficando estimada por hora em 63,48 sc/ha (3,87 ton/ha), número esse que acaba ajudando muito na média final estimada para Goiás, pois as outras regiões estão com uma situação mais delicada. Olhando para o estado como um todo, falamos hoje em 59,55 sc/ha (3,57 ton/ha). Em resumo, nosso número atual fica 8,38% abaixo da produção inicial estimada para safra 2023/24 goiana e 11,33% abaixo da produção goiana em 2022/23.

 

Mato Grosso do Sul
João Victor Lepre
Consultor em Gerenciamento de Riscos | Campo Grande - MS

 

O Mato Grosso do Sul registrou chuvas abaixo da média nos últimos 15 dias. No norte do estado, onde a quantidade de chuva se aproximou mais da média, as precipitações foram suficientes para manter a quebra entre 5% a 10% em relação às expectativas iniciais; enquanto o sul, com suas altas temperaturas e quantidade hídrica menor, começa a preocupar, sendo de suma importância as chuvas nos próximos dias, principalmente porque o sul do estado concentra a maior parte da produção. A estimativa de produtividade para o estado é de 58sc/ha (3,48 ton/ha).

 

Rio Grande do Sul
Sílvia Bampi
Consultora em Gerenciamento de Riscos | Passo Fundo - RS

 

O clima seguiu beneficiando os trabalhos de campo nas últimas semanas, tais como a finalização da semeadura de soja, que já atinge 98% da área prevista, e o início da colheita do milho safra verão. 

Para a soja, as expectativas de produtividade e produção seguem otimistas. De modo geral, o estande das lavouras implantadas a partir do início de dezembro é superior ao observado nas lavouras de novembro, resultando em menos necessidade de replantes. Na metade sul do estado, apesar dos relatos de replantes, o tempo seco das últimas semanas combinado com precipitações ainda recorrentes vem favorecendo o desenvolvimento da cultura, assim como nas demais regiões do estado.

A colheita da safra de milho foi iniciada em algumas regiões do estado, mas representa ainda aproximadamente 4% da área cultivada. As projeções de rendimento permanecem variáveis: parte dos cultivos mantém o potencial inicial; e parte sofreu reduções devido à incidência de doenças ou de danos decorrentes do clima adverso ao longo do ciclo. Os relatos iniciais apontam também problemas de qualidade do grão colhido.

 

Paraná
Rodrigo Dib
Consultor em Gerenciamento de Riscos | Maringá - PR

 

No Paraná estamos observando um bom desenvolvimento das safras de soja e milho verão. Até o momento, a safra de soja encontra-se com 88% das lavouras em condições boas e excelentes, melhora de 2% frente à semana passada, 11% médias e 1% ruins. Estima-se que 34% das lavouras estão em fase de frutificação e 36% de floração. Tivemos alguns reportes de ferrugem surgindo em locais isolados e registros de maior dificuldade no estabelecimento das plantas, tudo isso devido ao excesso de chuvas e umidade, o que irá reduzir minimamente o potencial produtivo dessas regiões isoladas.

Para o milho verão, estima-se que até o momento 80% das lavouras estão em condições B/E, 17% médias e 3% ruins. Para o cereal, 4% das lavouras já estão em fase de maturação, 53% em estágio de frutificação, 30% em floração e 13% em desenvolvimento vegetativo.

Semana de tempo mais aberto, com chuvas irregulares e temperaturas amenas, irá auxiliar as regiões que já estão iniciando a colheita no estado.
 

São Paulo
Yedda Monteiro
Consultora em Gerenciamento de Riscos | Campinas - SP
 
Guilherme Bernardinelli 
Consultor em Gerenciamento de Riscos | Campinas - SP
 

As regiões do Paranapanema, Itaberá e Itapetininga vêm recebendo chuvas apesar do calor excessivo registrado no estado como um todo. Desta forma, ainda não são observados impactos muito significativos, embora a alta das temperaturas possa afetar algumas lavouras no estágio atual.

Já na região de Cândido Mota e Assis, as chuvas continuam bastante irregulares, com produtores reportando o uso de pivôs em algumas das suas áreas que possuem esta alternativa. O mesmo movimento foi reportado para a região de São João da Boa Vista, Vargem Grande do Sul e Casa Branca. Reportes de calor intenso, chuvas espaçadas e rápidas, com uso de pivôs em lavouras que possuem a tecnologia.

Por fim, a região de São José do Rio Preto, Jales e Catanduva, reporta calor intenso e chuvas espaçadas, realidade parecida com a da maior parte de São Paulo. Possivelmente o padrão climático dos últimos dias deve ainda afetar a produtividade do estado, fazendo com que a produção seja levemente reduzida em relação ao potencial esperado no início da safra.

Volume total estimado no estado (soja): 5,34 milhões de t / Produtividade estimada: 60,14 sc/ha | 3,6084 t/ha.

Volume total estimado no estado (milho 1ª safra): 2,34 milhões de t / Produtividade estimada: 150 sc/ha | 9,0 t/ha.

 

Minas Gerais

Pedro Moraes
Consultor em Gerenciamento de Riscos | Campinas - SP

 

Em Minas Gerais, devido à falta de chuva identificada no começo e meio do ciclo 23/24 no Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas, pode-se estimar uma redução da produtividade em relação ao inicialmente esperado no estado. As regiões, que juntas correspondem a aproximadamente 80% do volume cultivado em Minas Gerais, sofreram com o calor intenso e a falta de chuvas, o que resultou em replantio de algumas áreas e sofrimento de plantas que estavam no estágio inicial do desenvolvimento. 

No entanto, quando observamos o desenvolvimento das lavouras na região sul do estado notamos um desenvolvimento dentro da normalidade, apesar do estresse hídrico nas primeiras semanas do ciclo. Portanto, para a região que representa aproximadamente 10% da produção do estado de Minas Gerais, não devemos observar problemas de produtividade.

 

Bahia

Vinicius Gonçalves
Consultor em Gerenciamento de Riscos | Luís Eduardo Magalhães - BA

 

Os trabalhos de plantio já foram encerrados na região. As chuvas que estavam previstas para a segunda quinzena de dezembro não vieram de forma generalizada, pelo contrário, continuaram vindo de forma irregular e pouco distribuídas. Esse déficit hídrico, somado ao forte calor, tem feito o potencial produtivo da região reduzir. A StoneX iniciou com uma perspectiva de rendimento médio das lavouras de soja de 66 sc/ha (3,94 ton/ha) e hoje já considera um rendimento médio de cerca de 59 sc/ha (3,54 ton/ha). Para o início do próximo ano está previsto bons volumes de chuvas, o que pode trazer um certo alívio para as lavouras.

BASIS: Maio/24:  -268c/bu (SK4)

 

Rondônia
Leonardo Zordan
Consultor em Gerenciamento de Riscos | Campo Novo do Parecis - MT

 

Em Rondônia, os problemas hídricos têm preocupado os produtores rondonienses. As altas temperaturas e o estresse hídrico têm comprometido de forma mais incisiva a produtividade e promovido o encurtamento das janelas de cultivo. O IDARON, principal agência sanitária, estendeu o prazo de plantio de soja e considera através de estimativas uma redução da produção total de ambas as culturas (soja e milho) de até 60% devido aos problemas climáticos. Vale ponderar que no milho poderá haver uma redução de até 90% da área plantada, devido à falta de janela de plantio para 2024.

 

Norte/Nordeste

Danilo Moura
Consultor em Gerenciamento de Riscos | Rio Verde - GO
 
Caio Cardoso
Consultor em Gerenciamento de Riscos | Goiânia - GO
Daniel Cristino
Consultor em Gerenciamento de Riscos | Rio Verde - GO

 

Maranhão: No momento, observa-se um misto de áreas onde choveu bem, com áreas onde choveu pouco nos últimos 15 dias. Os mapas que indicam a saúde vegetal mostram uma significativa melhora na condição de saúde vegetal em comparação com os primeiros dias de dezembro, embora os níveis ainda sejam inferiores aos níveis registrados no mesmo período do ano passado.

Apesar da melhora nas condições climáticas, o plantio da safra atual está 26 pontos atrasado em relação à última safra. Na mesma semana do ano anterior, 100% da área estimada da safra de soja 22/23 estava cultivada, enquanto o levantamento mais recente, em 29 de dezembro, mostra apenas 74%. O plantio está sendo finalizado na região de Balsas, no sul do estado. Nas demais áreas o plantio segue em andamento. 

A safra 23/24 segue pouco comercializada. Há preocupação quanto aos volumes, uma vez que já visualizam uma redução importante de safra, aliada à uma expectativa por parte dos produtores de melhora de preços. Poucos negócios foram reportados nos últimos dias. 

Os mapas indicam boas quantidades de chuvas para janeiro, fevereiro e março de 2024, meses importantes para o desenvolvimento da nova safra, o que alivia as tensões na região. 
O plantio do milho verão está ocorrendo aos poucos, nas áreas do sul, centro e oeste maranhense.  

 

Piauí: A semeadura está ocorrendo de forma descompassada devido às irregularidades climáticas. O último levantamento da StoneX, em 29 de dezembro, indica que o plantio atingiu 83% da área prevista para a semeadura de soja, em comparação com 100% na mesma semana do ano passado. Apesar da irregularidade climática e das altas temperaturas registradas, a condição geral das lavouras é boa. Na região sudoeste do estado, principal produtora, foi reportado chuvas com volumes entre 20 e 70mm. A previsão para os próximos dias é favorável, indicando uma melhora na frequência e intensidade das chuvas ao longo dos primeiros 15 dias de 2024.

 

Tocantins: A região sudeste do estado apresentou o menor índice de umidade do solo, houve piora na condição de saúde vegetal conforme indicado nos mapas de saúde da vegetação. O acompanhamento está sendo desafiador, em função da variação de condições entre áreas com baixa, média e boa umidade. As lavouras estão em diferentes estágios fenológicos, com relatos de áreas em que estão sofrendo com o abortamento de flores devido às altas temperaturas.

Para o início do próximo ano, as últimas projeções indicam melhora na frequência e intensidade das chuvas. 

Atualmente os produtores estão pouco comercializados para a safra 23/24, antecipando uma importante redução na safra, e não devem comercializar muito nos próximos dias devido à redução nas possibilidades. O último levantamento da StoneX indica que 38,5% da safra 23/24 foi comercializada, o que equivale ao volume virtual de 1,6 milhão de toneladas, considerando a produção estimada de 4,175 milhões de toneladas.

 

Pará: As condições climáticas continuam desfavoráveis, com a baixa umidade prejudicando o andamento do plantio. A semeadura de soja foi concluída em alguns municípios do sudeste paraense e da região da BR-163, porém o plantio no estado está estimado em 69%, em comparação com 90% no mesmo período do ano anterior. Os mapas de saúde vegetal melhoraram em relação ao início de dezembro, todavia ainda estão piores em comparação ao registrado no mesmo período do ano anterior. Chuvas na forma de pancadas isoladas foram relatadas, especialmente na região nordeste do estado.

As previsões para os primeiros meses de 2024 são favoráveis, com as áreas ao sul esperando receber os maiores volumes de chuva.

 

Norte do Paraguai (Região Oriental: Canindeyú, San Pedro e Alto Paraná acima da Rota 2)

Thiago Vessoni
Consultor em Gerenciamento de Riscos | Katueté - PY

 

A região norte do Paraguai recebeu uma forte onda de calor nas últimas semanas o que adiantou o início das colheitas na região. As produtividades nessas primeiras áreas têm sido bastante variáveis (1.500kg/ha a 3.000kg/ha, ou 25sc/ha a 50 sc/ha). Nos últimos dias, a maior parte da região recebeu volumes de chuva entre 40mm e 100mm, o que é bem-vindo para grande parte das lavouras, que estão em fase de enchimento de grãos. A comercialização segue parada com basis girando entorno de -285c/bu (SK24). 

 

Sul do Paraguai (Região Oriental: Caaguazú, Itapúa e Alto Paraná abaixo da Rota 2)

Caio da Ros 
Consultor em Gerenciamento de Riscos | Assunção - PY

 

No geral, a região sul do Paraguai segue com condições climáticas muito boas, assim como durante quase toda a safra. A colheita deve se iniciar nas próximas semana e a expectativa para as primeiras áreas gira entorno dos 3.000 kg/ha (50 sc/ha). Assim, como no norte do país a comercialização seguiu travada nas últimas semanas, com o produtor esperando alguma melhora no basis.

Basis Encarnacion: -270c/bu (SK24). 

 

 

 
 

Brasil | Índice de Saúde da Vegetação (VHI) 

image 86983

Fonte: NOAA. Elaboração: StoneX.
 

Paraguai | Índice de Saúde da Vegetação (VHI) 

image 86984

Fonte: NOAA. Elaboração: StoneX.
 
 Previsão de precipitação (02/jan - 08/jan)

image 86980
Fonte: US NOAA. Elaboração StoneX, 2024.
Previsão de precipitação (02/jan - 15/jan)

image 86981
Fonte: US NOAA. Elaboração StoneX, 2024.
 
 
 
 
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