Na terça-feira, dia 06, o contrato mais ativo do Brent fechou com queda de 1,7%, posicionando-se em USD 60,7 bbl. Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, alcançando USD 57,1 bbl (-2,04%).
Após iniciar a sessão em alta, os futuros do petróleo reverteram os ganhos ao longo do dia, com as expectativas de impactos mínimos da situação venezuelana sobre o balanço global influenciando na movimentação baixista dos preços ao longo do período.
Hoje pela manhã (07), o contrato do Brent para vencimento em março de 2026 é negociado em leve queda, em torno de USD 60,5 bbl (-0,3%) até as 09h10. O anúncio feito por Donald Trump sobre um novo acordo de fornecimento de petróleo pela Venezuela aos EUA pressiona para baixo as cotações da commodity, com o mercado precificando um balanço menos apertado nos próximos meses.
Trump anuncia compra de petróleo venezuelano
Hoje, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou que o país irá refinar e vender 50 milhões de barris de petróleo sancionado da Venezuela, sendo a “primeira medida para reviver o setor petrolífero venezuelano”. Tal confirmação acabou por reduzir os receios dos investidores sobre eventuais disrupções de curtíssimo prazo das exportações do país da América do Sul, ampliando as expectativas de um aumento das vendas da commodity ao exterior.
Ao mesmo tempo, a situação gerou um desconforto na China, que denunciou os EUA de redirecionar as vendas venezuelanas ao mercado chinês para outros players. Vale destacar que, em 2025, a China importou 0,4 mbpd do petróleo pesado venezuelano, representando apenas 4% de todas as compras chinesas da commodity. Diante do novo cenário geopolítico, as expectativas do mercado são de que o país asiático amplie as compras de petróleo fornecido pelo Irã e pela Rússia, que também possuem um tipo de petróleo mais pesado.
No geral, apesar dos riscos geopolíticos mais elevados, os investidores enxergam impactos mínimos da situação sobre o balanço global, com as perspectivas se mantendo de uma certa facilidade por parte do mercado chinês de reorientar as suas compras por outras origens, ainda mais em um contexto de ampla oferta no mercado internacional.
Importações de gasolina pelo Brasil registram alta expressiva
De acordo com o MDIC, as importações de combustíveis em dezembro registaram forte alta frente o mês anterior, com destaque maior para a gasolina A. O indicador para o combustível leve alcançou 958 mil m³, um crescimento de 190,5% no comparativo anual e quase o dobro em relação a novembro – sendo o segundo maior resultado da série histórica, atrás apenas das importações de dez/22. Em geral, a manutenção de uma demanda mais elevada por gasolina C no país contribui para a necessidade de importação, mas esse impulso no último bimestre está bem mais associado à ampliação da defasagem dos preços da Petrobras, que ao longo de dezembro operaram em quase R$ 0,3/L, tornando mais vantajoso internalizar produto externo do que adquirir da estatal.
Com essa atratividade do mercado externo, as importações de gasolina A somaram 3,67 milhões m³ em 2025, uma alta de 27,6% frente ao ano anterior. Esse crescimento se concentrou apenas entre novembro e dezembro, revertendo completamente a tendência que tinha se estabelecido nos bimestres anteriores, quando a paridade por vezes se mostrou desfavorável para importação, especialmente na primeira metade do ano. Assim, enquanto essa janela de importação se manter aberta com a amplitude que assumiu desde o final de novembro, entende-se que as importações deverão seguir em patamar mais elevado, com o resultado de janeiro estendendo esse crescimento ainda que em volume menor ao registrado no final de 2025.
No caso do diesel, as importações seguiram elevadas, com o MDIC registrando um volume internalizado de 1,55 milhão de m³ em dezembro – marcando alta de 57% frente ao mesmo período do ano passado. Tal cenário acaba refletindo a manutenção de uma demanda por diesel B fortalecida no país e uma janela de importação aberta ao longo de quase todo o mês – com o recuo dos preços do combustível no mercado internacional influenciando nesse cenário.
Um fator que chamou a atenção se deu na recuperação das importações de diesel russo, indo de 225 mil m³ em novembro para 633 mil m³ em dezembro. Tal movimentação acaba refletindo uma melhora do abastecimento doméstico da Rússia, que entre agosto e novembro sofreu com uma redução da sua capacidade de refino de petróleo em meio às ofensivas ucranianas contra centros de processamento. Apesar da recuperação da participação do país do Leste Europeu, os EUA seguiram como principal vendedor da commodity ao Brasil, com 704 mil m³ destinados ao mercado brasileiro.
TABELA DE COTAÇÕES (FECHAMENTO DA ÚLTIMA SESSÃO)

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.