No dia 29, o contrato com maior liquidez do Brent fechou com alta de 3,3%, posicionando-se em USD 69,6 bbl. Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, operando ao redor dos USD 65,4 bbl (+3,5%).
Os futuros do petróleo atingiram o maior valor desde julho de 2025, com o aumento expressivo dos prêmios de risco de oferta no Oriente Médio resultando nesse forte suporte aos preços da commodity.
Hoje pela manhã (30), o contrato do Brent para vencimento em abril de 2026 recua, cotado a USD 68,9 bbl (-1,05%) até as 08h50. A confirmação feita por Trump sobre uma negociação com o Irã para um novo acordo nuclear e a retirada das sanções dos EUA sobre o petróleo venezuelano são os principais fatores que reduzem os ganhos registrados na sessão passada.
Trump confirma possível negociação com Irã
Após rumores de uma possível ação militar pelos EUA contra lideranças iranianas, o presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou que pretende dialogar com o governo iraniano para buscar um novo acordo nuclear. A fala acabou por reduzir parte dos temores dos agentes do mercado, que enxergam com bastante apreensão uma nova incursão militar norte-americana no Oriente Médio. Conforme explicado no último Diário de Petróleo:
“A situação acaba gerando um forte suporte aos futuros do petróleo, em meio à uma ampliação dos prêmios de risco de oferta da commodity no Oriente Médio. Vale destacar que, apesar do Irã ser um importante produtor de petróleo – com uma oferta de 3,2 milhões de barris por dia (ou 3% da produção global –, a preocupação não se restringe somente à impactos produtivos e logísticos no país, mas sim a todos os players que escoam a sua produção do Golfo Pérsico ao Mar Arábico através do Estreito de Hormuz, como Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. Atualmente, cerca de 25% de toda a oferta global de petróleo é transportada por essa via para importantes regiões consumidoras, como Ásia e Europa.”
Vale destacar que, apesar da redução do tom, Trump seguiu afirmando que os EUA contam com uma frota de navios e aviões em bases militares próximas ao Irã, o que ajuda a manter os prêmios de risco de oferta ainda elevados.
Caso, nos próximos dias, os investidores observem uma amenização das ameaças e um avanço das conversas entre os dois governos, os futuros do petróleo devem voltar a recuar de maneira mais acelerada. Ainda assim, considerando o histórico de negociações de um acordo nuclear, é improvável que Teerã decide por reduzir ou eliminar os estoques de urânio enriquecido existentes no país, de modo que a tendência se mantém de uma continuidade das tensões na região no curto prazo.
EUA retira algumas sanções sobre petróleo venezuelano
Em uma movimentação que já vinha sendo antecipada pelo mercado, os EUA anunciaram a retirada de algumas sanções contra as exportações de petróleo pela Venezuela, facilitando o escoamento do produto para outros centros consumidores.
Agora, “as empresas norte-americanas podem comprar, vender, transportar e refinar o petróleo da Venezuela”, o que garante o escoamento de mais petróleo pesado ao mercado norte-americano, principalmente em regiões que contam com uma capacidade de destilação desse tipo da commodity. Vale destacar que as sanções relacionadas à produção de petróleo na Venezuela por companhias norte-americanas seguem vigentes, de modo que apenas a Chevron segue com a permissão para atuar no país.
Nesse sentido, é esperado que um maior fluxo de barris venezuelanos siga se destinando ao território norte-americano, com um menor número de barris sendo escoado ao mercado chinês – que era o principal destino do petróleo da Venezuela antes da captura de Nicolás Maduro. Dessa forma, conforme relatado anteriormente pela StoneX, a tendência se mantém de uma busca maior pela China do petróleo russo e iraniano, que são produtos parecidos ao comercializado pelo país da América Latina.
Outros fatores que influenciam o petróleo neste momento
- Produção de petróleo nos EUA ainda impactada pela passagem do vórtex polar, com cerca de 500 kbpd de capacidade offline; ↑
- OPEP+ deve manter decisão de não promover novos aumentos produtivos em março; ↑
- Normalização da produção de petróleo pelo campo de Tengiz, no Cazaquistão; ↓
- Recuperação do dólar em meio à redução das ameaças norte-americanas sobre o Irã. ↓
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: CmdtyView. Elaboração: StoneX.