Ontem (04), o contrato mais ativo do Brent fechou em estabilidade, totalizando USD 81,4 bbl. Os futuros do WTI seguiram trajetória parecida, encerrando o dia em USD 74,66 bbl (+0,13%).
A acomodação dos preços na quarta-feira refletiu a cautela do mercado após dias intensos de alta, com investidores buscando avaliar se haveria uma retomada da navegação pelo estreito de Ormuz.
Hoje pela manhã (05), o contrato do Brent para vencimento em maio de 2026 operando com avanços de 2,73%, cotado a USD 82,6 bbl até as 09h15. Os preços do petróleo voltaram a subir com notícias de ataques a navios no Golfo Pérsico, e os fluxos de petróleo e derivados seguindo retidos.
Explosão de tanker na costa do Kuwait e atualizações sobre o conflito
A disrupção de fluxos no estreito de Ormuz persiste no sexto dia de conflito, e notícias de alguns navios no Golfo Pérsico registrando explosões reforçam o risco de navegação na região. Na Ásia, a China suspendeu as autorizações para exportação de combustíveis.
Por que isso é importante: Os temores de ataques no Golfo Pérsico seguem inibindo o fluxo de navios pelo estreito, com as notícias das últimas 24h reforçando a cautela dos operadores. Isso implica em mais tempo que o petróleo e combustíveis serão retidos, afetando o fornecimento especialmente da Ásia e Europa.
Panorama: Os futuros do petróleo voltaram a avançar mais nessa quinta-feira após a acomodação do dia anterior conforme a intensificação de ataques no Oriente Médio.
- Na quarta-feira, um navio container foi alvo de ataques no estreito de Ormuz, somando-se a outros dois desde o final de semana. No norte do Golfo Pérsico, perto do Kuwait, um navio petroleiro registrou uma explosão que ocasionou em derramamento de petróleo;
- A refinaria saudita de Ras Tanura foi atingida novamente por projétil na quarta-feira, levando a paralisação da refinaria;
- Na Índia, refinarias estariam buscando mais volumes da Rússia para sustentar o processamento, mas cerca de 52% das importações do país passam pelo Estreito de Ormuz;
- Com o conflito afetando especialmente o mercado de diesel, as cotações do heating oil estão no maior patamar desde 2023, com o crack-spread acima de USD 57 bbl.
O que esperar: A evolução da guerra nas últimas 24h não apresenta ainda algum sinal de alívio, com o prolongamento dos riscos de navegação no Golfo Pérsico devendo seguir apoiando as cotações do petróleo e do diesel.
DOE registra mais um aumento de estoques
Ontem, o relatório semanal do DOE indicou uma movimentação de estoques de petróleo e derivados semelhante ao API, mas em ritmo menor do que apontado pelo instituto, com as reservas de óleo bruto avançando 3,4 milhões de barris.
- Para o petróleo, a alta dos estoques leva o indicador para acima dos níveis de 2025, mas a recuperação da demanda interna na semana (+180 kbpd) impediu uma recuperação semelhante a semana anterior;
- Para o diesel, a alta dos estoques estende o resultado da semana passada, mas estoques seguem abaixo da média sazonal mesmo com a uma oferta maior que os níveis do ano passado;
- A gasolina iniciou o processo de deterioração sazonal das reservas, mas a demanda enfraquecida contribui para estoques ainda bastante elevados.
Por que isso é importante: A alta dos estoques de petróleo indica um alívio sobre o balanço americano, que desde o segundo semestre de 2025 observava reservas mais debilitadas pelo forte consumo doméstico. Destaca-se a resiliência da produção do país, que vem sustentando acima de 13,6 mbpd após a disrupção parcial no início de fevereiro com a frente polar.
O que esperar: O relatório do DOE indica um mercado menos estressado para petróleo, mas a queda persistente das reservas de diesel torna-se fator de atenção em um contexto de oferta global mais estressada após o início do conflito no Oriente Médio.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.