Ontem (18/05), o contrato mais ativo do Brent fechou em alta, a USD 112,10/bbl (+2,6%), enquanto o WTI para junho encerrou a USD 108,66/bbl (+3,1%).
O movimento altista foi alimentado pela leitura de que o Estreito de Hormuz permanece efetivamente fechado, sem perspectiva concreta de reabertura no curto prazo. A redução progressiva dos estoques comerciais a nível global reforçou o prêmio de risco nos futuros de petróleo. Um relatório da agência iraniana Tasnim sugerindo que Washington aceitaria suspender sanções ao petróleo iraniano durante as negociações chegou a gerar pressão baixista ao longo do dia, mas o movimento foi revertido após autoridades americanas negarem essa possibilidade.
Nesta manhã (19), o Brent recua a USD 110,37/bbl (-1,5%) e o WTI cede junto para USD 103,8/bb. O gatilho da correção foi a declaração de Trump — feita após o fechamento de ontem — de que pausaria o ataque planejado ao Irã para esta terça-feira, abrindo espaço para negociações.
Negociações entre EUA e Irã seguem sem definição
O Irã divulgou nesta manhã os termos de sua nova proposta de paz: retirada das forças dos EUA de regiões próximas ao Irã, encerramento do bloqueio naval, suspensão de sanções, liberação de ativos congelados e reparações de guerra.
O próprio governo iraniano reconhece que os termos diferem pouco da proposta anterior, rejeitada anteriormente por Trump. Há sinais pontuais de flexibilização por parte dos EUA — como a liberação de 25% dos fundos congelados e a permissão para atividade nuclear civil supervisionada —, mas Washington nega ter concordado com qualquer “waiver” sobre sanções ao petróleo iraniano.
Por que isso importa: A ausência de concessões estruturais sinaliza que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado por tempo indeterminado, sustentando o prêmio de risco embutido na curva de preços. A variável que o mercado monitora agora é se a pausa no ataque anunciada por Trump se converte em rodada formal de negociações ou é apenas mais um ciclo de ruído diplomático.
Panorama: Os estoques comerciais globais estão em trajetória de queda acelerada; a Agência Internacional de Energia não forneceu o número exato, mas a referência a "poucas semanas" implica cobertura abaixo de 20 dias para alguns hubs, nível crítico de alerta.
- Na China, a demanda por refino atingiu o menor nível desde agosto de 2022 — sinal de que o choque de oferta já está comprimindo a atividade real no maior importador global.
O que esperar?
Caso as negociações avancem para uma rodada formal mediada pelo Paquistão com concessões entre as partes nos próximos dias, o Brent tende a ceder novamente em direção à faixa de USD 100 – 105/bbl, refletindo redução do prêmio geopolítico.
- Inversamente, se a pausa de Trump for interpretada pelo mercado como tática de pressão sem contrapartida iraniana — cenário mais provável, dado o histórico recente —, o suporte em torno de USD 110/bbl deve se manter, com risco de alta caso os ataques sejam retomados.
EUA estendem waivers sobre petróleo russo
O Tesouro americano estendeu por mais 30 dias a licença de sanções ao petróleo russo, permitindo que países “energeticamente vulneráveis” continuem comprando a commodity em navios carregados até 17 de abril. Esta é a segunda prorrogação após o waiver ter expirado no sábado (16).
Por que isso importa: O mecanismo é de substituição de fluxo: países do sul da Ásia e do Mediterrâneo, cortados das rotas do Golfo Pérsico, competem com a China pelo petróleo russo já disponível em alto-mar.
- O impacto no preço agregado é marginal, mas reduz risco de disrupção severa em economias menores. A variável a monitorar é se a União Europeia e o Reino Unido alinharão seus regimes de sanções ao movimento americano, o que ampliaria o volume acessível.
Panorama: A licença se aplica exclusivamente ao petróleo russo carregado até 17 de abril — limitando o volume disponível e excluindo produções mais recentes, o que reduz significativamente o potencial de alívio de oferta.
- A extensão reverte declaração pública do secretário Bessent de abril, que havia dito que não haveria nova prorrogação — sinal de que a pressão sobre o mercado físico superou as considerações geopolíticas relacionadas à Ucrânia.
O que esperar: Se o DOE confirmar queda de estoques americanos amanhã, o dado reforçará o discurso da IEA sobre escassez iminente e pode sustentar o Brent acima de USD 110/bbl mesmo com o alívio diplomático temporário.
- A renovação automática do waiver russo por mais 30 dias não deve ser descartada caso o Estreito permaneça fechado — o que mantém a extensão da licença como variável recorrente na formação de preço das próximas semanas.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.