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Especial | Inspeções portuárias e cotas limitam as exportações chinesas de fertilizantes 

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Inspeções portuárias e cotas de embarque limitam as exportações chinesas de fertilizantes 
 
Luigi Crivelaro Bezzon
 
 
O mercado de fertilizantes na China enfrenta, há mais de um ano, grandes dificuldades para exportar sua produção, limitado por barreiras impostas pelo próprio governo visando controlar os preços e o fornecimento de nutrientes no mercado interno. Em outubro de 2021, entrou em vigor a política de inspeções portuárias, em que todas as cargas de fertilizantes exportadas (com exceção do sulfato de amônio, SAM) deveriam passar por um período de quarentena nos portos, que poderia chegar a até 70 dias. 
Passado o período de pico do consumo doméstico de fertilizantes no 1º semestre, em julho/2022, o governo chinês alterou o controle para um regime de cotas de exportação, emitidas diretamente para as empresas produtoras, exportadoras e traders. Até hoje não há uma grande transparência a respeito desta medida - no entanto, acredita-se que, em julho, foram emitidas cotas para exportação de 3,6 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados e formulados, vigente para todo o 2º semestre de 2022. 
Ao longo dos últimos meses, algumas empresas chinesas atingiram o limite do volume permitido para exportação, e foram obrigadas a encerrar as vendas externas até que haja uma renovação das cotas por parte do governo. Até o momento, não há nenhuma demonstração de interesse por uma flexibilização das políticas de exportação, de modo que o foco do mercado chinês permanece em atender a demanda doméstica. Nos últimos dias, surgiram rumores de que novas cotas de exportação seriam emitidas para algumas empresas específicas, porém valeriam apenas para volumes que já se encontram nos portos – ou seja, com o objetivo de apenas escoar os estoques portuários, e não de incentivar novas exportações. 
Desde que as políticas de limitação das exportações de fertilizantes entraram em vigor na China, o país perdeu grande parcela de seu market-share no mercado global. Este encolhimento é evidenciado quando se observa o volume exportado no acumulado deste ano. Com exceção do sulfato de amônio, que é o único nutriente que foi excluído da política de inspeções e não está sujeito às cotas, o volume de fertilizantes exportados pela China caiu acentuadamente. As exportações dos fosfatados DAP e MAP recuaram 49% e 56% nos primeiros 10 meses de 2022, em relação ao mesmo período de 2021. A ureia registrou queda ainda mais forte no período, 60%.
Exportações chinesas de fertilizantes entre janeiro e outubro (mi tons)
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Fonte: Chinese Customs
O Brasil é um dos maiores mercados consumidores do fertilizante chinês. Em 2021, a China foi líder entre as origens dos fosfatados importados no Brasil, respondendo por mais de 26%, ou 3,3 milhões de toneladas, de todo P importado comprado. Neste ano, porém, os fosfatados chineses atingem apenas 14% da carteira das importações brasileiras entre janeiro e outubro, pouco mais de 1,2 milhão de toneladas. 

Importação brasileira de fertilizantes fosfatados entre janeiro e outubro (mil toneladas)

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Fonte: MDIC
Ao contrário dos demais nutrientes, o sulfato de amônio chinês ganhou mercado no Brasil neste ano. Em relação ao ano passado, as importações de SAM saltaram 30% em 2022, sendo que 89% das 3,8 milhões de toneladas importadas do fertilizante vieram da China. Grande parte deste maior volume do sulfato foi importado no 2º semestre, visando o consumo no início de 2023, durante a safrinha de milho – época em que a aplicação de nitrogenados ganha mais força.
Este crescimento da presença do SAM é explicado pela ótica financeira. Nos últimos meses, o custo por nitrogênio do sulfato no Brasil se mostrou mais competitivo que o da ureia, além de também possuir a vantagem de ter enxofre na formulação. Com isso, atualmente, no auge da temporada de recebimentos de nitrogenados para as safras de inverno, o volume de SAM no lineup para descarregar em novembro e dezembro é até 30% maior que para a ureia.

Importação e lineup de sulfato de amônio no Brasil

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Fonte: MDIC e Wilson Sons
Mesmo que a redução das exportações chinesas tenha sido significativa neste ano, o mercado global conseguiu encontrar origens substitutas. No Brasil, as importações de fosfatado chinês deram lugar à chegada de produto dos EUA, Rússia e Oriente Médio. O que ainda foi favorecido pelo menor consumo de adubos neste ano. 
Contudo, para o início de 2023, esta ausência do mercado chinês poderá ser sentida com maior intensidade, quando a demanda interna chinesa por adubos voltará a crescer e o volume destinado à exportação poderá encurtar ainda mais. Por isso, o mercado brasileiro e internacional deverá seguir atento com a China, observando se o governo renovará a política de cotas, ou se as exportações seguirão cada vez mais limitadas.
 
Calendário de adubação por cultura na China
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Fonte: IFA (International Fertilizer Association)
 
 

 

  • Fertilizantes

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