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Real não sustenta ganhos em dia de instabilidade do cenário externo

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

A economia brasileira entra em 2026 em um quadro de desaceleração controlada, após alguns anos em que o crescimento do PIB e a recuperação do mercado de trabalho superaram as expectativas iniciais. Agora, o país deve passar a conviver com um ritmo mais moderado de atividade, influência de uma política monetária ainda restritiva, da maior limitação dos impulsos fiscais e de um ambiente externo incerto. As projeções de órgãos oficiais e de analistas de mercado convergem para um cenário de crescimento positivo, porém mais fraco, com inflação em processo gradual de convergência para a meta do Banco Central e uma agenda fiscal e política que continuará condicionando a percepção de risco e os preços de ativos.
O quadro para a atividade é de crescimento baixo, mas positivo, após um biênio em que a economia avançou em ritmo mais forte do que o esperado. Pelo lado da oferta, espera-se expansão moderada e relativamente disseminada entre os grandes setores. A agropecuária pode perder um pouco de fôlego após o desempenho extraordinário recente, a indústria segue limitada por custos elevados e incertezas, enquanto os serviços devem permanecer como principal motor da atividade, ainda sustentados pelo mercado de trabalho apertado e pelo consumo de serviços presenciais, lazer e cuidados pessoais.
Pelo lado da demanda, o consumo das famílias deve continuar crescendo, mas em ritmo menor, à medida que os ganhos reais de renda desaceleram e que os efeitos restritivos do crédito mais caro penalizam o consumo. A formação bruta de capital fixo deve mostrar desaceleração ou mesmo estabilidade, após um período de maior dinamismo influenciado por grandes projetos e importações de bens de capital específicos.
O mercado de trabalho deve apresentar uma moderação no ritmo de contratações, com a taxa de desemprego se encontrando atualmente em patamar historicamente baixo e a dinâmica de ocupação formal, embora menos vigorosa, não indicando deterioração brusca. Vale destacar, entretanto, sinais de mudanças estruturais que ajudam a manter o desemprego menor, como envelhecimento demográfico, maior escolaridade e maior flexibilidade nas formas de contratação. Para 2026, o cenário mais provável é de estabilidade ou leve piora, sem uma explosão do desemprego, o que dialoga com a ideia de desaceleração suave da economia.
No campo da inflação, o quadro é de desinflação em andamento, mas ainda não plenamente concluída. Depois de um período marcado por choques relevantes, pandemia, ruptura de cadeias globais, volatilidade de commodities energéticas e alimentares, a inflação ao consumidor vem recuando e se aproximando progressivamente da meta. Esse movimento refletiu três fatores principais: a normalização parcial dos preços internacionais de bens, com a valorização do real ao longo do ano passado, o impacto de safras robustas sobre a disponibilidade de alimentos e a atuação de uma política monetária significativamente contracionista, que ajudou a conter a inflação de bens e moderar a dinâmica dos preços de serviços.
Para 2026, a tendência central é de inflação ainda ligeiramente acima da meta, mas em trajetória de convergência. Alguns dos fatores favoráveis recentes, contudo, podem perder intensidade. Por outro lado, a desaceleração da atividade e um mercado de trabalho que, embora ainda apertado, começa a mostrar sinais de menor pressão sobre salários reais favorecem um comportamento mais controlado dos preços.
Nesse contexto, a política monetária do BC deve seguir cautelosa. O ciclo de queda da taxa básica deve ser iniciado, mas em ritmo gradual, com o objetivo de garantir que as expectativas de inflação se aproximem da meta e permaneçam ancoradas no horizonte relevante. Em termos práticos, a inflação de 2026 deve ficar em patamar mais baixo do que em anos recentes, mas ainda com alguma distância da meta oficial, especialmente se a política fiscal seguir expansionista.
A política fiscal é um dos eixos centrais para entender o cenário de 2026. Depois de um triênio de forte crescimento real das despesas primárias, a trajetória recente indica alguma desaceleração, mas ainda partindo de patamar elevado. O novo arcabouço fiscal estabeleceu metas e bandas para o resultado primário e limites para o crescimento do gasto, o que contribuiu para reduzir, em certa medida, a incerteza em torno da dinâmica da dívida pública. Ainda assim, a combinação de um nível elevado de gastos obrigatórios, pressões sociais e demandas por investimento em infraestrutura e políticas setoriais mantêm o desafio da consolidação fiscal no centro do debate.
Para 2026, ano eleitoral, é razoável antecipar um uso mais intenso do espaço permitido pelas regras vigentes. A tendência é de crescimento real do gasto próximo ao limite do arcabouço, com reforço de programas sociais, execução acelerada de investimentos e ampliação de emendas, dentro dos mecanismos institucionais disponíveis. Esse impulso fiscal deve ajudar a sustentar a atividade em um momento de desaceleração forçada e de juros ainda altos, mas também tende a prolongar a necessidade de taxas reais mais elevadas para garantir a convergência da inflação.
A dívida pública deve permanecer em trajetória incômoda, ainda que não explosiva, dependente de um crescimento moderado do PIB, manutenção de superávits primários crescentes no futuro e juros reais em declínio ao longo da próxima década. Em 2026, portanto, o foco recai menos sobre mudanças estruturais no regime fiscal e mais sobre a credibilidade da trajetória anunciada e a sinalização do governo quanto à disposição de aprofundar o ajuste após o ciclo eleitoral.
O ciclo político de 2026 pode condicionar tanto a execução da política econômica do governo federal quanto a percepção de risco por parte de investidores domésticos e estrangeiros.
A proximidade do período eleitoral tende a aumentar o incentivo para a adoção de medidas de curto prazo, como a elevação de gastos públicos ou a flexibilização de compromissos fiscais, o que pode reduzir a credibilidade do arcabouço fiscal e gerar dúvidas sobre a trajetória das contas públicas.
Do ponto de vista dos agentes econômicos, o foco não deve recair somente em quem vencerá as eleições, mas qual será o grau de compromisso do próximo governo com a preservação das regras fiscais, a continuidade de reformas que aumentem a produtividade e a previsibilidade em temas sensíveis, como tributação, regulação setorial e governança de empresas estatais. A depender dos sinais emitidos durante a campanha, em especial no que diz respeito à responsabilidade fiscal, à abertura ou fechamento ao investimento privado e ao papel do Estado na economia, prêmios de risco, curva de juros e câmbio podem reagir de forma marcada ao longo de 2026.
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