Como já esperado, não houve mudanças na produção norte-americana 2023/24, uma vez que a produtividade só começa a ser revisada em agosto, com base em levantamentos qualitativos, e a área plantada será atualizada no final de junho, revisando o número de intenções de plantio que está sendo adotado no momento.
Por outro lado, o Departamento reduziu o número de exportações dos EUA para a safra 2022/23, de 54,8 para 54,4 milhões de toneladas, com impacto de igual magnitude nos estoques finais, que subiram para 6,27 milhões de toneladas. Esse ajuste ocorre em meio a vendas e embarques mais fracos. As vendas de exportação da safra 2022/23 acumuladas desde setembro estão em 51,2 milhões de toneladas, consideravelmente abaixo do registrado nesse mesmo período no ano passado, em quase 60 milhões.
Os maiores destaques, foram novas revisões para a safra 2022/23 da América do Sul. A produção brasileira ganhou mais 1 milhão de toneladas, passando para 156 milhões, enquanto a argentina caiu de 27 para 25 milhões de toneladas, número ainda consideravelmente acima das estimativas das bolsas do país. A Bolsa de Buenos aires estima a produção da Argentina em 21 milhões de toneladas, enquanto a Bolsa de Rosário aposta em 21,5 milhões. No caso brasileiro, destaca-se que o número está em linha com o oficial da Conab, que aumentou a estimativa de produção 2022/23 para 155,74 milhões de toneladas.
Quanto a essa diferença entre as estimativas para a produção argentina, comparando-se USDA e bolsas do país, uma oferta menor em 4 milhões de toneladas tende a reforçar ainda mais a necessidade de importação de soja do país, além de penalizar o esmagamento, refletindo-se no farelo e no óleo, cujas exportações mundiais são lideradas pela Argentina.
De maneira geral, o relatório do USDA manteve as perspectivas de um balanço mundial de oferta e demanda mais folgado para soja, com a produção acima do consumo no ciclo 2022/23 e com a ampliação dessa diferença de maneira considerável para a safra 2023/24. De qualquer maneira, a safra nova está somente no começo e muita coisa ainda pode mudar. Atualmente, o foco está no clima nos EUA, com previsões indicando um padrão mais seco em parte do Meio Oeste. Contudo, no caso da soja, a fase mais crítica, que é o enchimento de grão, se concentra em agosto (nesse ano deve adiantar um pouco), com o clima podendo movimentar o mercado ainda por bastante tempo.

O relatório de oferta e demanda de junho do USDA não causou surpresas com suas revisões nos números da safra 2022/23, visto que as alterações vieram em linha com o esperado pelos agentes, e, como já era esperado, não realizou grandes mudanças nas estimativas para a safra 2023/24.
A única alteração no balanço norte-americano de milho foi a redução nas exportações em 2022/23, para 43,8 milhões de toneladas. Com isso, os estoques finais da temporada atual avançaram para 36,67 milhões de toneladas, levemente abaixo da média das expectativas do mercado (36,81 milhões de toneladas) enquanto os estoques de passagem da safra 2023/24 aumentaram para 57,32 milhões (levemente acima da média das expectativas do mercado (57,25).
Na América do Sul, destaque para o aumento da produção brasileira de milho em 2022/23, para 132 milhões de toneladas, ao redor de 1,75 milhão a menos que o estimado pela StoneX em junho e pouco mais de 1 milhão acima do esperado pelo mercado. Por outro lado, o Departamento reduziu a produção argentina, para 35 milhões de toneladas, 1 milhão a menos que o último número da BCBA e cerca de 700 mil toneladas abaixo da média das expectativas.
Outra importante mudança foi no balanço ucraniano. Apesar de todas as incertezas envolvendo o conflito no Mar Negro, o USDA elevou os embarques do país em 2022/23 em 1,5 milhão de toneladas, para 27 milhões, e os de 2023/24 em 2,5 milhões, para 19 milhões.

O relatório de demanda e oferta global na edição de junho chamou a atenção para o trigo, com o aumento das estimativas de produção para players importantes, como Rússia, Ucrânia e União Europeia, o que gerou impacto direto no saldo global de trigo, reforçando um cenário baixista para os preços no mercado futuro.
No mercado doméstico dos Estados Unidos, o USDA está prevendo uma safra 2023/24 um pouco maior do que o estimado no relatório de maio, passando de 45,16 para 45,32 milhões de toneladas. Embora houvesse alguma expectativa de redução na estimativa de produção de HRW, as chuvas recentes nas Planícies Ocidentais nas últimas semanas favoreceram as perspectivas para a produção. Na próxima edição do relatório, em julho, o USDA publicará estimativas de produção e uso para cada uma das variedades de trigo dos EUA.
Considerando a produção global, houve um aumento de 10,4 milhões de toneladas, alcançando cerca de 800,2 milhões de toneladas esperadas na safra 2023/24. Os estoques finais globais também obtiveram ajuste positivo, passando de 264,3 para 270,7 milhões de toneladas. Por outro lado, é válido ressaltar que o saldo continua apertado, com o consumo sendo estimado em patamar muito próximo ao da produção.
As condições favoráveis no Mar Negro aumentaram a estimativa de oferta global de trigo, junto com o incremento visto para a União Europeia, que têm desfrutado de condições favoráveis de cultivo nesta primavera. Rússia e Ucrânia tiveram sua produção estimada com aumentos de 3,5 e 1 milhão de toneladas, respectivamente.
Apesar de restrições logísticas devido à invasão russa na Ucrânia, o USDA espera que os russos exportem ainda mais trigo no próximo ano, alcançando cerca de 42 milhões de toneladas. O aumento da previsão de exportação para a Ucrânia foi mais contido, da ordem de 500 mil toneladas. Pelo lado da demanda, chamou a atenção o aumento estimado para as importações da China, que passaram de 10,5 para 12 milhões de toneladas, em meio a rumores do mercado sobre efeitos de chuvas intensas nas lavouras chinesas.
O movimento de baixa sobre os preços no mercado global de trigo após a divulgação dos dados do USDA, na última sexta-feira (9), pode indicar que os mercados acreditam que a Rússia e a União Europeia, principalmente, poderão ser capazes de cobrir os déficits de produção encontrado em outros players, como se vê para a Ucrânia, em um contexto de guerra que persiste.

A safra 2022/23 do algodão global continuou sofrendo cortes pelo lado da demanda neste WASDE de junho. Em relação às estimativas anteriores, os novos ajustes mostram uma diminuição de 161 mil toneladas nas importações e 118 mil toneladas no consumo. Com isso, os estoques finais apresentaram um aumento de 0,3% em relação ao projetado em maio, totalizando 20,22 milhões de toneladas.
Esse crescimento nos estoques finais foi influenciado, principalmente, pelo incremento dos estoques finais brasileiros (+131 mil toneladas) e indianos (+142 mil toneladas). Segundo as estimativas do órgão, a demanda internacional pela pluma brasileira parece não seguir o mesmo direcionamento observado pela demanda pela pluma australiana e estadunidense, uma vez que as suas exportações sofreram incrementos de, respectivamente 44 mil toneladas e 87 mil toneladas.
Assim, entende-se que o USDA incorporou em suas estimativas a ligeira recuperação observada nos últimos relatórios de vendas de exportação dos EUA. No entanto, vale observar também reduções nas importações de players relevantes, como a China (-65 mil toneladas) e Bangladesh (-44 mil toneladas), mostrando que a demanda geral pela safra atual permanece enfraquecida.
Contudo, o WASDE de junho não espera que tal perspectiva se manterá para o novo ciclo. O documento seguiu mostrando fundamentos globais de demanda mais positivos para a safra 2023/24, adicionando 1,44 milhão de toneladas importadas e 1,72 milhão de toneladas consumidas, ao mesmo tempo em que se estima uma diminuição dos estoques finais de 20 mil toneladas em relação ao ciclo anterior.
A respeito da produção 2023/24, o mercado dos Estados Unidos ganhou destaque neste reporte. Projeta-se que o país produzirá cerca de 440 mil toneladas a mais do que em 2022/23, indicando que a nova temporada deve exibir 3,59 milhões de toneladas da pluma estadunidense. Isso porque o Departamento espera que a taxa de abandono das lavouras norte americanas seja equivalente a menos da metade do observado em 2022/23, com o nível nacional atingindo 16%.
Aliado a isso, outro aspecto positivo para o mercado estadunidense seria as exportações, que sofreram um aumento de 220 mil toneladas nas novas projeções em relação ao ciclo anterior. Com isso, os EUA devem permanecer sendo o principal exportador do algodão, com 3,05 milhões de toneladas projetadas ao longo da temporada 2023/24 – contra as 2,01 milhões estimadas para as exportações brasileiras.




