Dólar flutuou após dados de inflação para EUA e Brasil
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 4,975 (-0,1%)
▲ Dollar Index (DXY): 103,0 pontos (+0,1%)
O mercado de divisas oscilou amplamente após as leituras para a inflação ao consumidor dos EUA e do Brasil, ambas ligeiramente mais aquecidas que o estimado por analistas. Ainda assim, os dados não parecem ter modificados as expectativas para a trajetória dos juros em ambos os países.
Variações | No dia: -0,06% | Na semana: -0,06% | No mês: +0,14% | No ano: +2,62% | Em 12 meses: -4,40% |
Aceleração do CPI O dólar negociado no mercado interbancário oscilou entre perdas e ganhos ao longo desta terça-feira, encerrando o dia em suave baixa ante à véspera. O principal evento a guiar os mercados de ativos foi a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de fevereiro nos EUA um pouco acima do estimado, com alta mensal de 0,4% tanto no índice gral como em seu núcleo, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia. Apesar de ser a segunda leitura mais aquecida que o esperado para a inflação no país, a análise dos números mostra uma composição diferente do que o mês anterior, amenizando uma impressão de inflação persistente e reforçando uma percepção de moderação nos preços. Ainda assim, a alta dos preços, liderados por gasolina e custos habitacionais deve reforçar uma postura mais cautelosa do Federal Reserve ao conduzir sua flexibilização monetária, que pode desejar acumular mais evidências de que a inflação no país segue uma tendência de retorno à meta anual de 2% de forma estável antes de iniciar um ciclo de cortes de juros. A perspectiva de que os juros permanecerão elevados por mais tempo deve contribuir para uma busca por ativos de segurança e, consequentemente, um fortalecimento da divisa americana.
Aceleração do IPCA Por outro lado, a divulgação do IPCA de fevereiro para o Brasil pode contribuir para um fortalecimento do real, ao sinalizar para o Banco Central (BC) que a inflação no Brasil pode não estar se reduzindo conforme o esperado. O índice se acelerou de 0,42% em janeiro para 0,83% em fevereiro, acumulando alta de 4,50% nos últimos 12 meses. Embora o mês de fevereiro costumeiramente apresente leituras mais elevadas, puxadas por reajustes nos custos de educação, com altas de 0,84% em 2022 e de 1,01% em 2021, o dado ainda assim pode reforçar dúvidas sobre o processo de moderação de preços no Brasil, visto que o núcleo dos preços aumentou em 0,65% no mês e serviços aumentou 0,96%. Em falas recentes, os integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom) ressaltaram uma perspectiva otimista para a estabilização de preços, porém alertaram para “pontos de atenção”, como a inflação de serviços. Embora o dado de hoje não deva alterar a decisão do Comitê da próxima semana, ele pode motivar uma revisão para a estratégia de manter cortes de 0,50 p.p. para a taxa básica de juros (Selic) nas próximas reuniões.
Mercado de moedas No cenário externo, o dollar index terminou o pregão cotado a 103,0 pontos, variação de +0,1% ante à véspera. Moedas pares do real, como o peso colombiano, o peso mexicano, a lira turca, a rúpia indiana e o rublo russo se desvalorizaram em relação à divisa americana, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan terminou a sessão cotado a 46,862 pontos, praticamente estável frente ao término de sexta-feira.



