Dólar fecha no maior patamar em mais de um ano em meio a temores fiscais no Brasil e aversão global a riscos
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,184 (+1,2%)
▲ Dollar Index (DXY): 106,2 pontos (+0,2%)
O mercado de divisas repercutiu o anúncio do governo federal de que reduziu a meta orçamentária brasileira entre os anos de 2025 e 2027, elevando a percepção de riscos fiscais de ativos brasileiros, além do ambiente internacional avesso ao risco em meio a tensões no Oriente Médio e mais um dado aquecido para a economia americana.
Variações | No dia: +1,21% | Na semana: +1,21% | No mês: +3,35% | No ano: +6,84% | Em 12 meses: +5,44% |
Riscos fiscais no Brasil O dólar negociado se manteve em forte alta durante toda esta segunda-feira e encerrou o pregão no maior valor desde 27 de março de 2023 (R$ 5,208), refletindo fatores internos e externos de aversão ao risco. O real apresentou um dos piores desempenhos globais após o governo federal encaminhar o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2025 para o Congresso Nacional e modificar as metas orçamentárias até 2027. Anteriormente, a lei do novo arcabouço fiscal previa superávit de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 e de 1,0% do PIB em 2026. Agora, no envio da LDO, a equipe econômica previu uma trajetória com superávit primário 0,0% do PIB em 2025, 0,25% do PIB em 2026, 0,5% do PIB em 2027 e 1% do PIB em 2028. Na prática, a mudança enfraquece a proposta original do arcabouço fiscal e atrasa o processo de estabilização do endividamento público, mostrando que o Palácio do Planalto deseja realizar um esforço menor para a redução de despesas e às custas de credibilidade fiscal.
Temores inflacionários nos EUA Adicionalmente, contribuiu para o fortalecimento do dólar a divulgação de que as vendas do varejo americano cresceram acima do esperado, reforçando a percepção de que a economia do país está excessivamente aquecida para que a inflação retorne à meta anual de 2% do Federal Reserve. Embora o crescimento econômico do país seja uma boa notícia e largamente inesperado no começo do aperto monetário pelo Fed, há uma interpretação de que os dados econômicos recentes, com elevada demanda por mão de obra, resiliência do consumo interno às condições mais restritivas para o crédito e inflação maior que o antecipado, devem manter o Federal Reserve em uma postura cautelosa, evitando cortes de juros enquanto não se assegurar que a estabilização de preços está ocorrendo. Isso provoca a piora seguida das expectativas de investidores para a queda dos juros no país e, por outro lado, contribui para o fortalecimento do dólar na medida em que se esperam rendimentos maiores para investimentos denominados na moeda.
Temores de conflito Irã-Israel Contribuiu para o fortalecimento do dólar, também, o cenário internacional de incerteza e insegurança sobre o conflito no Oriente Médio após o Irã retaliar a um ataque em sua embaixada na Síria, no começo do mês, com mais de 300 drones e mísseis balísticos em direção a Israel. Embora a retaliação iraniana tenha sido largamente antecipada e efetivamente neutralizada, trata-se do primeiro ataque direto do Irã ao território israelense e há receios de que os países possam entrar em um conflito direto, agravando o cenário geopolítico da região. Ainda assim, a maior parte da aversão ao risco já havia sido internalizada na semana passada, e hoje ela se manteve estável.
Mercado de moedas No cenário externo, o dollar index terminou o pregão cotado a 105,3 pontos, variação de +0,1% ante à véspera. Moedas pares do real, como o peso chileno, o peso colombiano, o peso mexicano, a lira turca, o rand sul-africano e o rublo russo também se desvalorizaram em relação à divisa americana, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan terminou a sessão cotado a 46,120 pontos, recuo de 0,5% frente ao término de sexta-feira.



