Dólar fecha no maior patamar em mais de um ano em meio a temores fiscais no Brasil e aversão global a riscos
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,269 (+1,6%)
▲ Dollar Index (DXY): 106,3 pontos (+0,2%)
O mercado de divisas repercutiu novo dia de estresse cambial, em meio a preocupações com riscos fiscais brasileiros, tensões no Oriente Médio e perspectivas de juros elevados nos EUA por mais tempo.
Variações | No dia: +1,16% | Na semana: +2,88% | No mês: +5,04% | No ano: +8,60% | Em 12 meses: +4,25% |
Riscos fiscais no Brasil O dólar negociado no mercado interbancário emendou sua quinta alta consecutiva e encerrou o pregão no maior valor desde 23 de março de 2023 (R$ 5,2898), refletindo fatores internos e externos de aversão ao risco. O real apresentou novamente um dos piores desempenhos globais da sessão em função de percepções mais elevadas de riscos fiscais de ativos brasileiros após o governo federal enfraquecer as metas orçamentárias entre 2025 e 2027. Ontem (15), ao encaminhar o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2025 para o Congresso Nacional, a equipe econômica previu uma trajetória com superávit primário 0,0% do PIB em 2025, 0,25% do PIB em 2026, 0,5% do PIB em 2027 e 1% do PIB em 2028. Anteriormente, a lei do novo arcabouço fiscal previa superávit de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 e de 1,0% do PIB a partir de 2026. Na prática, a mudança enfraqueceu a proposta original do arcabouço fiscal e atrasa o processo de estabilização do endividamento público, sinalizando que o Palácio do Planalto deseja realizar um esforço menor para a redução de despesas e às custas de credibilidade fiscal.
Temores inflacionários nos EUA Contribuiu para o fortalecimento da moeda americana, também, a percepção de que a inflação ao consumidor nos EUA está persistente e deve forçar o Federal Reserve (Fed) a manter os seus juros básicos em níveis mais elevados por mais tempo. Hoje, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que os dados econômicos mais recentes “claramente não nos dão maior confiança” de que a inflação está retornando à meta anual definida pela instituição, de 2%, e justificam a manutenção de uma política monetária restritiva por mais tempo. Isto, por sua vez, contribui para o fortalecimento do dólar na medida em que se esperam rendimentos maiores para investimentos denominados na moeda.
Mercado de moedas No cenário externo, o dollar index terminou o pregão cotado a 106,3 pontos, variação de +0,2% ante à véspera. Moedas pares do real, como o peso chileno, o peso colombiano, o peso mexicano, a lira turca, o rand sul-africano, a rúpia indiana e o rublo russo também se desvalorizaram em relação à divisa americana, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan terminou a sessão cotado a 45,832 pontos, recuo de 0,4% frente ao término de segunda-feira.



